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Entrevista - O segredo do oratório

Luize Valente é jornalista e, após dirigir os documentários Caminhos da Memória – A trajetória dos judeus em Portugal (2002) e A estrela oculta do sertão (2005) com Elaine Eiger, estreia na literatura de ficção com o romance histórico O segredo do oratório. Seguindo com sua pesquisa sobre as tradições judaicas presentes nas famílias de cristãos-novos no Brasil, Valente tece a história de Ioná em busca de suas raízes familiares e de sua própria identidade. Entre o Nordeste do Brasil e Nova York, este livro combina elementos históricos, uma narrativa ágil e reveladora e uma grande história de amor.


Após anos de pesquisa sobre os judeus em Portugal (vista no documentário Caminhos da memória, 2002), como se deu o deslocamento para o tema das raízes judaicas no Brasil atual (que resultou no documentário A estrela oculta do sertão, 2005, e neste livro)?
A pergunta é bem interessante porque a curiosidade pelo tema surgiu justamente a partir das raízes judaicas do Brasil. Depois de ler uma matéria num jornal paulista que falava de uma pequena cidade na fronteira do Rio Grande do Norte com a Paraíba, onde a população era brasileira de várias gerações, cristã, e tinha hábitos e tradições que remetiam ao judaísmo, desvinculados da prática religiosa. A partir daí começou a pesquisa... afinal onde é que estava o começo do fio da meada? Estava lá em Portugal, com a conversão forçada dos judeus ao catolicismo, a partir da Inquisição, que foi instaurada na mesma época em que nosso país foi descoberto! 

A história da busca pela identidade judaica apresentada em O segredo do oratório é tão apaixonada, que não posso deixar de perguntar se há algo de biográfico em seu interesse pelo tema dos cristãos-novos.
Meus avós maternos são portugueses, mas é apenas uma coincidência. Meu interesse pelo judaísmo, esse sim, vem de muito tempo, desde que era criança... e talvez venha daí a minha obsessão, acho que posso chamar assim, pelo assunto identidade, pela busca das origens.

Há um movimento atual de reivindicação de identidades através da genealogia familiar de diversos povos e etnias. Páginas webs como “Name your roots” – na qual pode-se obter bibliografia e buscar as raízes de sobrenomes criptojudeus no Brasil –, demonstram este renovado interesse. Apesar disso, você ainda se deparou com dificuldades para falar do passado dessas famílias durante suas pesquisas?
Existe um interesse crescente pelo assunto, no entanto, deve se  ter em mente que, mais do que o sobrenome, as tradições e hábitos passados na família são mais determinantes nesta reivindicação de identidade. Acho que a grande dificuldade é conseguir provas materiais deste passado. E tento passar isto no livro através da protagonista Ioná, ela é uma “garimpadora“ de raízes, ela pesquisa o passado através da tradição oral.

Na página 179 do livro, o pai de Pedro lhe diz em seu leito de morte: “Esse é o maior tesouro que um homem pode ter, sua história. Eu passo a você.” O segredo do oratório consegue introduzir em um romance uma relevante pesquisa histórica, sem tornar-se acadêmico. Quais foram os desafios específicos de escrever um romance histórico?
O grande desafio é criar os personagens, uma história de vida para eles, e inseri-los no contexto histórico real. Toda ficção tem uma verdade interna, que o leitor acompanha, e, no caso do romance histórico, essa verdade tem que ser compatível com fatos reais. Um exemplo concreto do livro: 23 judeus partiram de Recife com a expulsão dos holandeses rumo a Nova York... Um dos meus personagens, fundamental na trama, faz este trajeto, mas tive que cuidar para que a história dele, ficcional, respeitasse a realidade dos fatos. Por isso as pesquisas têm que ser bem checadas, para manter a veracidade. Também tem que a questão da “veracidade física”, a viagem no sertão, a viagem a Nova York. Os locais que a protagonista Ioná visita, os caminhos que ela percorre... muitos foram feitos por mim.

Após a realização de dois documentários, como foi a passagem da linguagem audiovisual para a escrita?
Foi muito prazerosa, apesar de difícil. Sou jornalista, mas escrevo para televisão, o que me aproxima da linguagem audiovisual. Talvez isto esteja bem presente na minha forma de escrever, já que algumas pessoas me disseram que o livro é muito visual e com ritmo mais dinâmico.

Além dessa mudança de meio, também o gênero é novo: como foi estrear na ficção – com a liberdade, muitas vezes desafiadora, que ela traz?
É um desafio, cada escritor tem seu processo particular. No meu caso, e isso tem a ver com o fato de ser um romance histórico e muito com a minha formação, eu tenho enorme preocupação com a veracidade interna da trama. Procurei dar o máximo de realidade para envolver o leitor. Diria que é uma liberdade vigiada!

O cinema é uma arte coletiva. Além disso, seus últimos trabalhos foram sempre em parceria com Elaine Eiger. Em O segredo do oratório você teve interlocutores, leitores críticos que tenham acompanhado e ajudado durante todo o processo?
Sim.  E que foram fundamentais. Durante o processo de criação conversei com várias pessoas – mas sem mostrar o livro. Eu falava sobre o que estava escrevendo, tirava dúvidas de História e discutia partes da trama. Mas só mostrei mesmo quando o livro estava pronto. Aí fiz ajustes a partir dos comentários.

Suas personagens femininas são todas fortes e guiam a narrativa. O personagem de Ioná foi baseado em alguém ou alguma história real que conheceu durante a suas pesquisas?
A protagonista Ioná foi inspirada no médico Luciano de Oliveira, que participa do documentário A Estrela Oculta do Sertão. O comprometimento de Luciano com sua própria história e com a busca de suas origens me fascinaram desde o primeiro momento em que o vi. Eu tentei trazer esta verdade para Ioná. O fato de a personagem ser mulher tem a ver com a questão matrilinear, que era fundamental na construção do romance.

No livro há uma breve menção a Isaac Bashevis Singer, grande escritor da cultura judaica. Quais são suas principais influências literárias? Que autores estiveram “presentes” durante a escritura deste livro?
Sou uma leitora voraz, sem preconceitos ou rótulos! Por isso minhas influências são várias e acho que é essa a minha base como escritora. Nunca tive o hábito de frequentar oficinas de texto, minha escola é a leitura. Estou sempre lendo. Além de Singer, cito Primo Levi e Philip Roth. Outros dois autores muito marcantes para mim são Ian McEwan, Eça de Queiroz e Raduan Nassar. Um autor que descobri recentemente e mergulhei foi o japonês Haruki Murakami. Mas também sou fã dos best-sellers. Devorei a trilogia Millenium, os livros de Sam Bourne e Dan Brown.



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