“Cartas a um jovem político”, de Fernando Henrique Cardoso

22/08/2017 6 visualizações

O que o jovem que pretende entrar na política deve fazer para se preparar? O que precisa ler, estudar e aprender? Em quais disciplinas deve investir e que capacidades terá que desenvolver? Essas foram as perguntas que levaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a escrever “Cartas a um jovem político”, um conjunto de textos sobre a sua experiência e a de antecessores e sucessores no mais alto cargo do país.

“Não se trata de um livro panfletário, nem seu objetivo era estar colado a fatos concretos, embora trate deles de vez em quando. O propósito era mostrar como se desenvolve a vida política em países democráticos que, contudo, mantêm traços de uma cultura política corporativista e clientelista, dando margem, com certa frequência, à corrupção”, escreve Fernando Henrique, na apresentação da nova edição, que chega às livrarias em agosto, pela editora Civilização Brasileira.

Lançado pela primeira vez em 2006, o livro foi revisto e, segundo o ex-presidente, muitos dos desafios apontados nos textos ganharam dimensão ainda maior, como o tema da corrupção. Ele adverte, logo no início, que a política não é “um mundo de gratificações sem esforço nem alheio a incompreensões” e que o político deve saber que “o julgamento que vale é o da História”. Ao leitor, avisa que o livro não é um tratado de ciência política, mas cartas em tom coloquial, como uma conversa, em que ele compartilha ideias a partir de suas convicções, pontos de vista e referências.

Na carta que abre o volume, Fernando Henrique dá o primeiro conselho: o político investido em um cargo público deve saber lidar com a sociedade em rede, mediada em tempo real pela mídia. “Hoje, para ter chance de sucesso, o político precisa dominar os meios de comunicação de massa. Isso não significa ter poder sobre eles, no sentido de controlar o que fazem. Mas é indispensável saber lidar com eles: estar familiarizado com seu funcionamento, conhecer seus ritmos, respeitar suas práticas, aprender como agem e reagem”.

Para o autor, ser flexível e ter visão global são dois requisitos fundamentais para atuar na política. Na obra, dá dicas de leituras, cita Winston Churchill e Franklin Roosevelt como grandes estadistas, reflete sobre o poder e a vida depois de ter estado no topo, fala sobre a política partidária brasileira e como lidar com o Congresso e a necessidade de alianças, lembra as trajetórias de Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek, dois ex-presidentes muito criticados em vida e endeusados após a morte e valoriza o conhecimento da História como requisito para bem governar, entre outros.

Leia aqui a apresentação à 2ª edição e a introdução da obra.