A Semana de 1922 revisitada em lançamentos da José Olympio

Lançamentos da José Olympio e da Record revisitam Semana de 1922

15/02/2022 183 visualizações

A editora José Olympio relança em fevereiro duas obras fundamentais em meio às comemorações dos cem anos da Semana de Arte Moderna: a edição de Macunaíma revisada por Mário de Andrade, com capa original de Thomaz Santa Rosa, e Vanguarda europeia e modernismo brasileiro, agora ampliada pelo próprio autor, Gilberto Mendonça Teles. Em março, a Record publica O antimodernista: Graciliano e 1922, reunião dos textos que Graciliano Ramos escreveu trazendo a herança do modernismo de um ponto de vista crítico.

 

Macunaíma – o herói sem nenhum caráter é um marco na história da literatura brasileira. Publicado pela primeira vez em 1928 e custeado pelo autor, o livro teve sua segunda edição lançada pela Livraria José Olympio Editora, em 1937. É esse texto que os leitores têm agora em mãos, com atualização ortográfica, estilo da prosa preservado e projeto editorial que reproduz a arte gráfica original de Thomaz Santa Rosa, icônico artista visual responsável pelos livros da editora nos anos 1930 e 1940. Um dos precursores do modernismo no Brasil e um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 22, Mário de Andrade se valeu de sua ampla visão da cultura popular para criar o personagem-título. Macunaíma foi forjado a partir de lendas indígenas e populares, colagens de histórias, mitos e modos de vida que, nele somados, deram existência a um tipo brasileiro ideal. Um ser mágico, debochado e zombeteiro, que viaja pelo país acompanhado de seus irmãos, Jiguê e Maanape, numa aventura para recuperar seu amuleto perdido: a muiraquitã.

Em 1969, o filme homônimo dirigido por Joaquim Pedro de Andrade trouxe dois protagonistas: Grande Otelo, o Macunaíma negro; e Paulo José, o Macunaíma branco. No Carnaval de 1975, a Portela levou à avenida o samba-enredo Macunaíma – herói de nossa gente, puxado por Silvinho da Portela, Clara Nunes e Candeia. Em 2019, Macunaíma – uma rapsódia musical foi uma das peças mais elogiadas da temporada teatral. A adaptação foi dirigida por Bia Lessa, com roteiro da escritora e crítica de arte Veronica Stigger, que agora assina o prefácio desta edição.

 

Capa do livro Macunaíma

 

MACUNAÍMA

Mário de Andrade

127 págs. | R$ 44,90

Ed. José Olympio | Grupo Editorial Record

 

 

 

 

Obra de referência já consagrada, Vanguarda europeia e modernismo brasileiro, de Gilberto Mendonça Teles, reúne poemas, conferências e manifestos vanguardistas estrangeiros e nacionais publicados entre 1857 e 1972. A edição que está sendo lançada em meio às comemorações do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 vem acrescida de novo prefácio do próprio autor, que está disponível para entrevistas. O evento é considerado o marco inaugural do modernismo no Brasil. Grande parte dos intelectuais e artistas que estiveram à frente desse movimento tinha vivido na Europa após a Primeira Guerra Mundial e enfim trazia ideias e técnicas que lá se desenhavam desde as últimas décadas do século XIX.

Professor emérito de Literatura Brasileira e Teoria da Literatura na PUC-Rio, com diversas passagens, como poeta e crítico literário, por instituições nos Estados Unidos e na Europa, Gilberto Mendonça Teles apresenta um rico panorama dos movimentos modernistas, uma viagem em companhia de textos de artistas que foram capazes de antever os sopros da mudança ainda no século XIX — como Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé —, nomes que protagonizaram as vanguardas europeias — como André Breton, Vladimir Maiakovski e Tristan Tzara —, expoentes do modernismo brasileiro — como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Murilo Mendes — e, enfim, aqueles que marcaram um momento mais experimental da arte brasileira — como Décio Pignatari e Wlademir Dias-Pino.

 

Capa de 'Vanguarda europeia & modernismo brasileiro'

 

VANGUARDA EUROPEIA E MODERNISMO BRASILEIRO

Gilberto Mendonça Teles

658 págs. | R$ 109,90

Ed. José Olympio | Grupo Editorial Record

 

 

 

 


O antimodernista: Graciliano e 1922
é uma reunião dos ensaios, resenhas de livros, entrevistas e cartas que Graciliano Ramos escreveu trazendo a herança do modernismo de um ponto de vista crítico. O livro, organizado pelos pesquisadores Thiago Mio Salla e Ieda Lebensztein, mostra que Graciliano, reconhecendo a importância do movimento, não cai na idolatria e na idealização de muitos de seus contemporâneos. O leitor encontrará a consciência crítica e autocrítica de um escritor na contracorrente do triunfalismo vanguardista, simbolizado pela Semana de 1922.

Não se trata de uma defesa do tradicionalismo nem de reacionarismo, mas os textos mostram um Graciliano incomodado com os descaminhos da civilização ocidental, e que manifesta sua postura desconfiada e vigilante de modo contínuo. “Antimodernista moderno”, Graciliano defendia a clareza da escrita e uma técnica ficcional feita de circunspecção, introspecção e respeito às palavras e aos seres, capaz de articular a representação crítica e a expressão subjetiva de impasses sociais e morais. Thiago Mio Salla e Ieda Lebensztayn também foram organizadores dos livros Cangaços e Conversas, de Graciliano Ramos, também publicados pela Record.

 

Trecho do livro:

“Graciliano Ramos: Os modernistas brasileiros, confundindo o ambiente literário do país com a Academia, traçaram linhas divisórias rígidas (mas arbitrárias) entre o bom e o mau. E, querendo destruir tudo que ficara para trás, condenaram, por ignorância ou safadeza, muita coisa que merecia ser salva. Vendo em Coelho Neto a encarnação da literatura brasileira — o que era um erro — fingiram esquecer tudo quanto havia antes, e nessa condenação maciça cometeram injustiças tremendas. […]

Revista do Globo: Quer dizer que não se considera modernista?

Graciliano Ramos: Que ideia! Enquanto os rapazes de 22 promoviam seu movimentozinho, achava-me em Palmeira dos Índios, em pleno sertão alagoano, vendendo chita no balcão.”

Trecho de entrevista concedida por Graciliano Ramos em 1948.

 

capa de 'O antimodernista'

 

O ANTIMODERNISTA: GRACILIANO E 1922

Org. Thiago Mio Salla e Ieda Lebensztein

294 págs.

Ed. Record | Grupo Editorial Record

Já em pré-venda

 

 

 

 

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