“Brilhantes”, de Markus Sakey

28/05/2016 31 visualizações

Por Thaís Britto

Em junho, chega às livrarias pela Galera o livro “Um mundo melhor”, segundo volume que fecha a série Brilhantes. É uma ótima oportunidade para ler o primeiro título  da duologia  de Markus Sakey. Lançado por aqui em 2015, “Brilhantes” é uma trama de ficção científica que aborda assuntos como política, terrorismo e preconceito, numa interessantíssima alegoria da sociedade  em que vivemos.

O enredo se passa nos dias atuais, mas o contexto é um pouco diferente. Em 1980, parte da população começou a nascer com habilidades especiais. Não se trata de nada sobrenatural, mas sim de uma inteligência aguçada, uma facilidade em enxergar padrões onde ninguém mais os vê, uma capacidade extra de ler reações mínimas e saber como responder a elas. São os “brilhantes”. O equilíbrio entre “brilhantes” e “normais” é quebrado quando um destes homens especiais quebra a bolsa de valores americana e ganha 300 bilhões de dólares de uma vez. A partir daí, a relação entre os dois grupos é construída na base do medo. Um vê o outro como ameaça. Uma divisão especial é criada pelo governo dos EUA para monitorar os brilhantes. Até que um atentado terrorista que mata mais de 70 pessoas num restaurante transforma o que era ameaça numa verdadeira guerra.

Nick Cooper, nosso protagonista, trabalha para o DAR, o Departamento de Análise Reativa, órgão do governo que caça brilhantes terroristas. Ele mesmo é um brilhante, mas está convencido de que faz a coisa certa trabalhando “contra” seus pares. Seu maior alvo é o terrorista conhecido como John Smith, responsável pela carnificina no restaurante. Quando Cooper resolve se infiltrar entre os rebeldes para alcançar Smith, começa a ver que nem tudo é como ele imaginava. O medo de quem é diferente, a dificuldade de se enxergar no outro, a completa falta de empatia –  temas bastante  atuais que, na fantasia escrita por Sakey, ajudam a despertar a reflexão. Tudo isso numa narrativa de ritmo rápido e cinematográfico. Não à toa, o livro já teve seus direitos vendidos para o cinema.

 

TRECHO

“Da maneira que estamos agindo agora, a gente tem que rebater mil bolas só para empatar. Digamos que eu tivesse conseguido achar as bombas hoje. Se tivesse desarmado quatro e a quinta explodisse, seria uma vitória para Smith. Se eu tivesse desarmado todas, mas a imprensa descobrisse que elas foram plantadas, ainda seria uma vitória. Ele pode nos atacar em qualquer lugar, a qualquer momento, e qualquer ataque é uma vitória. Temos que proteger todos os lugares, em todos os momentos, e o melhor que podemos fazer é empatar. Uma defesa perfeita sozinha nunca vence.”