4 motivos para ler a obra de Maryse Condé

18/11/2019 121 visualizações

Na semana do Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, recomendamos fortemente a leitura de uma das mais importantes escritoras negras da atualidade: Maryse Condé, originária da ilha caribenha de Guadalupe, um território francês. Vencedora do New Academy Book Prize (Prêmio Nobel alternativo), Condé dá voz a Tituba, a famosa bruxa negra de Salem, três séculos depois de sua morte. A personagem é uma mulher negra e escravizada, uma das primeiras perseguidas sob a acusação de bruxaria na América do Norte. Como pano de fundo para a narrativa, Condé traz à tona a documentação histórica que relata o sofrimento infligido ao povo negro durante a colonização do continente americano, promovendo uma forte reflexão sobre um passado racista com temáticas extremamente atuais.

Por tudo isso, como se não bastasse, selecionamos quatro motivos muito especiais para você mergulhar na obra de Maryse Condé:

1)      A protagonista é uma mulher incrível

Não são poucos os ensinamentos que Tituba traz ao longo da obra. Marcada por uma história de muito sofrimento, Tituba mostra a importância da persistência. Uma mulher amorosa, que usa seu dom para curar, ela defende a liberdade do seu povo, denunciando durante toda a história as muitas injustiças impostas principalmente às mulheres.

2)      O prefácio é da Conceição Evaristo

“(…) para saber de Tituba, a bruxa negra de Salem, é preciso acompanhar quem sabe lidar com a alquimia das palavras. Maryse Condé tem as fórmulas, as poções mágicas da escrita”. A aclamada escritora brasileira Conceição Evaristo fez um prefácio que deixa qualquer um com ainda mais vontade de ler essa obra!

3)      Você conhece uma outra versão da história das Bruxas de Salem

Conceição Evaristo fala no prefácio sobre a criação da peça teatral de Arthur Miller nos anos 50, nos Estados Unidos, traduzida no Brasil como “As bruxas de Salem”, que tem por objetivo alçar uma figura masculina à condição de herói. Na obra de Condé, a narrativa foge dessa tradição e apresenta uma protagonista mulher, dando foco a história negligenciada pela versão histórica e literária ostensivamente branca e masculina.

4)      Maryse Condé faz magia com as palavras

Maryse Condé é feminista, autora de mais de vinte livros, professora emérita de francês e filologia românica na Columbia University. Na definição brilhante de Conceição Evaristo, Condé é uma maga das palavras. Esse trabalho admirável de ficção histórica faz o leitor sentir cada segundo as dores e pequenas alegrias da trajetória de Tituba. Vale cada segundo!