Autores da Record entre os finalistas

23/10/2023 2560 visualizações

Homem de papel, de João Almino, e Mikaia, de Taiane Santi Martins, ambos da editora Record, estão entre os finalistas ao Prêmio São Paulo de Literatura. A lista foi divulgada na segunda (23) pelo Diário Oficial do estado. O prêmio é dividido em duas categorias, para romances de autores estreantes e não estreantes publicados em 2022. Almino concorre a Melhor Romance do Ano com autores como Cristovão Tezza, Nara Vidal e Xico Sá. Taiane concorre a Melhor Romance de Estreia do Ano com Silvana Tavano, Denise Sant´Anna e Helena Machado, entre outros escritores.

 

João Almino, diplomata e um dos escritores mais importantes da literatura nacional, resgata o personagem-narrador conselheiro Aires, transportando-o para os dias atuais. Se no machadiano Esaú e Jacó o conselheiro está numa trama sobre dois irmãos que disputam a mesma mulher e defendem regimes políticos contrários (Monarquia e República), em Homem de papel ele ganha protagonismo metamorfoseado em livro, do qual consegue dar escapadelas para o mundo real, regido pela ignorância e estupidez. O exemplar que o abriga pertence à jovem diplomata Flor, trigêmea de Hugo e Miguel, que, assim como os gêmeos de Machado, estão em eterna rixa. O conselheiro se depara com as redes sociais e precisa se adaptar à velocidade com que as notícias se multiplicam. Diferentemente do final do século XIX e início do XX, cada notícia cria milhões e milhões de “verdades” de consequências irreparáveis.

Mikaia, romance de estreia de Taiane Santi Martins, foi vencedor do Prêmio Sesc de Literatura de 2022. Através da busca de uma bailarina que sofre uma amnésia repentina, a autora conta a história de três gerações de mulheres que viveram e fugiram da guerra civil moçambicana. Narrado por múltiplas vozes, o livro joga com as diferentes maneiras de se lidar com um passado traumático, pois, enquanto a protagonista quer lembrar, sua irmã, Simi, quer esquecer e sua avó, Shaira, decide silenciar. O desenrolar da trama se dá no embate entre as tentativas de Mikaia em recuperar um passado que lhe foi roubado, os retalhos de memória que lhe voltam confusos, e a resistência de Simi em renunciar a uma infância inventada e cultivada por vinte anos às custas do esquecimento. O livro transita por temas como o corpo, a dança e a violência contra a mulher, a guerra, a construção da memória e a identidade cultural, além de discutir o olhar do Brasil sobre a cultura moçambicana.

O prêmio é de R$ 200 mil para cada categoria e o resultado será revelado na cerimônia que está prevista para 27 de novembro. Este ano, foram 453 romances inscritos nas duas categorias.