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Entrevista - Matias na cidade

Aos 40 anos e uma intensa carreira diplomática, Alexandre Vidal Porto, primeiro secretário da Embaixada do Brasil em Washington, lança Matias na cidade, seu primeiro livro de ficção, história que carrega e a ela se dedica desde os 28 anos. Vidal Porto começou a delinear Matias na cidade sem pretensão literária. Vivendo em outros países, falando, escrevendo e pensando em inglês, queria escrever "apenas para exercitar o português", mas, no meio do caminho, uma mudança sem precedentes ocorreu na sua percepção de vida. Acostumado a não lidar com sua sensibilidade, ou deixá-la em ordem de importância posterior em relação às coisas pragmáticas da vida, o diplomata deu então espaço ao escritor. Começou a tatear sentidos e ter sua educação sentimental, termo que recorre a Gustav Flaubert para explicar sua transformação. Foi em Nova York que deu mais atenção às suas emoções, à paixão, ao amor. Material da realidade para aguçar sua veia literária não faltou. No seu trabalho diplomático, Vidal Porto visitou prisões no interior do Pará, negociou textos sobre direitos humanos em Genebra e apresentou programa de rádio sobre música brasileira no Chile. Esteve em favelas e em palácios presidenciais. O diplomata não tem pudores de quebrar protocolos quando o tema é abraçar as oportunidades do viver. Sobre o livro, avisa: "quis que fosse despretensioso, não-profundo, fácil de ler pois nos dias de hoje competimos com várias mídias." Com leitura fácil, as 159 páginas de Matias na cidade, descrevem Matias, um advogado não herói, não-idealista, não loucamente apaixonado. Na trama, simples e fechada, ficam indagações sobre a plenitude do viver, a covardia masculina, e a chance de viver histórias que nos engrandecem.

O que Matias na cidade marca na sua história literária?

Matias na cidade marca o início de minha carreira como autor. Sou diplomata e gosto do meu trabalho diplomático, mas também gosto do exercício de contar histórias. Como diplomata, publico artigos de opinião e escrevo sobre fatos políticos. Como autor, posso falarde pessoas, sentimentos e situações, que é algo que me interessa.

Que tipo de sentimento você tem pelo seu personagem Matias?

Às vezes, tenho a sensação de que Matias existe de verdade, que sempre existiu. Sinto por ele um misto de desprezo e compaixão. Vejo que ele poderia ter sido muito mais feliz do que foi. Acho que todos temos um Matias dentro de nós, mais ou menos poderoso.

Neste livro, ficam fortes temas como o medo da morte, infidelidade e uma relação conjugal fria. Esses temas o fascinam? O incomodam? O angustiam?

A idéia da morte é sempre angustiante, mas acho que é assim para quase todo o mundo. Minha esperança é de que nos acostumemos à idéia da morte ao longo da vida. A morte só me incomoda à medida que ela interrompe uma vida, em lugar de coroá-la. Quanto à relação conjugal fria e à infidelidade, nunca vivi sob o mesmo teto com alguém em base permanente. Tive relações duradouras, mas não de casamento. Ainda assim, tenho fascinação pela dinâmica entre os casais, pelo universo íntimo da relação romântica, em que a infidelidade pode ou não estar incluída.

É muito difícil/fácil ser um escritor contemporâneo, com a profissão que você leva? Ser um diplomata. Como é o seu método ou relação com a produção da sua ficção?

Minha profissão facilita em vários aspectos, mas dificulta em outros.  Ajuda ao me colocar em contato com muita gente diferente e ao proporcionar experiências muito diversas. Por conta da minha profissão, já visitei prisões no interior do Pará, negociei textos sobre direitos humanos em Genebra e apresentei programa de rádio sobre música brasileira no Chile. Estive em favelas e em palácios presidenciais. Nos anos em que trabalhei na Missão junto à ONU, tive contato com gente de praticamente todas as nacionalidades do mundo. Os choques de cultura e os ganhos e as perdas afetivas, geográficas e estéticas, ainda que sejam sofridos, são muito estimulantes para o meu processo criativo. Por outro lado, a profissão dificulta em termos práticos. Quando, por exemplo, você vai lançar um livro no Brasil, mas mora do outro lado do mundo. Meu método é simples: escrevo à noite, depois do trabalho, em geral antes do jantar. Tento ser disciplinado se tenho um projeto literário específico, do contrário escrevo quando tenho vontade. Independentemente, estou sempre tomando notas num caderninho vermelho que trago no bolso.

Matias demonstra ter carinho pela figura de Orlanda, sua fiel empregada.

Para Matias, Orlanda simboliza a possibilidade de acerto na vida. Com Orlanda, Matias tem uma relação satisfatória, que deu certo, que tem harmonia ainda que seja distante. Matias poderia viver para sempre sob o mesmo teto que Orlanda sem ter problemas.

Parece um livro de despretensioso, não. Foi intencional?

Comecei a escrever Matias sem a pretensão de publicá-lo. Nesse sentido ele é despretensioso. Eu tinha acabado de me mudar para Santiago, depois de anos em Nova York. Estava no Chile, sozinho, triste e sem conhecer ninguém. Escrevia para não não me sentir só, escrevia para não me afastar da língua portuguesa, eu acho. Por outro lado, o estilo direto em que o livro foi escrito é deliberado. Detesto linguagem muito floreada. Acho que, em geral, atrapalha a compreensão do sentido exato do texto. Quero que o meu leitor não se canse do meu livro, que queira desvendar seu mistério. Conto com a sua sensibilidade e imaginação. Minha pretensão é que os leitores de Matias se envolvam e o consumam integralmente. Por isso quis que a linguagem fosse simples e o ritmo, ágil. Quero facilitar o entendimento do que tenho a contar.

Viver em outro país aguçou seu engajamento com a literatura?

Relativamente, eu diria. Como diplomata, tenho a função de procurar entender e interpretar uma realidade estrangeira, externa, que tenho de relatar. A diplomacia naturalmente me obriga ao exercício de contar uma história, como na literatura. Por outro lado, trabalho em várias línguas, o que me obriga a ler em várias línguas, para não perder nenhuma. Isso dificulta o meu engajamento com a literatura, para usar sua expressão, porque, às vezes, gostaria de poder me concentrar mais em uma língua só.

Que livros/filmes têm a ver com Matias na cidade?

Seria pretensioso associar Matias a grandes filmes ou livros, mas livros como Quincas Borba, de Machado de Assis, O Falecido Mattia Pascal, de Luigi Pirandello, e Desonra, do J. M. Coetzee, me impressionaram muito quando os li. Devo mencionar, também, a poesia de Constantin Cavafy e os contos e novelas de Guy de Maupassant. Quanto aos filmes, sempre me emocionam o Império dos Sentidos, do Nagisa Oshima, e Beleza Americana, do Sam Mendes, que contam histórias de homens que arriscaram a vida pela felicidade, e De Volta para o Futuro, do Robert Zemeckis, um filme juvenil que trata da conexão entre o que se faz hoje e o que se tem no futuro, que é um tema importante para mim.

Na vida moderna, no seu entendimento, quais são os fatores que mais atrapalham a felicidade ou nos extenuam na busca dela?

No plano individual, acho que o materialismo excessivo atrapalha muito. No plano social, me incomoda que, até hoje, no Brasil e no mundo, um número enorme de pessoas seja vítima de injustiças de toda natureza. Gente cujo único erro foi nascer de pais errados no lugar errado. É muito triste.
 
Você se deparou com muitos Matias pela vida?

Têm muitos Matias por aí, né? Qualquer pessoa conformada com a própria infelicidade é uma espécie de Matias. Tem muita gente assim, eu acho.

Como é a sua rotina na diplomacia? Que imagem vê da sua janela de trabalho?
Cumpre muitos protocolos?

Minha rotina na diplomacia inclui receber e visitar pessoas, escrever telegramas de análise política, comparecer a solenidades e recepções. Muitas vezes, minha vida social e a minha vida profissional se confundem. Eu gosto disso. Meu escritório tem uma parede toda de vidro, que dá para as copas das cerejeiras no jardim da residência do Embaixador. É uma vista privilegiada, sobretudo no mês de abril, quando as cerejeiras florescem .

Sente-se um diplomata atípico? É muito difícil ser uma pessoa centrada vivendo em meio ao poder?

Não me sinto um diplomata atípico. Ao contrário, sinto-me muito à vontade no Itamaraty e acho que meu trabalho como diplomata é valorizado. No entanto, gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Sou diplomata, mas também sou mestre em Direito e adoro filosofia jurídica, ando de bicicleta, escrevo, faço colagens. Acho que todo diplomata tem de ser versátil para poder se adapatar às mudanças que a carreira diplomática impõe.

Você diz que Nova York lhe deu oportunidade de uma nova educação sentimental? Por que? O que o fez sentir-se mais à vontade? Tem a ver com o seu processo natural ou a cidade muito te instigou a lidar mais intensamente com suas emoções?

Em Nova York tive uma relação afetiva muito intensa que me fez redefinir as prioridades na minha vida pessoal. Historicamente, Nova York abrigou milhões de imigrantes, gente recomeçando a vida do nada em um país estranho. Nova York me deu esse sentido de possibilidade existencial que um imigrante que chega para recomeçar do zero tem de ter. Em Nova York, tive que recomeçar minha vida amorosa do zero. Tive que buscar uma educação e uma identidade sentimentais que eu ainda não tinha descoberto. Nova York me ajudou a me descobrir.

Do que mais tem medo na vida?

De ter um derrame ou a consciência de uma doença terminal.

Tem alguma expectativa da relação das pessoas com o seu livro?

Em geral, as pessoas gostam de Matias. Várias o lêem de uma sentada só. Espero que, com o lançamento, mais pessoas gostem e que todas elas falem para os amigos que gostaram.

Que livros/autores/músicas marcam sua história sentimental?

Na música, minha história sentimental foi marcada por Caetano Veloso, Prince e Renato Russo.  Não posso esquecer de Billie Holiday, Marina Lima, Cole Porter e duas sonatas de Schubert. Na literatura, marcaram a minha história sentimental o Evangelho Segundo Jesus Cristo, do Saramago, e As Cidades e as Serras, do Eça. Nas artes plásticas, tenho uma relação muito especial com umas esculturas gigantescas do Richard Serra chamadas Torqued Elipses. É a obra artística que mais me emociona.

Como vê seu futuro com a literatura?

Eu espero que as pessoas gostem de Matias na cidade e queiram ler outras histórias que tenho a contar. Já comecei a escrever meu segundo livro e quero escrever outros mais. É muita exposição, dá uma insegurança, mas é um exercício muito gratificante poder contar uma história, recriando o mundo da maneira como você o vê.



MATIAS NA CIDADE
Alexandre Vidal Porto
R$ 52,90

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