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Entrevista - Padre Landell de Moura: um herói sem glória

Pródigo em ignorar talentos, o Brasil cometeu, nos anos finais do século XIX, injustiça devastadora contra um de seus grandes inventores: padre Roberto Landell de Moura. Precursor da primeira transmissão rádio, anterior à experiência realizada pelo italiano Guglielmo Marconi, o eclesiástico gaúcho morreu praticamente no anonimato e lá continua até hoje, salvo o reconhecimento de pequenos grupos acadêmicos e científicos. A genialidade do inventor brasileiro é ressaltada pelo jornalista e escritor Hamilton Almeida, autor de Padre Landell de Moura: um herói sem glória, a mais completa biografia do incompreendido cientista brasileiro. O trabalho é resultado de pesquisas iniciadas em 1976 pelo jornalista. Almeida defende que por não ter tido nenhuma oportunidade de mostrar ao governo brasileiro suas descobertas, Landell de Moura decidiu retirar-se das pesquisas e dedicar-se apenas a sua vocação religiosa. "Com uma lucidez impressionante", diz Almeida, "foi capaz de prever o seu futuro imediato: ‘Em breve, outros inventores, mais afortunados do que eu, irão descobrindo meus próprios inventos.'" Comparado pelo biógrafo a Santos Dumond e Vital Brasil, por estar à frente de seu tempo, padre Landell de Moura, teve as patentes de três inventos registradas nos Estados Unidos em 1904. Em 1984 a Fundação de Ciência e tecnologia (Cientec), de Porto Alegre, construiu uma réplica "daquele que pode ser considerado o primeiro aparelho de rádio do mundo: o Transmissor de Ondas". Construída aproximadamente 80 anos antes, o invento de Landell de Moura funcionaria perfeitamente e confirmava, então, o talento do inventor brasileiro.

Por que os feitos do padre Landell de Moura estão, ainda hoje, restritos a grupos específicos, principalmente no Brasil?

Padre Landell de Moura é um desses exemplos de heróis sem glória. Sozinho, distante dos grandes centros científicos e tecnológicos do final do século XIX, ele desenvolveu, de maneira inédita, o rádio e ainda foi capaz de projetar a televisão, o teletipo e até imaginou a possibilidade de se fazer comunicações interplanetárias. Ele esteve tão adiantado em relação à sua época que acabou sendo julgado louco, herege, e não recebeu nenhum apoio para desenvolver ou comercializar suas invenções. Acabou relegado ao esquecimento e ainda hoje é pouco conhecido. Falta, justamente, uma maior divulgação da obra do padre Landell para que ele possa ocupar o lugar que merece na nossa história.

Então, ele era tido como um lunático?

Era, sobretudo, um gênio. E os gênios, muitas vezes, são incompreendidos. Ele disse o seguinte: "É óbvio que aqueles que não compreendem bem uma razão científica, não podem enquadrá-la em seu justo mérito, nem tampouco aplaudir-me e ajudar-me com recursos para prosseguir no estudo e no trabalho. Bem sei que, em coisas de ciência, o que avança em relação à sua época, não deve esperar justiça dos contemporâneos." E com uma lucidez impressionante foi capaz de prever o seu futuro imediato: "Em breve, outros inventores, mais afortunados do que eu, irão descobrindo meus próprios inventos."

Que fatores o senhor acredita terem contribuído para transformar o padre Landell em um ‘herói sem glória’?

Ele realizou diversas experiências científicas com os seus aparelhos de comunicação sem fio, nos últimos anos do século XIX. Apesar do êxito das transmissões, não recebeu nenhuma ajuda. Ninguém se interessou em comercializar algo que, dali a alguns anos, o Brasil acabaria importando da Europa. Patenteou os inventos no Brasil (1901) e nos Estados Unidos (1904). Tentou mostrar ao governo brasileiro o que tinha nas mãos, mas não lhe deram nenhuma oportunidade. Acabou, como ele próprio declarou, sendo “forçado” a abandonar os seus experimentos científicos e a se dedicar somente à carreira eclesiástica. O fato dele ter sido sacerdote parece que lhe gerou, ainda, maiores problemas. Ele se comunicava à distância, sem fios, numa época em que as pessoas conheciam, no máximo, o telégrafo com fio. Por isso, diziam que ele se comunicava com o diabo...
 
Em seu livro o senhor diz que ele poderia ter um reconhecimento comparado ao de Santos Dumont ou Vital Brasil. É isso mesmo?

Ele merece um lugar privilegiado na nossa história científica. Merece ser considerado um dos maiores gênios que esse país já teve, já que foi capaz de fazer a primeira transmissão de rádio tal como o conhecemos hoje, ou seja, da voz humana à distância, sem o auxílio de fios. A Marconi se atribui, equivocadamente, o mérito da invenção do rádio. O que ele realmente fez, no entanto, foi desenvolver a radiotelegrafia, a transmissão de sinais em código Morse à distância, sem fios. O rádio que conhecemos hoje é outra coisa: trata-se de voz humana. E, nesse ponto, padre Landell foi pioneiro no mundo. A Marconi cabe a descoberta da radiotelegrafia. Ao padre Landell, a radiotelefonia (ou o rádio, tal como é conhecido hoje).
 
O senhor poderia dizer como teve a idéia de pesquisar a vida do padre Landell de Moura?

Tudo começou numa aula na faculdade de jornalismo, na FAAP, em São Paulo. Um professor chileno, Júlio Zapata, da cadeira de Radiojornalismo, deu uma aula sobre as origens do rádio e nos surpreendeu ao dizer que, antes de Marconi, um brasileiro, o padre Roberto Landell de Moura, inventou o rádio. Além da injustiça histórica, o que me motivou a pesquisar foi a insistência de Zapata em dizer que, certamente, deveriam existir muito mais coisas a descobrir sobre o padre-cientista. E essa hipótese acabou se confirmando. Até então, havia um único livro sobre o padre Landell, de autoria do gaúcho Ernani Fornari, que forneceu os subsídios para a aula do professor.
 
O quanto o senhor acha que seu livro avança em relação à biografia anterior de seu personagem?

Avança na reconstituição do momento histórico, na análise científica dos inventos do padre Landell (há uma comparação com o invento de Marconi, por exemplo) e fornece novos elementos que comprovam o pioneirismo do cientista brasileiro.
 
O que mais lhe chamou a atenção durante as pesquisas feitas para a elaboração do livro?

As pesquisas foram muito longas. Comecei esse trabalho há exatos 30 anos, em 1976. Pesquisei intensamente e colhi documentação original durante os primeiros seis anos. Cheguei a pensar que não haveria nada mais para pesquisar. Mas voltei ao trabalho de pesquisa e foi possível resgatar novas informações. O mais importante, contudo, é que todas as descobertas evidenciam a grandeza do talento do padre Landell.

Seu livro está sendo lançado logo após a primeira visita de um brasileiro ao espaço — o que tem estimulado muitos jovens com sonhos de pequenos cientistas. O senhor acha que essa biografia pode também contribuir e estimular outros jovens a escolherem o caminho da ciência?

O caminho da ciência e dos cientistas no Brasil tem sido espinhoso. Seja por um desvio da nossa tradição cultural ou mesmo por desleixo das autoridades. De qualquer maneira, todo e qualquer apoio à pesquisa científica e a valorização das obras dos nossos cientistas (houve e há muita gente talentosa por aqui!) devem servir de estímulo para as futuras gerações.



Padre Landell de Moura
Hamilton Almeida
R$ 64,90

SOB OS OLHOS DE PERÓN
Hamilton Almeida
R$ 64,90

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