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Alberto Mendes Cardoso Home > Autores > Alberto Mendes Cardoso
Entrevista - Os 13 momentos da arte da guerra

Ministro da Casa Militar e do Gabinete de Segurança Institucional no governo Fernando Henrique, o general Alberto Cardoso é um estudioso de A arte da guerra, de Sun Tzu, clássico da ciência política oriental, desde a década de 60. Após aplicar boa parte dos ensinamentos daqueles 13 capítulos do livro nos oito anos de colaboração com o Palácio do Planalto, quando inclusive montou a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Cardoso lança pela Editora Record Os 13 momentos da arte da guerra, em que analisa e interpreta a obra de Sun Tzu (reproduzida no apêndice do livro) e mostra como as estratégias se aplicam não apenas aos exércitos, mas também aos governos, aos chefes de família, aos empresários, ao trabalho, enfim, a diversos “campos de batalha” da vida cotidiana. A partir do estudo de “alguns casos fictícios e outros nem tanto”, Cardoso apresenta “uma proposta integrada para solução de conflitos e prevenção de impasses aplicável a todas as situações, áreas e atividades da vida”. E diz que, no caso do Brasil e seu eterno projeto de se tornar o país do futuro, a síntese das estratégias atende pelo nome de “educação”.

Como o senhor se transformou em admirador da obra de Sun Tzu?

Meu primeiro contato com os treze capítulos de A arte da guerra, de Sun Tzu, foi em 1961, ainda cadete, por intermédio de um exemplar, presente do meu pai, com uma tradução que Lionel Giles fez do chinês para o inglês no início do século passado. A fácil e apaixonante leitura do livrinho logo mostrou-me que o pensamento exposto pelo grande mestre chinês trazia em seus princípios e aforismos muitos outros ensinamentos, além daqueles que se espera encontrar em um tratado sobre estratégia e tática. A cada novo parágrafo, ocorriam descobertas sobre um tema militar, que davam corpo e sentido de conjunto ao que era aprendido com os instrutores e professores, mas, sobretudo, abria-se a visão para algo mais amplo e, ao mesmo tempo, profundo — descortinava-se uma verdadeira filosofia da vida. As sucessivas e agradáveis leituras do livro permitiram-me a compreensão íntima das idéias de Sun, que procurei transpor, por volta de 1969, para uma tradução, que objetivava unicamente estreitar ainda mais os laços pessoais com o texto.

Que temas o senhor aborda no livro?

Basicamente, na primeira parte do livro, demonstro a aplicabilidade dos princípios de Sun Tzu, não só à guerra, mas à vida em geral. O capítulo 1 — A Lei Moral — dedica-se à relação do Estado com a Sociedade e com as Forças Armadas, sob o enfoque da Ética. Esse segundo campo de relacionamento é complementado pelo apêndice — Relações Civis-militares, Ética, Chefia (conhecendo o pensamento militar brasileiro). Seu objetivo é trazer à discussão a ética de governo e o tema ainda não inteiramente resolvido da reabsorção dos militares pelas elites que conduzem o Estado brasileiro. De todos os capítulos constam casos ilustrativos fora do campo militar de aplicação dos aforismos de Sun Tzu. No capítulo 2 — Grande Estratégia —, que não se presta a “cases” não-governamentais, conceitos de estratégia da vida foram apresentados na sua síntese. No capítulo 7 — A Arte da Guerra do Mercado —, a abordagem é teórico-empírica, sobre máximas do mestre chinês. Há, ainda, capítulos sobre inteligência, tática e chefia. Ao final de todos, há uma síntese, que enfoca idéias correlatas sobre a vida. A segunda parte do livro é a tradução dos treze capítulos do A arte da guerra. Esta tradução tem por base as transposições do chinês para o inglês feitas por Lionel Giles e por Samuel B. Giffith. Para dirimir os choques de interpretação do pensamento de Sun Tzu, recorri à minha identificação de tantos anos com as idéias do mestre e meus modestos conhecimentos sobre os assuntos em questão. Creio que ela atende à finalidade dupla de fornecer ao leitor brasileiro uma alternativa para o acesso aos treze capítulos e de servir de referência à análise apresentada na primeira parte.

Qual a proposta do seu livro?

A tese central do livro é triangular e permeada do início ao fim pelos conceitos de Sun Tzu, até mesmo quando alguns destes são negados, por inadaptação ao Brasil de hoje e ao país que almejamos. Em dois dos lados do triângulo virtuoso sempre estarão Estado/Governo e Sociedade, como o núcleo do equacionamento de qualquer macroproblema — o terceiro lado —, como violência, educação, saúde, segurança pública, drogas, moral e ética, defesa externa, compreensão do papel real das Forças Armadas (para o que sugiro atenção especial ao subtítulo “O soldado e o Estado”, no capítulo 1, e ao apêndice no final do livro), crise da família etc. Na quase totalidade dos temas, deixo para o leitor as conclusões sugeridas pelos aforismos de Sun Tzu apostos ao texto. Vi-me moralmente obrigado a expor opinião pessoal, não para ser taxativo, mas para não guardar egoistamente conclusões resultantes da própria vida, da experiência profissional, da meditação sobre os escritos do mestre Sun e da vivência de mais de dez anos na presidência da República — final de 1991 a início de 1994, como coronel subchefe (Exército) da Casa Militar; e oito anos, de 1995 a 2002, como ministro a cargo de temas da segurança nacinao, dia-a-dia (nas crises, hora-a-hora). Nesse decênio rico em aprendizagem, pude testemunhar o início do declínio de um presidente, sua renúncia sob ameaça de impeachment e substituição pelo vice-presidente, sem qualquer manifestação militar, à semelhança do que já ocorrera quando da morte do presidente eleito em 1985. Era a confirmação do amadurecimento político brasileiro e a certeza de que o problema de crises políticas passou e passará ao largo das Forças Armadas brasileiras, de então e para sempre.

No poder, o senhor testemunhou o impeachment de Collor e manteve oito anos de convivência íntima com na Palácio do Planalto com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Nessa sua trajetória, o senhor observou os ensinamentos de Sun Tzu se concretizarem ou não?

No caso do afastamento do presidente Collor, constatei a materialidade das relações Estado-Forças Armadas, com estas mantendo-se ao largo do processo político, aguardando ordens do novo comandante-supremo. A confirmação do aforismo de Sun Tzu: “O general recebe ordem do soberano (o Chefe do Estado).” Durante os oito anos como ministro do presidente Fernando Henrique, vi sua maestria em aplicar intuitivamente, na condução política do Estado e do governo, princípios da manobra — ora direta, ora indireta — de Sun Tzu.

O senhor afirma que durante a criação da Abin, os preceitos de Sun Tzu foram rigorosamente levados em conta. Poderia falar mais sobre isso, nesse momento em que a Abin é também alvo das investigações e de demissão do seu diretor-geral?

Comentarei somente o processo de criação da Abin. Sun Tzu exalta a importância dos conhecimentos sobre as situações e as ameaças ao Estado (e, complemento, à Sociedade) e recomenda o emprego dos “melhores talentos” na atividade de inteligência do Estado. Ajudou-nos, assim, a cunhar a idéia força de que a Abin, como agência de inteligência do Estado brasileiro, cabe produzir conhecimento para o puro exercício do poder pelo presidente da República, nunca para a permanência no poder ou para ascensão a ele.

Dentro da triangulação que fundamenta o pensamento de Sun Tzu para a realização de um bom governo, como ela pode se adequar ao mundo de hoje tão caótico?

A Lei Moral proposta por Sun Tzu, que “leva o povo a ficar de pleno acordo com o governante, de modo a segui-lo”, sugere um relacionamento de base eminentemente ética entre a nação e seu presidente. Deste, ele exige as virtudes “sabedoria, coragem, humanidade, justiça e austeridade” para tornar-se “o Respeitado”. Uma vez obtida a coesão e a sinergia derivadas da Lei Moral, o país estará de posse de um dos fatores mais influentes na condução de suas estratégias: a vontade nacional.

É verdade que Napoleão teria realmente se nutrido dos ensinamentos de Sun Tzu para realizar campanhas tão vitoriosas?

À época da publicação primeira de A arte da guerra na Europa (década de 1780), o grande corso estava consolidando seus conceitos próprios a respeito da manobra indireta em linhas interiores, muito semelhantes aos de Sun Tzu. Como era ávido por leituras de idéias novas, principalmente sobre política, guerras e batalhas, é bem provável que tenha lido o tratado de Sun Tzu.

Como o senhor diz no livro, antes mesmo de se tornar general já se interessava por esses sábios ensinamentos. De que maneira eles influenciaram no seu projeto de vida profissional?

Os “sábios” ensinamentos de Sun Tzu — que comecei a estudar em 1960 — não conseguiram fazer-me sábio. Mas ajudaram-me, na condução da vida, a antecipar-me a prováveis óbices; a buscar entender, preventivamente, os argumentos de possíveis antagonistas; a “atingir primeiro o campo de batalha”; a avançar sem cobiçar e a retrair sem temer desonra; a compreender que “com as cores básicas se fazem infinitos matizes”; a saber que a melhor estratégia é a que traz a vitória “antes que a terra se ensangüente”.

O senhor também diz que A arte da guerra pode ser utilizado em qualquer circunstância, inclusive na área de mercado, empresarial, de chefia, de família. Como esses ensinamentos podem se adequar a universos tão distintos da guerra?

Os treze capítulos de A arte da guerra são treze momentos de uma proposta integrada para solução de conflitos e prevenção de impasses aplicável a todas as situações, áreas e atividades da vida. No livro, procuro demonstrá-lo com alguns casos fictícios e vários outros nem tanto.

Como diz o provérbio chinês que o senhor cita no livro — “É mais fácil governar um
reino do que dirigir uma família” —, o senhor acha que esse provérbio se adequa ao Brasil de hoje?

Adequa-se ao Brasil de todos os tempos. Como diz Sun Tzu: “É uma questão de Lei Moral”, “um simples problema de ordem”.

Os empresários brasileiros poderiam se encaixar dentro dos valores preconizados por Sun Tzu?

Com perfeição — e muitos já o fazem. Afinal, a disputa do mercado também é uma guerra que exige arte na inteligência competitiva, na dissimulação, na rapidez, no sigilo, na liderança, na elaboração de estratégias. Sun Tzu nos ensina tal arte.

Ética no governo é quase um projeto impossível?

Não, pelo contrário. O capítulo 1 do livro, Lei Moral, sugere um caminho.

Sun Tzu diz que “o comandante representa as virtudes da sabedoria, justiça, humanidade, coragem e austeridade”. Alguns dos nossos governantes se encaixariam nesse conceito?

Sim. Basta delimitar o universo dos sinceros e, nele, selecionar os que demonstrem as cinco virtudes.

Há chances para o Brasil de se tornar algum dia o tão almejado país do futuro?

Sim. Na conclusão do livro, são apresentados, despretensiosamente, alguns pilares, linhas-mestras para a caminhada. A grande síntese é: educação.



Os 13 momentos da arte da guerra
Alberto Mendes Cardoso
R$ 32,90

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