“A mediadora”, de Meg Cabot

9/07/2016 58 visualizações

Por Clara Alves

Se existe uma coisa na qual Meg Cabot, a rainha da literatura teen, é boa – além de todas as outras coisas que ela faz – é criar personagens aparentemente comuns e usá-los para construir tramas extraordinárias. Mia, por exemplo, em “O diário da princesa”, é uma típica aluna nada popular até que descobre que é uma princesa. Samantha, em “A garota americana”, é uma menina oprimida pela beleza da irmã mais velha e pela inteligência da mais nova até que salva o presidente de uma tentativa de assassinato e se torna uma celebridade. Mas em “A mediadora”, Suzannah Simon não é comum. Desde sua infância, Suzannah Simon vê espíritos. Não que com dois anos ela soubesse o que isso significava – mas foi exatamente com essa idade que a menina viu seu primeiro fantasma e percebeu duas coisas importantes que definiriam toda sua vida: 1) ela é a única que consegue vê-los; e 2) ela não deveria comentar isso com ninguém, nunca.

É claro que ajudar os espíritos fica um pouco mais difícil quando ninguém sabe que é isso que você está fazendo. Porque essa é a missão de Suze – foi o que descobriu mais tarde: ela é uma mediadora, a ponte entre aqueles que já se foram, mas continuam presos nesse mundo por algum motivo, e o “outro lado”. E, às vezes, uma mediadora precisa quebrar algumas leis para que os fantasmas que procuram sua ajuda possam descansar em paz.

Quando Helen, mãe de Suze, se casa pela segunda vez com um viúvo que mora na Califórnia, ela vê na mudança uma chance de a filha se tornar uma adolescente normal. É claro que Suze não concordava com isso. No entanto, ela mal sabia o quanto a charmosa cidade de Carmel realmente mudaria sua vida. Depois de 16 anos sem poder confiar seu segredo a ninguém, como não ter sua vida transformada quando você descobre que o diretor do seu novo colégio – um padre no auge dos seus sessenta anos – tem o mesmo dom que você? Isso sem contar toda a história de agora ter três meio-irmãos, ser popular no colégio, tentar não se meter em encrenca e… Ah! Sim: ter que dividir seu quarto com um fantasma bonitão do século XIX.

Jesse de Silva é, na minha opinião, um dos melhores personagens masculinos da Meg. Sua origem hispânica consegue fazer qualquer um suspirar a cada vez que ele chama Suzannah de “hermosa”. E, mesmo não tendo recebido o melhor dos tratamentos em seu primeiro encontro com a mediadora, Jesse ainda assim não mede esforços para salvá-la quando se mete em confusões – o que só o torna ainda mais adorável.

“A mediadora” é uma série formada por seis livros publicados no Brasil pela Galera Record (o sétimo chegou esta semana às livrarias!). Cada um deles traz casos isolados de fantasmas que esbarram pelo caminho de Suze. Junto ao Padre Dominic, ela tenta ajudar esses espíritos a descansarem em paz. Ao mesmo tempo, Meg usa como pano de fundo a adaptação de Suzannah à pequena cidade na Califórnia e sua crescente paixão pelo fantasma que mora em seu quarto. É impossível não se encantar ainda mais pela escrita da autora, que consegue neste livro trazer aos seus fãs uma personagem principal forte, profunda e cheia de atitude, assim como personagens secundários tão carismáticos quanto os protagonistas.

 

Leia um trecho:

“Vou ter de explicar. É que eu não sou exatamente como qualquer garota de 16 anos.

Quer dizer, acho que eu pareço bastante normal. Não uso drogas, nem bebo, nem fumo – tudo bem, só daquela vez em que o Soneca me pegou. Não tenho nenhum piercing, só furos nas orelhas, e só um em cada lóbulo. Não tenho nenhuma tatuagem. Nunca pintei o cabelo. À parte minhas botas e minha jaqueta de couro, não exagero no preto. Nem uso esmalte escuro nas unhas. No final das contas, sou uma adolescente americana perfeitamente normal e comum.

Só que eu falo com os mortos.”