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Entrevista - Você viu meu pai por aí?

Charles Kiefer nasceu em Três de Maio (RS), em 1958. É professor de literatura e instrutor de oficinas literárias. Fez mestrado em Literatura Brasileira e doutorado em Teoria da Literatura, pela PUCRS. Publicou mais de 30 títulos, entre eles O pêndulo do relógio, A dentadura postiça, Dedos de pianista, Quem faz gemer a terra, O escorpião da sexta-feira, Nós, os que inventamos a eternidade & outras histórias insólitas, O perdedor, Contos escolares, O poncho, Antologia pessoal, O elo perdido, Os ossos da noiva, Um outro olhar, Valsa para Bruno Stein e A face do abismo. Já recebeu, entre muitos outros, prêmios da Academia Brasileira de Letras, o Jabuti, o Prêmio Afonso Arinos, o Prêmio Monteiro Lobato e o Prêmio Altamente Recomendável, ambos da FNLIJ. Fez parte de dezenas de antologias brasileiras e tem livros publicados em Portugal, França e Espanha.

Como surgiu a idéia para o livro?
 

Certa manhã, nos anos 80, a mãe de minha primeira filha, a Priscila, com quem estava casado à época, disse-me que iria a Curitiba procurar o pai, a quem estava sem ver a vários anos. No entanto, ela não tinha o endereço dele. Aí, perguntei-lhe: “E vais sair por Curitiba, perguntando Você viu meu pai por aí?” Imediatamente, dei-me conta de que aquilo era o título de um livro. Como vivi próximo de uma aldeia de índios caingangues, em Três de Maio, e no armazém de minha mãe eles vinham fazer compras, imaginei a história do indiozinho que sai em busca do pai.
 
O livro foi publicado originalmente em 1987, mas a trama ainda é atual. Como isso é possível?
 
Se literatura fosse reportagem, não seria possível. Mas literatura desce mais fundo, por isso a permanência. Os problemas humanos serão os mesmos em todas as épocas. Desde que a gente não faça uma literatura datada, panfletária ou jornalística, o normal é que ela sobreviva. Sim, esqueci de dizer, ela precisa ter um mínimo de literariedade.
 
O personagem principal busca pelo pai, um índio que sumiu na cidade grande. A questão indígena o preocupa?
 
Todos os dramas humanos me preocupam, entre eles os problemas indígenas.
 
No livro, conforme o indiozinho José interage com outros personagens, vemos que todos têm uma imagem estereotipada do que é ser índio: que deve andar pelado, não saber ler nem escrever, não ter televisão. Acredita que essa visão distorcida ainda prevalece?
 
Nos locais onde ainda existem índios, sim. Aqui, em Porto Alegre, onde vivo agora, são poucos os descendentes das tribos indígenas. Um pequeno grupo deles vende cestos de taquara no Brique da Redenção, que é uma grande feira ao ar livre, que acontece aos domingos, e onde os porto-alegrenses costumam passear nos domingos ensolarados. Creio que a imagem que temos deles continua estereotipada, como são as imagens que temos dos outros grupos sociais em geral.
 
O que fazer para mudar?
 
Educar, a única saída é educar, e democratizar os processos sociais. O problema é que o nosso sistema de ensino não consegue absorver as massas de novos brasileiros a serem educados. O Brasil, como diz o professor José Hildebrando Dacanal, cresceu, demograficamente, algumas Itálias em menos de 50 anos. Não há sistema que suporte. A barbárie que vem chegando tem muitas causas, e uma delas é essa.
 
José é vítima de preconceito quando chega à cidade grande. Muitos o acreditam um pivete, mal têm tempo de olhar para o menino e tentar entender o motivo de sua busca. A sociedade tem endurecido? Estamos menos solidários?
 
A cada dia que passa vamos nos tornando mais insensíveis. Nada mais nos deixa perplexos, não nos indignamos com mais nada. Hoje, quando lemos os contos do Rubem Fonseca, não nos assustamos mais. Aquela cidade violenta que ele descrevia nos anos 70, e que nos parecia tão distante, agora é a nossa cidade também.
 
Você escreve tanto para o público juvenil quanto para um leitor mais maduro. Como concilia esses dois autores que existem em você?
 
E também escrevo poesias, e ensaios, e outros gêneros. Creio que todo autor usa um gênero só, o da palavra. O resto são classificações que a teoria da literatura faz, para encaixar a multiplicidade em algum sistema coerente. Sou professor de literatura, em oficinas literárias e na PUC do Rio Grande do Sul. Também faço classificações. Elas são, pedagogicamente, necessárias. Mas na hora de escrever, o escritor em mim não pensa nisso. Ele escreve. Depois, o professor em mim classifica.
 
Como busca a inspiração para criar uma voz infantil?
 
Basta-me entrar no universo infantil. Tenho uma filha, Maíra, que foi criança e que me ajudou muito. Hoje ela tem 26 anos. Tenho, agora, a Sofia, que tem 5 anos. Invento muitas histórias pra ela, mas não as tenho colocado no papel. Talvez devesse. É que ando trabalhando muito e, para conseguir escrever ficção preciso de ócio.
 
Já recebeu diversos prêmios importantes, como o Jabuti, o Monteiro Lobato e o Altamente Recomendável. O reconhecimento influencia seu trabalho de alguma forma?
 

Não. Prêmios são acidentes de percurso. Se eles chegam ou não, não faz diferença. Quando escrevo, não penso em prêmios. Na verdade, só penso na necessária fidelidade aos meus próprios personagens.
 
Você considera o ingresso na Editora Record como um renascimento literário. Por quê?
 
É engraçado. Quando escrevi essa frase, na primeira entrevista que dei a vocês, ela apenas queria dizer que eu estava me sentindo renascer como escritor, pois meus livros estavam parados havia oito anos, na editora que os publicava. Eu andava desanimado, deprimido até com isso. Em qualquer livraria que eu entrava, em qualquer lugar, meus livros não estavam lá. E nós escritores sabemos que só somos escritores, socialmente falando, quando nossos livros circulam no sistema literário. Aí, pensei que, enfim, eu voltaria a ser escritor. E então a vida me preparou uma peça. Semanas após os lançamentos dos primeiros livros pela Record, tive problemas de saúde e por pouco não passei desta para melhor. Assim, hoje posso afirmar que meu ingresso na editora foi um duplo renascimento.
 
Quais os próximos projetos? Já existe algo engatilhado para o público infanto?
 

Os projetos são vários, sempre. Minha cabeça é uma turbina permanentemente ligada. Mas não vou falar deles. Estou ficando supersticioso. Sempre que falo em projetos, eles acabam não se realizando. É bom não sonhar demais, para o tombo ser menor.



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