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Entrevista - Meninos no poder

Domingos Pellegrini tem o poder de um menino – o de sonhar – e o poder de um escritor – o de fazer o leitor sonhar, como comprova seu novo livro, Meninos no poder. Esse poder das palavras é de quem não quer sonhar sozinho, pois há sonhos que precisam ser sonhados na coletividade. Meninos no poder esmiúça o delicado processo de uma campanha eleitoral, e faz com que o leitor esmiúce dentro de si mesmo a vontade de pensar a política. Não essa que o povo está cansado de ver com nepotismos, corrupção, jogos de interesse e toma-lá-dá-cá, mas a política de fazer o certo, o que é preciso fazer. Pellegrini seduz o leitor com o sonhador e com o menino que há dentro de cada um de nós.

Domingos, você estudou Letras, mas trabalha com jornalismo e publicidade. Terá essa combinação feito com que você escrevesse de forma tão clara e comunicativa?

Sim, minha escrita tem formação literária (prosa e poesia) jornalística e publicitária. Escrevo claro obedecendo a um dito de Ferreira Gullar: “quem sabe, é claro”. E a um dito do empresário Celso Garcia Cid: “complicar é fácil, difícil é simplificar”.

Meninos no poder é realmente um romance, um livro romântico, cheio de idéias, mas sobretudo de ideais. Você é um romântico? Genuína ou ironicamente romântico?

Se acreditar em ética e princípios morais ou normas de conduta é ser romântico, sou romântico e acho que o mundo precisa de muito romantismo...

A idéia de escrever Meninos no poder lhe perseguia havia muito tempo ou você escreveu a história de estalo?

Participei de três campanhas eleitorais (as três para prefeito) e foi como mergulhar numa pesquisa intensa sobre esse processo político-psico-ilógico. A idéia veio na segunda campanha, em 2000, quando chegou aquela fase em que todos os vídeos e impressos estavam feitos, não havia o que o redator fazer, e não sei ficar sem fazer alguma coisa. Não podia descansar, pois se alguém descansa numa campanha, passa uma imagem negativa para os que estão se esfalfando em outras tarefas... Então eu escrevia, escrevia, e os outros olhavam e se estimulavam, sem saber que eu estava escrevendo não para a campanha, mas para a arte e a cidadania.

O livro parece até uma cartilha de como deve ser um bom governante, o que ele deve fazer para criar empregos, para ter dinheiro para combater problemas sociais etc. Você conhece algum político que tenha seguido essa cartilha?

Os políticos, mesmo quando se elegem falando em reformas das estruturas administrativas (prefeituras, Estados, União), quando chegam ao poder, mudam totalmente de visão e de discurso e prática. Deveria haver uma lei de responsabilidade política, que obrigasse, sob pena de perder o mandato, a fazerem o que prometeram em campanha. Com metas para cada ano de mandato, de modo a perder o mandato logo ao fim do primeiro ano caso não cumpridas as metas anuais. 

Então, Caboré não vai fazer nada do que ele prometeu? Agora você vai ter que escrever uma continuação, de como se portou o menino no poder...

Já pensei nisso. A história começaria lá pelo meio do segundo ano de mandato, com um marqueteiro convidando Caboré para ser candidato a governador, diante da repercussão positiva de sua administração. Mas Caboré prometeu não se reeleger nem se candidatar a mais nada, embora passe a receber pressões de todos e de todo lado. Se fez tanto bem para o município em menos de dois anos, poderá fazer muito mais pelo Estado. Tudo se passaria em um mês, com o ano e meio de mandato sendo lembrado por pessoas entrevistadas pelo marqueteiro, já colhendo depoimentos para usar no programa eleitoral de tevê.

A cartilha da campanha de Caboré é viável?

A cartilha que aparece no romance é perfeitamente viável, sob os ângulos administrativo e jurídico. O que dificulta é o ângulo político, por onde tudo passa a ser visto com a relatividade dos interesses, dos conchavos já visando à reeleição, os compromissos assumidos com aliados no segundo turno ou mesmo no primeiro turno. Por mais bem intencionado que seja, o político chega ao poder já impossilitado de fazer o que quer e deve, por estar compromissado com tantas e tão díspares forças políticas que travam suas perspectivas. A primeira coisa que o governo Lula fez foi simbólica dessa mudança: aliou-se a Antonio Carlos Magalhães e seu PFL, arqui-inimigos do PT e com visão de mundo totalmente oposta. Os políticos falam muito em mudanças, e realmente entendem disso. Em nome da governabilidade, acabam desgovernados, aí perdendo o que poderia ser o grande fator de mudanças, o entusiasmo e a participação populares.

Com tanta perspicácia para criar a campanha do personagem Caboré, você tem um pouco do personagem Ari Chimite, né?

Na verdade, essa perspicácia não é só minha, mas também de um amigo, Assad Jannani, planejador de duas das campanhas em que trabalhei, homem que tem uma visão muito clara e penetrante da política, das eleições e dos governos. Sintomaticamente, hoje trabalha numa revendedora de veículos. Claridade não é conveniente para os governos.

E quanto de Caboré há em Domingos Pellegrini?

Acredito que o Brasil precisa de mais Caborés, homens honestos que se disponham a tocar a política com os valores em “ade”: honestidade, sinceridade, verdade, qualidade, produtividade, bondade, criatividade, fraternidade. Não acredito em mudanças vindas de cima, do governo federal e governos estaduais. Acredito é que esses serão forçados a mudar se prefeitos, vereadores e principalente o povo, bases do sistema político, exigirem as mudanças de que o Brasil precisa. No Congresso há um projeto de lei para que os deputados só possam aumentar seus salários se correspondentemente aumentarem o salário mínimo. Nada mais justo, mas veremos o que faz com essa lei o corporativismo político. Só terá sucesso, certamente, se o povo se mobilizar e exigir, como fez contra o último aumento de salário dos deputados.

Ari pregava algumas máximas como “o povo precisa de liderança”, “classe média gosta de votar em engenheiro, médico, advogado, empresário...” Você compartilha das idéias dele?

Há idéias de Ari de que compartilho, mas é preciso lembrar que ele é um enganador, como aparecem muitos na política, com lindas idéias e belas posturas, até que tomam o governo – ou mesmo antes, como no caso de Ari, já fazendo dinheiro durante a campanha. Infelizmente os povos precisam de governos e as pessoas precisam de lideranças, mas continuarão a sofrer os males disso enquanto não se dedicarem também a fiscalizar e limitar os poderes dos líderes e dos governos. Hoje, em algumas empresas, já vigora um sistema de decisões colegiadas, com pluralismo e participação, em vez do velho sistema do chefe-manda-a-gente-faz. Os conselhos comunitários são esperanças de que a sociedade também possa evoluir nesse sentido.

Uma curiosidade: por que motivo você escolheu o número 12 para a campanha de Caboré?

Porque era o número do partido das três campanhas de que participei como redator. Além disso, é uma dúzia, coisa popular. E foram 12 os apóstolos...

No início do livro, ainda quando Caboré trabalha na rádio, você gosta de citar músicas, principalmente de Raul Seixas. Qual o papel da música na sua vida? E qual a importância dela no livro? Ela só está ali porque Caboré trabalhava numa rádio? E por que você escolheu um radialista para ser o herói do seu livro?

Escolhi a profissão de radialista para Caboré porque o rádio e a TV propulsam muitos candidatos à vida pública, até porque lhes aprimora a comunicação pessoal. Ao mesmo tempo, o radialista de programas comunitários, como Caboré, tem contato estreito e diário com a população. As músicas estão ali porque gosto muito de música, escrevo com música, e os trechos citados sempre têm muito a ver com os fatos narrados no romance. A música tem grande importância nas campanhas eleitorais, nos jingles, nos comícios, nos programas de rádio e TV. E nosso povo é muito musical.

Ari era um superdotado e era tão genial que, às vezes, não parecia crível. Você já conheceu um superdotado?

O fenômeno da super-ativação mental, provocada por carência respiratória em partos difíceis, com inversão da polaridade cerebral, não é muito incomum, atinge uns 4% das pessoas, se não me falha a memória, com base no livro que cito no romance, Os super dotados, de José C. Ferraz Salles, médico-psiquiatra. Tenho um filho assim, o primogênito Jerônimo, que tinha vários dos sintomas ali citados, e que se alfabetizou sozinho aos quatro anos de idade, aos dez desmontou e montou seu primeiro computador assim que ganhou de presente, e hoje é doutor em Ciências da Computação.

Alguma vez você já pensou em se candidatar a um cargo no Executivo ou no Legislativo?

Pensei e me candidataria, se não tivesse o dom literário. Se um dia houver uma Assembléia Constituinte para criar a Constituição do Estado do Norte do Paraná, espero estar lá. Por enquanto, tenho muito o que fazer com literatura e um dom não deve ser relegado enquanto estiver prosperando, ou seria malversar uma dádiva da loteria genética.

Se não me engano foi a personagem Helena Schimidt que aconselha em certo momento do livro: “não deixar a criança morrer na gente, ser sempre um pouco crianção pra não sofrer muito e se contentar com pouco.” Você segue esse conselho? Foi por isso que deixou a cidade e foi morar no mato?

Não vivo exatamente “no mato”, mas numa pequena chácara de 3 mil metros, com asfalto e telefone público na frente, cercada de muros e vizinhos (embora o vizinho dos fundos já esteja na zona rural, de modo que vivo na fímbria entre cidade e campo). Vivendo seja onde for, acredito que viveremos melhor olhando tudo com olhos novos, olhos de criança, e sentindo com coração de criança. Agradeço tudo, e com tudo brinco, como a criança que faz do sabugo brinquedo.



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