Morreu nesta terça-feira no Recife aos 78 anos o escritor e jornalista Raimundo Carrero, um dos maiores nomes da literatura brasileira. Ele lançou seu último livro pela Record no ano passado, o romance A vida é traição (ed. Record). Integrante do Movimento Armorial, com Ariano Suassuna, Carrero levou em 2000 o prêmio Jabuti na categoria contos pelo livro As sombrias ruínas da alma. Em 2010, venceu o São Paulo de Literatura pelo romance A minha alma é irmã de Deus (ed. Record). Era ocupante da cadeira 3 da Academia Pernambucana de Letras.
Raimundo Carrero fez um pausa na literatura em 2010, quando sofreu um AVC, mas retornou tanto a escrever quanto a ministrar suas famosas oficinas de escrita - Marcelino Freire foi revelado em uma delas. Carrero era colunista do jornal literário Rascunho e recentemente assumiu um espaço semanal no Diário de Pernambuco, onde iniciou a carreira como estagiário, em 1969.
Foi no Diário que ele criou a história sobre a perna cabeluda, lenda urbana que ficou famosa no Recife e posteriormente conhecida em todo o mundo ao fazer parte do filme O agente secreto. O texto está no roteiro lançado por Kleber Mendonça Filho pela Amarcord. Carrero estava escrevendo um novo livro, que iria se chamar O misterioso encontro do destino com a sorte. Ele tocava saxofone desde os oito anos de idade - dizia que era músico “de rock e de fé”.
Recentemente, descobriu um câncer em estágio avançado, e acabou internado há uma semana em um hospital da capital pernambucana, onde faleceu.