Betty Milan reflete sobre papel dos modernistas de 1922

18/02/2022 237 visualizações

Inspiração para o romance “Consolação” (Ed. Record, 168 págs, R$43,90), Mario de Andrade e Oswald de Andrade serão celebrados pela escritora e psicanalista Betty Milan em palestra virtual promovida pela Academia Paulista de Letras na quinta (24). Betty falará sobre os modernistas e a literatura contemporânea, e também apresentará brevemente a filmagem da leitura dramática do livro. O evento comemora o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922.

Em “Consolação” acompanhamos o drama de Laura, uma mulher que perde o marido na França e só encontra o consolo que procura entre os seus conterrâneos, ouvindo as pessoas de São Paulo, sua cidade natal. Brasileira, casada com um francês, Laura assiste à agonia e à morte do marido num hospital parisiense, enquanto tenta inutilmente convencer o médico a abreviar seu sofrimento.

Depois do enterro, toma um avião para São Paulo, sua cidade natal, e vai direto do aeroporto para o cemitério, onde fala com os vivos e com os mortos, cujas vozes ela ouve.  Encontra os fantasmas de Mario e Oswald de Andrade, escritores que, pela sua independência e sua relação com a cultura brasileira, a marcaram.

O pai falecido, que a incita a sair da concha do luto, escutando os outros, o “povo da rua”– os que nela vivem sem ser vistos nem ouvidos. Aceitando o conselho, Laura segue errante pela cidade. Vai descobrir a São Paulo que ninguém conhece e nos revelar o mundo de seus moradores invisíveis. Até se dar conta de que ninguém deixa de existir porque morre e que “perder não significa não ter”, e descobrindo, no consolo dos que ficam, que o amor é maior do que a morte.

 

NOVO LIVRO DA AUTORA CHEGA EM ABRIL

Em abril chega às livrarias pela Ed. Record “Heresia”, novo romance de Betty Milan, que focaliza o fim da vida, questionando o modo como ele é tratado na sociedade ocidental. O livro faz o leitor refletir sobre o prolongamento indefinido da vida e as implicações éticas do projeto da biologia molecular que pode transformar os humanos em seres amortais.