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Margi Moss e Gérard Moss Home > Autores > Margi Moss e Gérard Moss
Entrevista - Asas do vento: A volta ao mundo num motoplanador

Depois de rodar o planeta várias vezes ao lado da esposa Margi num monomotor, o piloto e explorador Gérard Moss resolveu inovar. Em 2001, usando um motoplanador, uma aeronave que normalmente é usada apenas para vôos curtos, ele estabeleceu um novo recorde mundial ao dar uma inédita volta ao mundo em apenas 100 dias. O feito de Gérard foi registrado em uma série de reportagens que foram ao ar pelo programa Fantástico, da TV Globo, e num diário escrito pelo próprio piloto. Com base nessas anotações e num longo depoimento concedido a Margi Moss — que ficou no Brasil monitorando tudo enquanto seu marido prosseguia em sua expedição — a Editora Record lança Asas do Vento, um relato completo da viagem histórica que foi acompanhada por inúmeros telespectadores em todo o Brasil.

Gerard, o que você fazia antes de começar a se dedicar as viagens pelo mundo?

Nasci na Inglaterra, de pais suíços, em 1955, mas já vivi mais tempo no Brasil do que em qualquer outro país do mundo. Já me naturalizei há mais de 10 anos e foi aqui que encontrei a minha esposa Margi e que começamos nossa vida juntos. Mas sempre gostei de viajar e de viver aventuras. Ainda muito jovem percorri vários países, como a Rússia, a Austrália e a China, e cheguei até a morar num veleiro. Quando cheguei no Brasil, resolvi montar uma empresa de navegação, à qual dediquei muitos anos de investimento. Porém, cheguei num ponto em que percebi que estava faltando alguma coisa. Logo, eu e Margi tivemos a oportunidade de descobrir o mundo, e assim resolvemos promover uma mudança radical em nossas vidas. Isso significaria um dia-a-dia com menos conforto e segurança, porém muito mais estimulante.

Depois que essa sua última viagem foi acompanhada pelo Fantástico, o que o livro lançado pela Editora Record tem a acrescentar ao que já se sabe sobre a sua empreitada?

O livro é mais preciso no sentido de esclarecer o que aconteceu de fato em muitos casos. O Fantástico noticiava os fatos da viagem, porém com pouca profundidade. O livro permitiu que descrevêssemos o que aconteceu com mais detalhes. Por exemplo, houve um momento em que tive que me confrontar com uma tempestade terrível entre a Tailândia.e a Birmânia – que hoje é chamada de Mianmar. Foi um momento muito difícil, em que eu estava cercado de CBs (nuvens cumulus nimbus, típicas de turbulências), não havia opção de sair e quase tive que pousar no mar. Não havia falado sobre isso para ninguém, nem para a minha esposa. Só mais tarde, depois que tive tempo de refletir sobre essa situação, fiz com que esse fato desse origem a um capítulo importante do livro.

Que sentimento o move a continuar fazendo viagens como essa que acabou de ser contada em Asas do vento?

É tudo uma questão de desafio, de me sentir como se fosse o primeiro a fazer uma determinada coisa. Não só de enfrentar dificuldades climáticas, mas de largar tudo e partir rumo ao desconhecido. Essa é uma sensação da qual eu gosto muito porque, se você pensar bem, viver uma aventura não é nada mais do que se colocar numa situação diferente, fora do comum, onde reagir a situações desconhecidas é obrigatório. Você acaba tirando de si mesmo as soluções e as reações necessárias.

Depois de rodar o mundo algumas vezes voando em monomotores, qual foi a diferença de usar um motoplanador?

Foi tudo diferente. As outras viagens que fiz com a Margi foram, digamos assim, exploratórias. Usamos a aeronave como meio de transporte para conhecer uma região diferente do mundo, uma área de difícil acesso, um lugar isolado etc. Essa volta ao mundo de motoplanador foi, diferentemente, um desafio aeronáutico. Estava tentando ser o primeiro a dar a volta ao mundo com esse avião brasileiro; a bater esse recorde. A coisa já começava com uma dificuldade técnica e o vôo foi bem mais rápido que os anteriores — durou 100 dias. Foi bem diferente dos vôos exploratórios do passado, em que planejávamos ficar mais tempo nos lugares. E justamente por ser um desafio mais técnico, juntamos a ele mais dois desafios: a pesquisa ambiental e a transmissão das imagens em vídeo para a TV Globo, o que fez com que levássemos milhares de telespectadores brasileiros para a nossa aventura.

O fato da sua viagem ter sido registrada pela TV atrapalhou de alguma forma a realização da sua missão?

Com certeza essa tarefa criou muitas dificuldades durante a viagem. Além de termos que lidar com todos os contratempos que apareciam pelo caminho — mau tempo, burocracias, falta de tempo para dormir —, fui obrigado a gerar essas imagens. A Margi, que ficou aqui no Rio, teve que agüentar uma grande pressão da televisão. Tínhamos o compromisso de enviar essas imagens, utilizando até mesmo uma tecnologia inédita de captação das mesmas. Também houve muita dificuldade por eu ter que gerar essas imagens tarde da noite. Imagina que eu chegava depois de 10 a 12 horas de viagem, exausto, e ainda tinha que arrumar um lugar para editar os vídeos, montar arquivos e enviá-los via satélite — esquema que nem sempre funcionava direito.

Que tipo de equipamento de vídeo você levava na aeronave?

Levei um mini-editor, um aparelho leve que permitia que eu trabalhasse com uma certa agilidade. No entanto, tinha que fazer uma seleção antes de mandar as imagens, pois ficava muito oneroso enviar coisas demais via satélite. Por isso, era necessário ter certeza de que os trechos necessários para a TV estavam sendo enviados.

Em quanto a sua condição física ficou abalada com essa viagem?

Uma parte importante da preparação para a viagem foi exatamente a preparação física. Gastei uns quatro ou cinco meses fazendo exercícios intensos para aumentar a minha resistência, sabendo que iria dormir pouco e ficar muito tempo num lugar restrito — minha cabine tinha, aproximadamente, um metro cúbico. Depois de ficar de 10 a 12 horas sentado e preso na cabine, ainda tinha que fazer, todo dia, um grande esforço físico — carregar o avião e os tanques de gasolina, dobrar as asas, empurrar o equipamento. Toda essa preparação física foi muito importante, mas mesmo assim cheguei a perder oito quilos, e não tinha tempo de comer – até porque os hotéis muitas vezes nem tinham café da manhã. Na verdade, evitava comer muito porque, comendo, o sono acabava vindo mais rápido, e eu acabava ficando sempre muito cansado, no limite da exaustão. Por isso evitava me alimentar exageradamente e bebia muita água para não deixar o estômago vazio. É claro que no final da viagem cheguei estourado e fiquei uma semana de cama gripado, mas devido a preparação intensa que fiz antes de começar minha empreitada, minha saúde não foi abalada.

Quais foram os momentos mais difíceis da viagem?

É claro que houve momentos arriscados e outros mais difíceis de suportar, mas digamos que a maior parte das dificuldades foi provocada pelo mau tempo. Afinal de contas, o motoplanador foi projetado para o lazer, não pode entrar dentro de nuvens e tem que voar sempre com referências visuais. A natureza nem sempre ajuda. No sudeste asiático, eu passei por momentos muito difíceis por causa das monções. Tive que batalhar muito para atravessar o Estreito de Bering, voando baixinho por cima do mar gelado, evitando pegar gelo nas nuvens acima. Tudo o que diz respeito a voar em condições que não são adequadas ao tipo de aeronave resultou em dificuldades. Isso sem contar com todos os imprevistos que você encontra pelo caminho. É preciso se adaptar o tempo todo. Numa determinada situação, fui interceptado por dois caças japoneses, quando saía da Rússia e seguia na direção do Japão. O risco era muito grande de eu ser preso como espião – afinal meu avião estava equipado com câmeras e outros equipamentos de transmissão, e poderia ser mal interpretado. A mesma coisa aconteceu no Vietnã, onde cheguei a ser detido. Em suma, as maiores dificuldades da minha expedição estiveram centradas na combinação dos problemas com condições climáticas, entraves burocráticos e a minha própria resistência física.

E a travessia do Atlântico?

Foi com certeza o vôo mais crítico da viagem porque, devido a distância — são 2315 km entre o Cabo Verde na costa da África e a ilha de Fernando de Noronha — não havia margem para erro. Precisava de ventos favoráveis e evitar fazer muitos desvios — pois não havia muito combustível sobrando. Nesta etapa, tudo foi feito dentro de limites muito restritos.

O que você viu de mais bonito ao longo de sua expedição?

Esse é o aspecto extrordinário num vôo deste tipo. Voar em silencio, planando, sobre alguns dos lugares mais deslumbrantes do mundo é algo absolutamente mágico. Fiquei quase um dia inteiro, por exemplo, planando no Salto Angel, que fica na Venezuela, e é a maior queda d’água do mundo. Vivi outros grandes momentos no conhecido Grand Canyon; nos vulcões da Guatemala — onde os ventos ascendentes que vêm do Pacífico e as colunas de ar quente do próprio vulcão proporcionam condições excelentes para que se possa planar —; e nas geleiras do Canadá. Imagine o que é voar por sobre a Sibéria, e percorrer quase 1000 km sem ver nenhuma marca do homem. Posso dizer que fui o único ser humano a colocar os olhos sobre determinados rios e lagos da região.

Como você já disse, sua viagem também teve como objetivo fazer uma pesquisa sobre a pressão atmosférica no planeta. Já se pode ter resultados efetivos tendo por base os dados coletados?

Essa pesquisa envolve duas etapas. Uma delas foi a medição do ozônio, que foi feita pela primeira vez numa escala global a baixa altitude. Isso foi muito importante, pois pude coletar vários dados usando a mesma metodologia. Consegui obter algo em torno de 4,5 milhões de dados sobre o ozônio em todo o mundo. Mas falta ainda que as universidades que se aliaram ao projeto, como a UNESP de Bauru e a Cambridge University, de Londres, cheguem a conclusões e tentem descobrir se há relações entre a concentração de ozônio em várias partes do mundo. Esse estudo é bastante complexo e vai demorar um tempo para ser finalizado.

Deu para perceber se, em algum ponto da sua viagem, o aquecimento global já está influenciando a vida da população do planeta?

Não só ele é visível, como eu também tive o privilegio de ver os primeiros refugiados do aquecimento global. Numa aldeia de esquimós chamada Shishmaref, ao norte do Alasca, onde viviam cerca de 600 pessoas, já havia uma rua principal cortada pelo mar, e eles vinham perdendo casas a cada ano. Estive lá em setembro do ano passado, e pude ler, em setembro deste ano, há dois meses atrás portanto, que a população desistiu e resolveu abandonar uma região onde já vivia há centenas de anos para procurar um local mais alto para viver. É terrível pensar nisso porque essa aldeia não havia indústrias e nem plantações onde pudessem usar pesticidas. Seus antigos habitantes são as verdadeiras vitimas de uma situação que está se agravando a cada ano que passa. Pilotos como eu podem ver melhor do que ninguém – sobrevoando queimadas na Amazônia e áreas de grande concentração industrial, por exemplo – o estrago que o homem vem fazendo na natureza.

Você já possui planos para uma próxima viagem?

Sim. Depois de usar essa volta ao mundo para fazer uma pesquisa sobre a qualidade do ar, minha próxima viagem será dedicada à água. Isso porque ela é um dos recursos mais importantes de nosso planeta e, dentro de alguns anos, com certeza, vai começar a faltar em algumas regiões do planeta. Temos sorte de ter, no Brasil, 16% da água doce do mundo, mas ela tem que ser preservada e as pessoas precisam ter consciência da importância disso. No meu próximo projeto, usarei um hidroavião para fazer uma pesquisa ambiental sobre a qualidade da água doce no Brasil. Quero coletar dados em todo o país, recolher amostras e tentar dar um grande avanço na monitoração dessa água em todo o nosso território.



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