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Carla Mühlhaus Home > Autores > Carla Mühlhaus
Entrevista - Por trás da entrevista

Mühlhaus. O sobrenome é complicado, provém do alemão e significa “casa do moinho”. O sentido parece ter tudo a ver com a jornalista e escritora Carla, que transforma fenômeno da natureza em energia para moer idéias que se tornarão livros. Livros como o que ela acaba de lançar, pela Editora Record: Por trás da entrevista, falando sobre uma das mais importantes — senão a mais — ferramentas jornalísticas. Depois de entrevistar tantos jornalistas notórios como Zuenir Ventura, José Castello e Ana Arruda, ela mostra como é importante a entrevista olho no olho, na casa do próprio entrevistado. Por isso, o constrangimento de fazer com ela, justamente com ela, uma entrevista por e-mail. Mas, se Rita Lee é ótima por e-mail como um de seus entrevistados conta no livro, ela também não fica atrás. Sem o prazer de conhecer a casa, tive a sorte de ganhar sua simpatia através da mensagem eletrônica a ponto de ela me contar que tem um papagaio carente — se mulher carente fala muito, imagina um papagaio! — e menos livros do que gostaria. Depois da troca de e-mails, sem nem saber a cor da cortina de sua casa, fiquei feliz em poder, ao menos, conhecer seu habitat virtual: www.acasadomoinho.com. Depois deste bate-papo, certamente você terá vontade de visitá-la.

Por que escrever sobre entrevista? Por que as faculdades não preparam os estudantes de jornalismo para essa tarefa tão fundamental?
 
Escrevi sobre a entrevista justamente porque senti, na pele, a dificuldade de lidar com a prática. Não sei dizer porque ela não ganha mais atenção nas universidades, esta é mesmo uma boa pergunta. Considero a entrevista uma ferramenta simplesmente fundamental para o jornalismo, em todos os sentidos. É preciso saber perguntar para escrever bem, e acredito que a criatividade depende da forma com que lidamos com a nossa curiosidade. Neste sentido, a entrevista pode abrir uma fonte de assuntos  interessantíssimos ou enterrar qualquer tema.
 
O entrevistador precisa se preparar para uma entrevista; mas e o entrevistado?
 
Eu, pessoalmente, acho muito mais difícil ser entrevistada do que entrevistar. Quando você é o entrevistador, o rumo da pauta está sob o seu controle. Quando você é o entrevistado, as perguntas são sempre imprevisíveis. É claro que dá para se preparar tentando imaginar quais serão as perguntas, mas nunca se sabe o que passa pela cabeça dos jornalistas nem quando eles procurá-lo. Você, por exemplo, me pegou desprevenida!
 
Os jornalistas que você reuniu neste trabalho são todos “escritores experientes”, como você mesma os qualificou. Mas você pensa também em entrevistar “entrevistados experientes”. Já começou esse trabalho? Por que não o incluiu neste livro?
 
Este era um projeto da dissertação de mestrado, que acabei não levando adiante porque precisei escolher um foco e achei que ao entrevistar entrevistadores eu estaria também, por tabela, trazendo à tona os entrevistados. Uma vez que os entrevistados só existem através dos jornalistas, tive a impressão de que este era o caminho mais certeiro. Na verdade, este é um livro que está pronto há muito tempo e, no meio do caminho e de outros trabalhos que foram surgindo depois dele, idéias como esta foram  ficando na gaveta. Talvez eu a retome algum dia; quem sabe?
 
Entrevistar jornalistas experientes como José Castello e Joel Silveira deu frio na barriga? Por quê? Medo de parecer tola para o entrevistado?
 
Nem tanto. Na ocasião vesti o disfarce de mestranda, e tudo ficou mais fácil. É engraçado mas, apesar de tímida, não costumo ter problemas na hora de entrevistar ninguém. Na hora assumo mesmo um personagem e não me impressiono com o fato de estar lado a lado com o Castello ou o Joel Silveira, por exemplo. É claro que tenho consciência de que estes são momentos muito especiais, mas, se eu ficar pensando nisso, a entrevista cai. Nesta hora, entra também um pouco de intuição. Eu, particularmente, costumo fingir para mim mesma que a entrevista que estou prestes a fazer não é importante e, portanto, não fico pensando muito nela no dia. Pesquiso e preparo bem a pauta antes, mas nas horas que antecedem entrevistas como estas finjo que nada demais está acontecendo, o que geralmente funciona. Não é proposital, é simplesmente um mecanismo que, inconscientemente, encontrei para conseguir entrevistar de maneira mais relaxada, o que acho que é muito importante para o sucesso da conversa. Não tenho medo de perguntar tolices, tenho medo é da entrevista ser maçante, de não conseguir fazer o entrevistado se interessar pela entrevista em si. Isso sim dá medo e por isso, dentro desta minha estratégia esquisita, procuro não pensar no assunto.
 
Faz diferença o entrevistado ser jornalista?
 
Sim, certamente. Às vezes esta diferença é positiva, outras nem tanto. É bom quando as pessoas já sabem qual é o esquema desta  interação e entregam de bandeja algum charme, uma declaração interessante, um material extra para a pesquisa de uma reportagem, por exemplo. Por outro lado, é inevitável que o jornalista, na condição de entrevistado, avalie ou, por pura curiosidade natural da profissão, preste mais atenção no entrevistador. Acho que é inevitável, neste ponto, uma ou outra comparação com o próprio estilo ou até mesmo (e isso é bom) uma identificação. Na verdade, acho que esta é uma situação bem complexa. Para um jornalista, entrevistar um colega pode ser muito confortável porque, afinal de contas, os dois falam a mesma língua. No entanto, o trabalho é duro quando o entrevistador, acostumado a ser neutro e muitas vezes invisível (como você, agora), sente que também virou um personagem.
 
Nas suas entrevistas para o livro, as entrevistas do Pasquim — em especial, a feita com a Leila Diniz — e as das páginas amarelas da revista Veja são sempre citadas como referências, como marcas. O que você imagina que será referência, marca, daqui por diante?
 
Que pergunta difícil! Se você quer um palpite, acho que esta referência depende da escolha de personagens, da decisão de quem deve ser um entrevistado e porquê. O bom da entrevista é que seu modelo é razoavelmente democrático, ele dá voz a qualquer pessoa que, por algum motivo, tenha conquistado o interesse de algum jornalista. Por isso, espero que as referências daqui pra frente sejam cada vez mais espontâneas e menos previsíveis, mais francas e menos ensaiadas. Espero que seja quebrado o círculo vicioso dos famosos que dão entrevistas por serem famosos e que são famosos porque dão entrevistas... Se o meu desejo estiver de alguma forma antenado com o futuro, as entrevistas trarão personagens cada vez mais verdadeiros e despreocupados com o que se deve ou não falar numa entrevista.
 
A entrevista na casa do entrevistado, que se pressupõe ser a ideal, vem perdendo espaço para as entrevistas por e-mail. A opção se justifica pela falta de tempo. É fácil compreender, inclusive lendo seu livro, o que se perde com a ausência do olho no olho. Mas há o que ganhar? Uma maior atenção do entrevistado talvez? A possibilidade do entrevistado ficar mais à vontade escrevendo do que falando ou se sentir mais preservado sem o contato físico?
 
Infelizmente, acho que neste caso não há vantagens, não. Talvez a única seja a chance de organizar com mais calma os pensamentos e responder com mais prudência. Mas até isso me parece, para o lado do entrevistador, uma desvantagem. As chances das respostas saírem frias, mais formais do que o necessário são grandes. Eu mesma, quando reler estas respostas,  provavelmente vou me achar muito séria, e acho que a entrevista não precisa sempre de seriedade. Ao contrário, é às vezes no lapso, no silêncio, na piada, na insegurança de uma resposta que estão informações importantes. Pensando alto ainda, talvez a vantagem, mais uma vez só para o entrevistado, seja a liberdade de não ter de seduzir, de não precisar conquistar um olhar interessado, de não valer-se de um charme qualquer. Mas também é de vaidades que se faz uma entrevista, portanto um ponto a menos para ela.
 
Dar opções de respostas ao entrevistado, como eu acabo de fazer, é totalmente não recomendável?
 
(risos) Acho que sim. Mas eu confesso que faço a mesma coisa e depois me reprimo como você acabou de fazer. De fato, acho que o melhor é deixar o entrevistado buscar as palavras sozinho, tentando ao máximo não influenciá-lo e, principalmente, não deixando que ele perceba qual a resposta que você está querendo ouvir. É entrar na conversa desarmado mesmo, de verdade, sem expectativas e, principalmente, preconceitos.
 
Além de jornalista e escritora, você também dá aulas. Aliás, a entrevista que seus alunos fizeram com você também está no livro. Foi uma boa entrevista para você como entrevistada? E como professora?
 
A minha experiência como entrevistada e professora foi muito curta. Dar aulas ainda é um projeto que quero levar adiante. O que ando fazendo, com prazer, é prestar consultoria de texto para as pessoas que me procuram.  E é legal, como numa boa entrevista, ver nascer aquele texto até então escondido.



POR TRÁS DA ENTREVISTA
Carla Mühlhaus
R$ 59,90

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