Pular para o conteúdo
curadoria

Azar Nafisi + 4 autoras que têm nos livros suas armas

Azar Nafisi + 4 autoras que têm nos livros suas armas

Radicada há  quase 30 anos nos Estados Unidos, a professora de literatura iraniana Azar Nafisi costuma afirmar que sua verdadeira pátria é a República da Imaginação. Sua escrita a alçou ao posto de uma das vozes mais potentes contra o regime autoritário que assumiu o governo do Irã no fim dos anos 1970. Lendo Lolita em Teerã permaneceu por 117 semanas na lista de mais vendidos do New York Time depois de ser lançado em 2003, foi adaptado para o cinema no ano passado e voltou aos holofotes depois dos ataques perpetrados por Washington que derrubou justamente o ditador contra quem Azar lutou. 

Victoria Belim, Zoulfa Katouh, Azar Nafisi, Michele Cohen Corasanti e Åsne Seierstad

 

Em recente entrevista ao canal France 24, demonstrou preocupação com o povo iraniano e a duração prolongada da ação militar. Depois da de Azar Nafisi, outras mulheres escreveram reportagens e relatos sobre territórios conflagrados, como a jornalista norueguesa Åsne Seierstad, autora de O livreiro de Cabul, grande bestseller que lança o olhar feminino sobre a guerra, e de Os afegãos, ambos lançados pela Record.

Confira a lista de autoras que encontraram na literatura a sua arma de resistência e denúncia e suas obras.

 Åsne Seierstad é uma renomada jornalista e escritora norueguesa que ganhou projeção mundial ao aliar o rigor da reportagem de guerra à profundidade narrativa da literatura. Sua trajetória é marcada pela presença em zonas de conflito extremas, como a Chechênia, a China, o Iraque e, mais iconicamente, o Afeganistão, onde viveu com uma família local logo após a queda do regime Talibã em 2001 para escrever o best-seller internacional O livreiro de Cabul (Ed. Record). Reconhecida por sua coragem e sensibilidade, Seierstad foca em humanizar as vítimas de sistemas opressores, explorando as contradições culturais e o impacto devastador do fundamentalismo e da guerra na vida cotidiana, especialmente na das mulheres.

Michele Cohen Corasanti. Americana de origem judaica, Corasanti viveu em Israel durante os anos da Primeira Intifada, experiência que moldou profundamente sua visão sobre o conflito palestino-israelense. Em sua obra-prima, A amendoeira (Ed. Record), ela utiliza a ficção para humanizar a tragédia na Palestina, narrando a jornada de um prodígio da matemática que tenta romper o ciclo de violência e pobreza. Sua escrita é marcada por uma busca intensa por empatia e reconciliação, focando em como a educação e o intelecto podem ser ferramentas de resistência e pontes para a paz em meio a um cenário de segregação e perda.

Victoria Belim. Nascida na Ucrânia e radicada na Bélgica, Belim é jornalista e tradutora, e sua trajetória é definida pelo resgate da memória familiar e nacional. Em seu livro de memórias, Minha Ucrânia (Ed. Record), ela narra seu retorno ao país natal para investigar um segredo de família ligado à KGB, acabando por traçar um painel profundo sobre o trauma geracional ucraniano. Sua escrita mistura a investigação histórica com a sensibilidade pessoal, revelando como as feridas do passado soviético se conectam diretamente à resiliência do povo ucraniano diante das invasões contemporâneas.

Zoulfa Katouh. Canadense de origem síria, Katouh fez história ao ser a primeira autora síria a ter um romance para jovens adultos publicado por uma grande editora ocidental. Em Enquanto houver limoeiros (Ed. Verus), ela utiliza o realismo mágico e uma narrativa visceral para retratar a Guerra Civil Síria através dos olhos de uma jovem farmacêutica. Sua trajetória é dedicada a dar rosto e voz aos refugiados, combatendo a desumanização das estatísticas com histórias que celebram a cultura, a beleza e a esperança inabalável da juventude síria, mesmo sob o peso do trauma e da destruição.