“A garota das sapatilhas brancas”, de Ana Beatriz Brandão

4/09/2017 19 visualizações

Por Olga de Mello

Aos 17 anos, com quatro livros publicados, Ana Beatriz Brandão participa de sua segunda Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro. Incentivada pela mãe, Adriana, a “primeira leitora, revisora e assessora literária” de seus textos, Ana Beatriz iniciou a carreira aos doze anos, lançando dois livros de fantasia antes de criar “O garoto do cachecol vermelho”, sua primeira incursão no gênero sick lit, publicada pela Verus. A história de amor entre Daniel, que sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), e Melissa está em sua quinta edição e acaba de ganhar uma continuação – “A garota das sapatilhas brancas”, também pela Verus. Parte das vendas dos dois livros é revertida para a Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (AbrELA), para a Associação Regional de Esclerose Lateral Amiotrófica – RS (Arela) e para o Instituto Paulo Gontijo, que pesquisam e dão apoio aos pacientes.

Enquanto preparava seu próximo romance, que deverá lançar no próximo ano, Ana Beatriz concluía o Ensino Médio, sem decidir, no entanto, qual curso universitário seguirá. Só sabe que necessariamente será ligado a criação literária, incorporando diferentes formas de comunicação:  “Gosto de desenhar e talvez venha a trabalhar com graphic novels. A literatura tem diversas linguagens e eu espero trabalhar com  todas elas”, diz Ana Beatriz.

 

Como foi a transição de narrativas fantásticas para uma história de amor realista?

Como escritora, quero explorar todas as nuances da literatura. Não pretendo ficar presa a um só gênero. Comecei fazendo fantasia, mas temas diferentes. Meu primeiro livro era sobre uma guerra entre anjos. O segundo, tinha terror, caçadores de almas, de fantasmas. O próximo será uma distopia.

O que a levou a escrever sobre a luta de um personagem com Esclerose Lateral Amiotrófica? Você conhecia alguém próximo que sofresse desta doença?

Eu acabei chegando à ELA por causa da trama. Havia pensado em desenvolver uma história de amor em que um dos personagens tivesse dificuldades de locomoção. Comecei a procurar uma doença que se encaixasse no personagem e queria que fosse algo pouco conhecido. Cheguei à AbrEla, que me forneceu importantes informações sobre todo o desenvolvimento dos diversos tipos de manifestações degenerativas. Durante um ano inteiro eu reuni dados, convivi com pacientes e montei uma história de amor e de superação. Depois, escrevi tudo em apenas duas semanas!

A sequência do “Garoto” foi um pedido de seus leitores? Você gosta de manter contato com o seu público?

“A garota das sapatilhas brancas” surgiu de um anseio meio para dar voz aos outros personagens, com um novo olhar sobre aqueles acontecimentos. Mas a história agora está completa, e não vou voltar a ela, mesmo que meus leitores peçam continuações. Antes de ser escritora, eu praticamente desconhecia a literatura brasileira que se faz na Internet, não lia fanfic, não tinha nem blog. Hoje, eu converso todos os dias com os leitores pela Internet, mas gosto mesmo é do encontro direto, quando a gente troca ideias. Muitos se emocionam, choram ao me encontrar. E eu choro junto, como já fiz quando encontrei os escritores que eram meus ídolos, como a Thalita Rebouças.

Quais escritores mais influenciaram você?

Gosto muito de fantasia. Meu favorito é George R. Martin, mas também gosto de J. K. Rowling, Rick Riordan. Dos brasileiros, os que mais me tocaram, em criança, além da Thalita, foram o Pedro Bandeira e o Maurício de Souza. Histórias em quadrinhos, para mim, são narrativas literárias, sim. E o Pedro Bandeira foi o único autor que li, como estudante, que falava numa linguagem próxima à dos leitores adolescentes.

Escritores de alcance mais popular deveriam ser incluídos nas listas de leituras dos estudantes?

Sem dúvida. Quando li Jorge Amado, na escola, não tinha maturidade para entender bem o que ele mostrava. A maioria dos alunos perde o interesse pela leitura, porque os textos clássicos estão muito longe da vivência dos jovens. Talvez os autores que desenvolvem temas mais atuais consigam levar os estudantes a descobrir a literatura.