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Entrevista - Zorobabel: Reconstruindo o templo

Das histórias de detetive e de ficção científica que devorou na juventude — e que até hoje lotam as prateleiras do escritório de sua casa em São Paulo —, Zé Rodrix herdou o faro para seguir as boas 'pistas' e uma fértil imaginação para construir tramas e personagens. Habilidades tais que lhe foram essenciais para pinçar, das informações amealhadas ao longo de quatro anos de pesquisas, as que melhor funcionassem na história que queria contar no segundo volume da trilogia sobre o Templo de Jerusalém, Zorobabel: reconstruindo o templo. "O grande problema da pesquisa é selecionar os dados obtidos. Por isso é muito importante ter foco", diz Zé Rodrix, que mergulhou fundo nos tempos do Império Babilônico para contar a história de um menino de rua da Grande Babel que se descobre descendente direto de Davi, rei dos judeus, e transforma-se no principal responsável por reerguer o Templo de Jerusalém. Nesse meio tempo, cruza com personagens históricos do porte de Cyro, o grande imperador da Pérsia, Dario e o profeta Daniel (aquele, da cova dos leões). "Os fatos históricos narrados no livro são fatos históricos, não mudei nada. Mas, por exemplo, o fato de ter feito Zorobabel um menino de rua na Babilônia é ficção, mas uma ficção muito bem fundamentada", diz o autor, que afirma ter procurado transformar os fatos históricos em pilares para então construir pontes entre eles. "Gosto de histórias que tenham fundamento histórico real. Eu gosto de viajar no real."

Quando se fala em livro de Zé Rodrix, muitos pensam se tratar de um livro pop, descontraído, principalmente devido à sua irreverente atuação na música. Mas quem lê Zorobabel, logo desfaz tal impressão, devido à elegância do texto e à profundidade do tema. O mesmo deve ter acontecido com o primeiro livro, Diário de um construtor do templo. Como você reage a isso?

Para mim isso é muito legal. As pessoas ainda têm de mim essa imagem pop, que é uma imagem de 20 e poucos anos atrás, quando eu parei com a música e fui cuidar só de publicidade. Percebo esse 'susto' em todo mundo que lê meus livros — e acho ótimo. No primeiro livro, contei a história do Johaben da mesma forma, com essa linguagem limpa, com um português escorreito, porque é um português que eu adoro. Eu gosto de ler livros assim. Escrevemos o livro que gostaríamos de ler.

Como classifica seu livro?

Zorobabel é um romance histórico e também um mergulho interno para os leitores. E para fazer com que eles possam fazer esse mergulho interno, é preciso transportá-los para um outro lugar, fazer com que possam mergulhar em si. O livro é escrito em primeira pessoa e quando você lê, você acaba virando o personagem.

É um livro que nos faz divagar um bocado, muito rico em aforismos e alegorias...

Claro, você tem que divagar sobre muitas das coisas que são contadas no livro. Esse é um processo de pensamento que a gente tem dentro da maçonaria. Os aforismos e alegorias que começamos a analisar, tirar conclusões e a dizer o que a gente pensa sobre elas, e aí fazemos esse trabalho pessoal interno.

Zorobabel levou quatro anos para ser escrito, bem mais que os sete meses do primeiro. Foi por causa da extensa pesquisa?

Sim, mas também porque ele é um livro muito angustiante. Eu passei por momentos muito difíceis durante esse período e todas as passagens angustiantes do livro, eu as vivi. A morte do pai de Zureb no livro foi a purgação da morte do meu pai, que aconteceu em 1991. E de certa forma, a relação conflituada de pai e filho no livro também é a minha, não pelos mesmos motivos. Porque todo livro é isso: ao mesmo tempo que você está contando a história do personagem, você está contando de certa forma a sua história. O Norman Mailer diz bem isso. Ele dizia: "Eu nunca vou escrever a minha biografia. Se eu escrevê-la, não escrevo mais nada." Porque todas as histórias que eu conto, eu as enxergo por meio da minha biografia. Ela é a lente através da qual eu vejo todas as histórias.

Para você montar todo esse mosaico histórico, religioso e cotidiano em Zorobabel, teve que usar uma extensa bibliografia, que aliás está toda registrada ao final do livro. O que é curioso, porque não é comum romance ter bibliografia. Qual sua intenção ao fazer isso?

Faço questão disso porque é essencial compartilhar a informação. Eu já tinha publicado no primeiro e vou publicar no terceiro livro da trilogia também. Como é que eu posso escrever um livro desse e não revelar as fontes desse conhecimento? Essas fontes de conhecimento não são só minhas, eu não tenho que ocultá-las. Conhecimento só funciona se for compartilhado. Quanto mais você espalhar o conhecimento, maior é o bem que ele faz. Reter conhecimento é um crime.

Qual foi a importância da internet na produção do seu livro?

Foi uma grande fonte de pesquisa, muito mais do que no primeiro livro, quando ela ainda não era tão poderosa. Entrava no Google, digitava “Cyro” e caía num mundo imenso e profundo de informação. Isso facilitou muito, mas ao mesmo tempo também complica, porque você acaba conseguindo muita coisa. E o grande problema da pesquisa é selecionar os dados obtidos. É preciso ter muita noção do que você quer e fazer busca específica.

Você pesquisou antes de começar a escrever ou já durante o trabalho?

Ao longo da escrita. O primeiro livro levou apenas sete meses porque a pesquisa foi feita toda antes. Agora foi diferente, pesquisei durante o processo de escrita. Mudei o método porque não quis parar para pesquisar e só depois escrever, já fui escrevendo. Já estava com a história na cabeça e como as pessoas se mostraram curiosas por saber mais, decidi dar seqüência à trilogia.

Qual a principal diferença desse segundo livro para o primeiro?

É o fato dele ser mais angustiante, com certeza. Porque é sobre um camarada que se sente um joguete na mão de Deus. Ele está sendo levado a fazer o que ele não quer. No primeiro livro, o personagem é um menino (Johaben) que está perdido e acaba encontrando seu caminho dentro daquela estrutura, com a maior dificuldade. Já em Zorobabel, o personagem também encontra seu caminho, mas de outra forma. Ele precisa purgar uma série de coisas antes, vencer suas paixões e submeter suas vontades, como dizemos na maçonaria para se tornar um cara decente. Porque se a vontade dele e a de Deus não se tornam uma só, ele vai estar sempre em conflito com ele mesmo.

Você tomou muita liberdade com os personagens do livro, já que muitos deles — como o próprio Zorobabel — são praticamente desconhecidos?

Os fatos históricos narrados no livro são fatos históricos, não mudei nada. Mas, por exemplo, o fato de ter feito Zorobabel um menino de rua na Babilônia é ficção mas é uma ficção muito bem fundamentada. E se você prestar atenção, essa Babilônia tem um pouco de Nova York, de São Paulo, é uma grande metrópole, dessas que ficam entre dois rios — são várias no mundo, ontem e hoje.

Como você construiu o cotidiano de personagens que só aparecem nos antigos livros de forma muito fragmentada?

Procurei transformar esses fatos históricos em pilares e construí pontes entre eles. O Autran Dourado fala que é o risco do bordado. O bordado dá os pontos e você os une. É delicioso você tentar entender como era a vida da Babilônia naquela época. Os que tentavam manter a cultura judaica e a grande maioria que se adaptou muito bem à vida dos conquistadores babilônicos. E ao mesmo tempo, conforme eu ia escrevendo a história, fui me dando conta de coisas interessantes, como o início do conflito entre samaritanos e judeus por causa da construção do Templo de Jerusalém. Aquilo ali é rigorosamente o início do conflito entre árabes e judeus. É fato histórico. Eles são primos e têm cicatrizes profundas em suas relações. A coisa mais terrível que acontece nesse conflito entre judeus e árabes é que os povos árabes começam por uma rejeição paterna. Eles vão ser nômades e guardam uma grande mágoa, que ficará com eles para sempre, não se apagará nunca.

Sua trilogia tem alguns pontos em comum com outra muito famosa, O senhor dos anéis, de J.R.R. Tolkien, e podemos até mesmo traçar alguns paralelos entre alguns personagens, como os mestres Feq'qesh  e Gandalf, os aprendizes Zorobabel e Frodo, os guerreiros Daruj e Aragorn, os maçons e os elfos. O que você acha dessa possível comparação?

Eu tenho que confessar que nunca li O Senhor dos Anéis, foi um livro que não conseguiu me prender. Tentei várias vezes mas não aconteceu. Mas assisti aos filmes e vi como era a história. De qualquer maneira, eu gosto mais de romances históricos e de ficção científica, e não tanto de ficção histórica fantástica. Eu prefiro o camarada que é pesquisador histórico mesmo, como o Mika Waltari que escreveu O egípcio, que para mim é um padrão rigorosamente perfeito do que se pode considerar um romance histórico. Mas tem outros muito bons também, como Gore Vidal, que escreveu Criação, Lloyd Douglas (O Grande Pescador) e Colleen McCullough (O primeiro homem de Roma). Gosto de histórias que tenham fundamento histórico real. Eu gosto de viajar no real.



Esquin de Floyrac: O fim do Templo (Vol. 3)
Z. Rodrix
R$ 89,90

Zorobabel: Reconstruindo o Templo (Vol. 2)
Z. Rodrix
R$ 84,90

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