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Entrevista - Cresça e apareça & Deu branco!

A doutora Ana Maria Alvarez, autora de Cresça e apareça, auxilia as pessoas, há 25 anos, a recuperar ou manter a saúde de sua memória. Atende pacientes que buscam meios mais eficazes de aprendizado, de melhor leitura, mais atenção. Com a autora descobrem que esse anseio perpassa um caminho de uma vida com mais criatividade, que não só o exercício físico, mas também a ginástica mental são importantes para uma vida saudável. Em Cresça e apareça, lançado em conjunto com a nova edição de Deu Branco!, Ana dá informações pragmáticas sobre hábitos de vida, técnicas para tornar lembranças mais acessíveis, procedimentos que ajudam a ler e melhor dispor do conteúdo apreendido. Inquieta, a especialista e estudiosa da neurociência não pára por aí. Deixa clara a ligação entre a emoção e da memória, bem como da importância da necessidade de uma forma de viver mais afetiva. Os motivos de quem a busca no consultório são variados: pacientes com dislexia, em recuperação da depressão, portadores da Doença de Alzheimer, profissionais sobrecarregados que querem otimizar o tempo, intelectuais em busca de um melhor desempenho, inúmeros jovens na fase do vestibular ou homens de negócios que vão enfrentar o desafio de ingressar em um MBA (curso que forma experts em administração e negócios). Em paralelo a isso, Ana se dedica, com afinco, ao estudo e à produção de pesquisas científicas no campo da neurociência. E tem como princípio traduzir essas informações. Não quer escrever para a alta sociedade. Nesta entrevista, deixa inúmeros alertas. Um deles: todo mundo tem novos neurônios todos os dias e pode aprender, até morrer.

Qual a razão de existir do seu livro? 

É um livro de suporte ao futuro.

Qual a grande novidade da memória?

É a reabilitação. Você poder ensinar como memorizar melhor, dependendo do jeito que a pessoa é. A partir de um estudo neuropsicológico, desenvolvemos programas individualizados para fazer aquela pessoa prestar mais atenção, ler melhor, entender melhor. Todo mundo tem novos neurônios todos os dias. Até 1999 não se sabia isso. Todo mundo pode aprender, até morrer. A plasticidade neural é a capacidade que o próprio ser tem  de se transformar, reconectando os neurônios. Você sabe que ela ainda é presente até em pacientes que têm Alzheimer.

Por que estudar a memória te apaixona tanto? Tem isso claro?

Usar a memória para mim sempre foi questão de viver bem, desde o início. Você leu que os dos concursos às refeições, as conversas invariavelmente começavam por "Quem consegue se lembrar de...?" E eu sempre queria lembrar. Tudo sempre ocorria em família: a minha avó (que hoje faz 98 anos) me contava histórias e depois fingia que esquecia uma parte para que eu as completasse. A  professora fazia questão de que memorizássemos pequenas poesias de vários autores e de que soubéssemos a tabuada de frente para trás e de trás para a frente, e assim era. Eu sempre senti um grande conforto interior lembrando. Lembrando e imaginando. Verifiquei na semana passada que Harold Bloom, o crítico, também se sente confortado quando recita para si mesmo poesias memorizadas e, além disso, li que ele considera a memorização fundamental para o conhecimento literário.

Não é um desafio dedicar a sua vida a estudar estratégias de memorização?

Ruth Klüger diz, em seu recente livro Paisagens da Memória que a memória é algo de que não se pode escapar, mas que ela, ao menos, pode ser manipulada. Diz, ainda, que cada um é o responsável por ela – talvez não inteiramente, e pode fazer algo para  interpretá-la, transcrevê-la e com ela aprender. Meu pensamento, neste sentido, está alinhado com o dela, e eu escrevo sobre como transformá-la, aproveitá-la.

É um livro de auto-ajuda?

Não é este o intuito. Auto-ajuda para mim trata de outros assuntos que não são derivados da Ciência, como Astrologia, Numerologia etc. Posso dizer que os meus livros são intrumentalizadores pessoais, divulgam, em linguagem acessível e direta, informações científicas e dados comprovados de prática clínica e contam o que cada um pode fazer a mais por si para progredir na aquisição do conhecimento.
 
Perguntam sempre para que idade é este novo livro, não?

Respondo que é para quase todas. No dia do lançamento do Deu branco, uma garota de oito anos começou a fazer os exercícios na fila da noite de autógrafos e, segundo a mãe, carregou o livro para cá e para lá durante quase um mês. O Cresça é para ser lido por estudantes de todas as idades, desde vestibulandos até alunos da Universidade da Terceira Idade. Certamente todos se beneficiarão de algumas técnicas e de diferentes estratégias.

Quais os objetivos de quem vem à sua clínica?

A grande maioria chega com queixa de leitura e compreensão. Minha primeira experiência em educação foi com dislexia. Há uma dificuldade muito grande em defini-la. Segundo a classificação internacional das doenças, chama-se transtorno da leitura. Tem-se a seguinte situação: embora você seja inteligente, tenha um nível de aprendizagem bom, nunca consegue ler no mesmo patamar de sua inteligência, nos mesmos parâmetros de que você tem informação. Agora, imagine para essas pessoas que são inteligentes e percebem a própria dificuldade diante dos outros.

A dislexia nunca vem sozinha, não? Por vezes não está associada a transtornos de humor e outras doenças?

Na verdade, 25% dos casos de dislexia admitem comodidade e isso quer dizer que um quarto das dislexias vem acompanhado de transtornos de atenção, do comportamento, da conduta.Tem ainda um caso interessante, o transtorno típico daquele que se desafia o tempo todo.

O que é que não vem sozinho e o que lhe interessou?

A grande maioria das pessoas que têm dislexia tem dificuldade em memorizar: isso que a gente chama de memória operacional ou memória de trabalho. Das pessoas que têm  dislexia, quanto delas têm dificuldade de memória operacional, ou de trabalho, é assim que chamo no livro. A raiz da dislexia, segundo a maior parte dos autores modernos, está numa incapacidade no processamento sistêmico fonológico, de lidar com o som da língua, de saber que se pode falar e escrever o mesmo som que se lê, como se falar, escrever e ler fossem atividades muito estranhas. O que vem junto da dislexia é essa dificuldade fonológica dessa memória de trabalho, essa memória operacional, que embora você leia, não entende o que leu.

As pessoas nascem disléxicas ou elas podem desenvolver isso?

Muitas vezes a dislexia pode ser considerada um transtorno desenvolvimentar. A pessoa nasce com a tendência para ser disléxica. Geralmente a herança genética é preponderante para a dislexia. Se o pai for disléxico, você tem 40% e até 60% de chance de ser. Esse é um transtorno que ocorre nas famílias e tem natureza hereditária e genética. Geralmente, fala-se que 10% da população é disléxica. Mas 10% do que chega para ser examinada.
 

Como explicar a dislexia?

A dislexia pressupõe um problema funcional, tem uma área que não funciona tão bem. Geralmente uma área posterior do cérebro, uma área associativa mas do lóbulo parietal. Essa dificuldade de informação entre a área superior e inferior que se herda dificilmente pode ser vista em uma imagem de ressonância magnética. Detectam-se apenas pequenas imagens nesse tipo de exame.

Há casos mais e menos graves?

Sim. Qual é o bom disso tudo? Antes todo mundo tinha medo de dar um diagnóstico de dislexia. Há muitas crianças tachadas como disléxicas que, na verdade, estão sendo mal alfabetizadas. Antes, as pessoas achavam que dependendo da gravidade da doença era dislexia ou não. Na verdade, as pessoas acham que se há muita dificuldade a pessoa é disléxica. Mas isso não está relacionado só com a gravidade dos acontecimentos. Uma pessoa pode ter uma dislexia leve.

Pelo padrão de vida hoje em dia, as crianças são cada vez mais cobradas desde cedo. Uma série de tarefas impostas cada vez mais cedo. Isso tem criado um perfil de jovens muito ávidos por informação. Há pessoas que chegam ao seu consultório por serem muito exigentes?

Sem sombra de dúvida. Um dos melhores livros escritos sobre atenção chama-se Tendência à frustração. A gente vive em um mundo em que quase nada nos auxilia a ser focado. Claro que hoje em dia há uma série de atividades que começam muito cedo. A maior parte dos meus pacientes chega aqui porque quer otimizar o desempenho. É muito legal isso. Nesse ano atendi muitos intelectuais. Gente que se dedica ao ramo literário; outros escrevem a respeito de sociologia e política. Acham que podem ter um desempenho melhor. Muitos profissionais chegam aqui para trabalhar o seu potencial cognitivo, para não cair em declínio. Muita gente pergunta: o que posso fazer para não perder o meu domínio de leitura?

No Cresça e apareça, você foi muito enfática nas questões de cuidar dos hábitos de vida. Por quê?

Pouquíssimas pessoas dão importância à leitura. Você tem de saber que a hora em que se põe o pé no chão, o corpo tem um reflexo que sai da ponta do teu pé e vai para o labirinto e que te mantém, entre outras coisas, focado. A postura correta significa que está firme com o seu nível de alerta. Você tem que saber que pode ajudar sua respiração tanto para relaxar quanto para ativar a atenção. Se você respira lenta e profundamente, relaxa, mas se respira em seqüência e mais rápido, fica em alerta. Quando se vai fazer um eletrodo, vai-se piscando, mexendo muito o olho para ver se isso desencadeia algum tipo de reação em você. Hoje em dia há certos exageros, pessoas que entopem os filhos de remédios. Mas pouca gente fala: meu filho, dorme mais que você vai aprender melhor. Come direito que você potencializa várias coisas no seu estudo. Não sou profunda nisso, não sou nutricionista, mas quando a pessoa vem fazer um trabalho de compreensão de leitura, de melhorar a atenção ou dificuldade de compreender o que as pessoas dizem, às vezes, em conseqüência da própria idade, tem que saber que os quarenta e cinco minutos no consultório não vão adiantar. Tem-se de ir mudando os hábitos aos poucos para chegar onde se quer ir.

Dentro da perspectiva de que a população no Brasil e no mundo terá cada vez mais longevidade. Isso exige ainda mais atenção para tratarmos de nossa memória?

Temos de considerar que a longevidade aumenta no mundo todo e no Brasil. Doenças como demência são freqüentes. A incidência dobra em pessoas com mais de 65 anos. Você deve cuidar  do seu sono, da alimentação. Deve cuidar mais dos seus hábitos e saber que ficar muito focado na forma física só não basta. Exercício faz bem pra mente? Sim, mas não é só isso. Comer bem faz. Exercitar a mente também faz. Não é uma coisa isolada que vai levá-lo a um bom potencial, mas o conjunto.

Não é uma transição difícil para muita gente?

Sim e tem-se de pensar que às vezes é preciso mudar uma coisa na vida de cada vez. Sempre que se quer um resultado melhor, isso demanda uma transformação, um esforço consciente.

Que alerta faz de forma direta aos valores das pessoas e que está no seu livro de uma forma mais subliminar?

Estamos na era da visibilidade, todo mundo quer aparecer bem. A pessoa tem que entender que estamos também na era da audibilidade. É preciso se preparar para envelhecer. Porque senão nós vamos correr o risco de ter gente de 90 anos maravilhosamente bem, mas ter um boom de gente com 80 anos não pronunciando nada. O tipo de vida que todo mundo leva afasta o idoso de uma sociedade produtiva e afasta a dedicação que você pode ter para com o outro. Alguns valores precisam ser cuidados.

Você incluiu a crônica Namorar é preciso, de Danuza Leão. Afetividade tem a ver com memória?

Uma comunicação afetiva faz muita diferença. Ela não significa que você vai ficar cheia de nhê, nhê, nhê. É aquela comunicação em que você se dispõe a fazer uma conexão com o outro. Encontro com você e quero que você faça parte disso que estou vivendo.

Como isso pode ser explicado cientificamente?

Tudo o que você percebe que toca sua emoção, recebe com outro tipo de circuito e guarda em outro lugar do cérebro, isso é transmitido mais rapidamente e passa por um lugar no cérebro que chama amígdala e depois vai para o hipocampo, lugar do cérebro responsável por novas memórias e novos conhecimentos. Se você recebe uma informação desprovida de conteúdo emocional, ela vai seguir outros caminhos. Provavelmente também chegará no cérebro para ser arquivada, mas não tão rápido.

Especialistas estão se debruçando a isso com mais afinco?

Sim. No ano passado, o prêmio Nobel foi dado a uma pessoa que teve pesquisas exatamente sobre olfato e memória. Memória olfativa é uma memória que fica muito facilmente ligada à emoção.

A memória ganha cada vez mais status hoje em dia, concorda?

Sim, ela começou a virar artigo de luxo. Certa vez fiz um trabalho para duas empresas com pessoas com dificuldade de memória. Notei que naquelas empresas as pessoas esqueciam o que os outros tinham acabado de falar. Eram rudes e acabavam sendo rudes para encobrir a verdadeira raiva que tinham delas e não dos outros. Meus pacientes chegam porque têm dificuldade de entender e interpretar o que o outro fala. Isso está muito ligado ao poder de síntese. Interpretar o que o outro diz e transmiti-lo de uma forma curta, simples e objetiva também virou artigo de luxo.



CRESÇA E APAREÇA
Ana Alvarez
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DEU BRANCO
Ana Alvarez
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