“As gêmeas do gelo”, de S.K Tremayne

21/05/2016 57 visualizações

Por Raquel Araujo

Lydia e Kirstie sempre chamam a atenção de todos. As meninas são gêmeas idênticas, de aparência angelical, daquelas que fazem questão de andar sempre iguais. Elas são “as gêmeas do gelo”, com cabelos loiros quase brancos e grandes olhos azuis. O que as diferencia é a personalidade. Enquanto Lydia é calma, gosta de ler e é mais próxima da mãe, Kirstie é extrovertida, animada e tem mais afinidade com o pai. Eles eram uma família unida até que um passeio para a casa dos avós faz a felicidade dos Moorcroft ruir. Lydia cai misteriosamente da sacada do segundo andar e morre, deixando um rastro de incertezas.

Foi isso que aconteceu naquele dia fatídico. Ou, pelo menos, é o que Sarah, principal narradora da história, conta para o leitor. Uma de suas filhas morreu e a sobrevivente afirma que foi Lydia. Este é o único indício de que quem continua viva é Kirstie. E foi nisto que Sarah e seu marido acreditaram por mais de um ano. Até Kirstie começar a se queixar de um suposto engano, afirmando que ela, na verdade, é Lydia. O comportamento da menina muda repentinamente e os pais começam a questionar se, de fato, não cometeram um grande engano.

Seria mesmo possível que Sarah tivesse confundido as duas filhas? Que tipo de pesadelo estaria vivendo? O leitor acaba participando das loucuras de Sarah em busca de respostas. É impossível ter certeza ou chegar perto de formular alguma teoria. O clima de suspense acompanha toda a leitura.

À  cada capítulo surgem novas revelações, uma mais chocante que a outra. Se ora há uma certeza de que Kirstie morreu, no capítulo seguinte os papéis se invertem. Mérito total para o autor, que entretém com sua prosa e reserva a resposta do mistério para os momentos finais, de forma impactante.

O clima sombrio é intensificado pelas fotos das ilhas Hébridas da costa oeste da Escócia: a escolha deste local e o preto e branco das imagens que finalizam alguns capítulos ajudam a mergulhar no contexto. O lugar é real, ainda que o nome da ilha tenha sido modificado pelo autor, que deu a sua própria versão para a sinistra casa dos Moorcroft.

Tremayne foge do lugar comum e escreve um thriller psicológico arrepiante que brinca com o leitor. Livro para nenhum amante de suspense colocar defeito.