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Entrevista - A tecelã de sonhos

A experiência de acordar em uma unidade de terapia intensiva após uma cirurgia no pulmão foi utilizada pela escritora Angela Dutra de Menezes como ponto de partida para seu novo romance, A tecelã de sonhos. Neste livro, Angela aborda a trajetória de uma mulher, que ela define como “quase um alterego”. Não que a história de Berenice seja uma autobiografia: "Esta é a primeira protagonista que fala na minha própria emoção. Ao menos, conscientemente. Mas A tecelã de sonhos não é, de forma alguma, uma autobiografia. Imagina, quem sou eu para escrever autobiografia? O livro seria chatíssimo". Angela deixou o jornalismo, sua principal atividade até 1994, para dedicar-se à literatura. Na primeira incursão literária, com Mil anos menos cinqüenta, recebeu o prêmio de revelação na Bienal do Livro. Em 1997, já lançado na Espanha pela Ediciones Siruela, o livro foi considerado um dos cinco melhores maiores lançamentos do ano pelo jornal La Cultura. Eclética — aprendizado adquirido com a prática do jornalismo, explica —, Angela transita com desenvoltura pela ficção e pela pesquisa histórica, sempre com um toque de humor. A tecelã de sonhos é seu sétimo livro publicado no Brasil. Enquanto se prepara o seu lançamento, Angela acompanha a edição de seu segundo romance em Portugal: "Aos pouquinhos, vou ganhando o mundo", brinca essa carioca de Ipanema, que não gosta de ser vista apenas profissionalmente, mas também como "mãe e avó corujíssima de dois filhos, quatro netos e, felizmente, nenhum cachorro”.

O quanto de autobiográfico há em A tecelã de sonhos?

Meus personagens tomam vida sozinhos, sem qualquer controle meu. Berenice é como os outros, embora estejamos muito próximas emocionalmente. Ela esbarra em minhas próprias emoções. Mas igual aos demais personagens, segue por seus caminhos atrás da melhor palavra, a que tem mais ritmo. A palavra, sim, domina as personagens. Há algumas semelhanças entre Berenice e eu. Minhas colegas de colégio vão se lembrar de algumas passagens do tempo de escola. Mas não é um registro fiel dos acontecimentos, embora eu fale de algumas situações vividas. Minha turma deu bons frutos. Fui colega da carnavalesca Rosa Magalhães — éramos muito amigas —, e da Ellen Gracie, ministra do Supremo Tribunal Federal.  Aliás, a Rosa assinou a orelha do livro.

A tecelã combina humor, nostalgia com passagens emotivas e críticas à sociedade de sua infância e juventude. Quando a senhora percebeu a injustiça social?

Muito cedo, não tinha nem dez anos. Eu via aquelas mulheres beatas, batendo no peito durante a missa, rezando fervorosamente, comungando, umas santas. Quando chegavam em casa, tratavam as suas empregadas sem nenhum respeito, com ignorante estupidez. Tenho 60 anos. No meu tempo de menina classe-média-alta da Zona Sul carioca, os menos favorecidos eram quase bichos. E é isto que a Berenice descobre quando a sua avó lhe explica o conceito de “gentinha”. A hipocrisia reinante continua, mas era pior naquele tempo. Na tive nenhuma intenção de demonstrar a disparidade social na personagem, que acaba se tornando alguém muito parecida com a avó. É difícil explicar o que surge em um livro, pois quando escrevo é como se eu abrisse uma comporta de idéias, de emoções. Não sou a dona do que sai de dentro desta comporta.

O que a faz decidir pelo tema de um livro?

Depende da época, do momento. Meu primeiro livro foi inspirado em minhas raízes portuguesas. Já O português que nos pariu, que também fala de Portugal, continua essa busca, pois eu me indago como um país como o nosso pode ter se tornado quase um mundo paralelo, onde a voz vale mais do que a  realidade. Aqui acontece tudo, tudo é possível. Aliás, o presidente Lula sacou isto e é o rei do discurso. No Brasil as coisas não precisam ser, precisam apenas virar palavras. O que nos fez assim? A latitude? A longitude? A colonização lusa? A migração africana? Tudo isto junto? Mas meus livros também podem sair do nada. Uma frase recolhida no ar, uma notícia de jornal. De repente, sinto uma incontrolável necessidade de escrever e o mundo pára.

Como é sua rotina para escrever? Há algum horário definido?

Inspirada ou não, diariamente, o dia todo. Escrevo com ou sem vontade. Quando começo a escrever preciso colocar a história para fora. Então, tem que ser um exercício diário. Meus filhos e dois netos moram no exterior. Outros dois, em Teresópolis. Meus sobrinhos moram no exterior. Meus irmãos e minha mãe morreram. Agora, minhas alegres companheiras são as minhas personagens. Nunca estou só. Sempre tem uma mexendo na minha geladeira, empurrando a porta, sujando a cozinha, discutindo comigo. Eventualmente, ando de bicicleta para não enferrujar. Quando vejo, carrego uma personagem na garupa. Mas a minha rotina diária, de domingo e a domingo, é diante da tela do computador. Sou imensamente feliz escrevendo, criando e interagindo com as minhas personagens.

Quanto tempo demora no preparo de um livro?

Um, dois anos. O primeiro levou mais tempo. Mas, também, o início sempre é mais difícil.

Quais são suas referências literárias?

Monteiro Lobato, Franz Kafka e Albert Camus foram os escritores que contribuíram para minha formação pessoal. Com Reinações de Narizinho, eu aprendi a sonhar. Monteiro Lobato criou um universo riquíssimo e encantado, além de rico em informações sobre a História do mundo, mitologia grega, gramática, matemática e ciências. É pena que a linguagem do Lobato hoje esteja distante do que as crianças falam. Mas o enredo continua atual porque o mágico continua hipnotizando todas as gerações. Kafka foi quem me abriu os olhos sobre a mediocridade da burguesia, que dá mais importância ao que os outros pensam do que à possível dor de quem devíamos amar. E Camus me transformou em uma pacifista. Depois que eu li A peste mudei radicalmente. Acho que A peste é o livro mais profundo, intenso e bonito que já li.

Quais foram os últimos livros que a senhora leu?

Acabei há pouco Rio das Flores, do Miguel de Souza. Tenho lido alguns estudos da Karen Armstrong, pois a construção mitológica do homem me fascina. Agora, com tantas notícias sobre os campos de pré-sal, tenho voltado ao Monteiro Lobato, que falava em petróleo quando todos negavam que ele existisse no Brasil. Lobato foi um sábio avant la lettre.



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