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Eduardo Luft Home > Autores > Eduardo Luft
Entrevista - Sobre a coerência do mundo

Eduardo Luft é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCRS), Mestre em Filosofia (PUCRS) e Doutor em Filosofia pela PUCRS e Universidade de Heidelberg, Alemanha. Autor de Para uma crítica interna ao sistema de Hegel (Porto Alegre: Edipucrs, 1995) e As sementes da dúvida (São Paulo: Mandarim, 2001), além de vários artigos em revistas científicas. Atualmente coordena o Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCRS. Neste seu novo livro Sobre a coerência do mundo, Eduardo Luft percorre o pensamento de vários filósofos para demonstrar que o universo é permeado por uma inteligência criadora entendendo como inteligência o modo de organização universalíssimo inerente ao ser e ao pensamento, ou seja, o Princípio da Coerência. O texto é enriquecido de exemplos práticos da vida cotidiana na tentativa de aproximar o leitor do pensamento filosófico e de responder-lhes as perguntas: Podemos conhecer o mundo em si mesmo? o mundo é inteligível? E mostra que pensar e transgredir não são atributos apenas de sua mãe, a escritora Lya Luft. Eduardo mergulha fundo nesses questionamentos, juntando poesia e conversas ao pé do ouvido para elaborar sua teoria filosófica.

Neste livro, Sobre a coerência do mundo, você de início diz que a filosofia cujo objeto de estudo é compreender o mundo, o Ser, a Subjetividade, está constantemente se redefinindo. O seu percurso pela filosofia certamente o fez valorizar determinados pontos de vista. Atualmente, quais são as suas preocupações?

Venho de uma tradição filosófica abastecida pela apropriação crítica do pensamento dialético, particularmente da dialética de Hegel. Isso me fez levar muito a sério a idéia de construção de uma visão sistemática em filosofia, a indagação pela unidade possível do saber humano, mesmo levando-se em conta o caminho aparentemente sem volta da crescente especialização da ciência contemporânea. Mas o projeto de uma filosofia sistemática vem sendo desacreditado desde a falência do pensamento marxista. Vemos o pensamento contemporâneo com duas fortes limitações: de um lado, uma visão unilateral da filosofia que supervalorizou as pesquisas em filosofia da linguagem, ou desconsiderando ou reduzindo a teoria do Ser a uma teoria acerca do modo como conceituamos o Ser — e isso tanto na Filosofia Analítica como na tradição continental, em Derrida ou Gadamer; de outro lado, nos perdemos em uma crítica da razão moderna que conduziu ao ceticismo e ao relativismo.Acredito que a procura pela compreensão do Ser, ou do mundo, se quisermos, da totalidade que nos envolve e sempre se oculta de nós — para a qual apontam, e diante da qual soçobram todos os nossos jogos de linguagem regionais —, permanece a grande tarefa da filosofia.                  

Ao dar este título ao livro, vemos que a sua tendência é criar uma linha de raciocínio que direcione o leitor a buscar uma integridade, uma determinação no estado de coisas que o faça se localizar melhor no mundo. Fale-nos sobre isso.

Queiramos ou não, nossa existência depende de orientação, e essa orientação é dada, em última instância, por idéias gerais de cunho filosófico. “Tristes de nós que trazemos a alma vestida”, dizia Fernando Pessoa. O problema não é trazermos a alma vestida, mas nos acomodarmos com esse fato. A filosofia é a exigência de reproblematização contínua de nossa herança conceitual. O que é particularmente necessário em tempos de crise, quando a moldura de conceitos e teorias que herdamos de nossa tradição não dá mais conta dos desafios da atualidade. Creio que vivemos uma dessas épocas em que a filosofia se faz urgente. E, contraditoriamente, talvez nunca tenhamos estado tão distantes dela, talvez nunca tenha sido tão difícil mesmo discriminá-la entre a enormidade de informações que nos engolfa no dia-a-dia. 

A necessidade de escrever um livro sobre a coerência, a determinação, a integridade vem de estarmos vivendo um momento da humanidade um pouco caótico, onde os princípios da ética estão sendo abalados pela rapidez dos acontecimentos e pela falta de ideologias definidas?

Não apenas os princípios da ética estão sendo abalados, mas a consciência da ética como um problema, um assunto difícil que exige a reelaboração da trama conceitual legada pelo Ocidente. Há acomodação no pensamento, talvez em parte resultante da crescente dificuldade de posicionar-se diante de um mundo cada vez mais complexo e de problemas de difícil assimilação. A meta da filosofia não é fornecer novas ideologias, mas alertar para a necessidade de questionamento contínuo das ideologias que, querendo ou não, plasmam a nossa cultura. É claro que do questionamento pode, ou deve, brotar um novo caminho. Mas é típico da Filosofia alertar para o fato de que se deve guardar a devida reserva mesmo diante dos resultados aparentemente mais evidentes. A Filosofia não constitui ideologias, mas experiências de pensamento problematizáveis. Por isso saliento no livro que os resultados parciais que nele apresento resultam de uma caminhada que tem sido a minha — que o leitor encontre as suas vias, e as suas respostas.

Neste livro você adotou uma forma de texto onde os capítulos começam com um trecho de algo prático para a seguir transcorrer no pensamento filosófico. No final, você faz um glossário e um resumo das idéias apresentadas. Esta sua forma de apresentar o estudo da filosofia tem uma intenção objetiva?

Procurei intercalar o tratamento de temáticas filosóficas algo áridas com “conversas ao pé do ouvido” do leitor, textos com forte carga simbólica e poemas. Especialmente estes textos breves e os poemas têm por característica condensar parágrafos inteiros, ou mesmo várias páginas do livro em uma idéia carregada de forte carga simbólica. O objetivo era aproveitar ao máximo a capacidade das alegorias, e principalmente da poesia, de abrir novos horizontes de sentido lá onde a teoria filosófica pretende ter dito o suficiente. Queria convidar o leitor a tomar parte dessa jornada sem fim em busca da compreensão do mundo, que julgo ser a grande contribuição da pesquisa filosófica.        

Quais os estudos filosóficos, ou quais os filósofos que mais se aproximam das suas idéias?

O meu ponto de partida é a reconstrução crítica da tradição dialética, especificamente do pensamento hegeliano, embora hoje em dia eu me sinta mais próximo de Platão do que de Hegel. As idéias em Epistemologia, que trato muito de passagem ao início do livro, tem afinidade com correntes tão díspares como o Racionalismo Crítico de Popper e Albert, o holismo de Neurath  e o idealismo objetivo de corte hegeliano. A teoria dos primeiros princípios desenvolvida no Filebo, de Platão, e a Ontologia implícita na teoria da evolução darwinista e nas teorias da auto-organização formam o pano de fundo de minhas idéias em Metafísica da Natureza. A proposta de uma teoria objetiva dos valores, capaz de enfrentar os desafios da crise ecológica na atualidade, tem grande afinidade com o pensamento de teóricos da ética ambiental, como H. Rolston.    

Neste seu pensamento, como você localizaria a teoria da relatividade que modificou o modo de ver as coisas no mundo?

Embora não seja minha área de estudo, tenho grande admiração pela obra de Lee Smolin, que procura expandir as idéias de Einstein em uma Física unificada. Uma análise de sua obra permite mostrar que há, implícita nas idéias de Einstein, uma concepção de mundo relacional, ou seja: nenhuma entidade pode subsistir sem estabelecer relações consistentes com outras entidades; os seres só existem co-existindo – acho esta idéia muito importante. De Smolin aprendi ainda o quão frutífera pode resultar a aplicação da teoria da evolução para a compreensão do mundo em sua totalidade, e não apenas para a compreensão da história das espécies.

Em relação à busca de uma integridade como meio de se obter um eixo de conduta. Essa seria uma filosofia a ser defendida para os tempos futuros?

Uma filosofia capaz de compreender o caráter problemático de nosso acesso cognitivo ao mundo, mas sem tornar-se vítima do ceticismo, da descrença radical na possibilidade de conhecimento do real. Acredito que um dos desafios da atualidade é a superação da visão unilateral que os modernos lançaram sobre o mundo, e que está na base do caráter algo invasivo da tecnologia, que não encontra limite algum no trato com o mundo natural. Acho urgente a superação da visão antropocêntrica que turvou nossa percepção do mundo. Mas, como disse, não em nome de uma nova ideologia, e sim de um saber capaz de se articular consistentemente com as ciências e tornar possível um novo olhar sobre o todo da Natureza. E se a totalidade do mundo fosse preenchida por valores, se os seres orgânicos e mesmo inorgânicos, enquanto auto-organizados, fossem dotados de valor intrínseco? Qual seria nossa atitude com relação a eles? Como lidar com um mundo preenchido ponta a ponta por valores? Sem a capacidade de discernir as hierarquias de valor que parecem preencher o mundo, a nossa ação terminaria paralisada.



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