bell hooks: E eu não sou uma mulher?

22/11/2019 150 visualizações

Para ter sua voz e experiência como mulher negra reconhecidas, bell hooks se entregou profundamente ao esforço de distinguir as diferenças entre as vivências de mulheres negras e mulheres brancas. Nascida na zona rural de Kentucky, sul dos Estados Unidos, a jovem negra e audaciosa, como a escritora se descreve, conquistou seu espaço e publicou pela primeira vez o clássico “E eu não sou uma mulher?”, com quase 30 anos, em 1981. Agora, quase 40 anos depois, a Rosa dos Tempos relança a obra da aclamada teórica feminista, livro referência sobre feminismo, mulheres negras e os preconceitos socioculturais ainda presentes, que promove uma discussão mais que atual: atemporal.

hooks dedica a obra à sua mãe, Rosa Bell, uma mulher que educou as seis filhas para serem capazes de cuidarem de si sem jamais precisarem de um homem. bell hooks é um pseudônimo em homenagem à avó, Bell Blair Hooks – seu nome de batismo é Gloria Jean Watkins. Educadora, escritora e ativista, publicou mais de 30 livros. Entre suas principais referências, adotou por base a pedagogia crítica do Patrono da Educação Brasileira: Paulo Freire.

A teórica recebeu diversas críticas durante sua carreira, por não ser “acadêmica o suficiente”. Mas a autora sempre teve o objetivo de atingir a todos, não se submetendo aos padrões tradicionais da academia. O primeiro livro publicado pela Rosa dos Tempo, “O feminismo é para todo mundo”, cumpre de forma brilhante esse objetivo. “Eu não sou uma mulher” chega às livrarias esse mês pela editora.  Saiba mais sobre os livros:

E eu não sou uma mulher?

Sojourner Truth, mulher negra que havia sido escravizada e se tornou oradora depois de liberta em 1827, denunciou, em 1851, na Women’s Convention – no discurso que ficou conhecido como “Ain’t I a Woman” – que o ativismo de sufragistas e abolicionistas brancas e ricas excluía mulheres negras e pobres.  A partir do discurso de Truth, que dá título ao livro, hooks discute o racismo e sexismo presentes no movimento pelos direitos civis e no feminista, desde o sufrágio até os anos 1970.

Além de examinar o impacto do sexismo nas mulheres negras durante a escravidão, a desvalorização da mulheridade negra, o sexismo dos homens brancos e negros, o racismo entre as feministas, os estereótipos atribuídos a mulheres negras, o imperialismo do patriarcado e o envolvimento da mulher negra com o feminismo, hooks pretende levar nosso pensamento além das suposições racistas e sexistas. O resultado é um trabalho revolucionário, um livro imprescindível, a ser lido por todas as pessoas que lutam para tornar o mundo um lugar livre de opressões de raça, cor, classe e gênero.

 

O feminismo é para todo mundo

Com peculiar clareza e franqueza, hooks incentiva leitores a descobrir como o feminismo pode tocar e mudar, para melhor, a vida de todo mundo. Homens, mulheres, crianças, pessoas de todos os gêneros, jovens e adultos: todos podem educar e ser educados para o feminismo. Apenas assim poderemos construir uma sociedade com mais amor e justiça.

O livro apresenta uma visão original sobre políticas feministas, direitos reprodutivos, beleza, luta de classes feminista, feminismo global, trabalho, raça e gênero e o fim da violência. Além disso, esclarece sobre temas como educação feminista para uma consciência crítica, masculinidade feminista, maternagem e paternagem feministas, casamento e companheirismo libertadores, política sexual feminista, lesbianidade e feminismo, amor feminista, espiritualidade feminista e o feminismo visionário.