Cinco coisas que aprendi sobre HIV lendo “Você tem a vida inteira”

14/08/2018 232 visualizações

De todos os livros que eu li em 2018 (e não foram poucos) o livro de estreia do Lucas Rocha ganhou um destaque especial no meu coração, não só por tratar de um tema difícil como o HIV,  mas por fazê-lo com leveza, humor e romance. Terminei a leitura não só apaixonada por cada um dos personagens, mas principalmente mais bem informada sobre o vírus e seus principais desafios hoje em dia no Brasil. Como eu não consigo parar de pensar e falar sobre o livro, fiz uma lista com as 5 coisas que aprendi sobre o HIV lendo Você tem a vida inteira:

 

  • O Brasil é referência mundial no tratamento gratuito do HIV

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Nós estamos muito acostumados a pensar que saúde pública no Brasil não funciona, mas no caso do tratamento do HIV, o SUS é referência mundial. O tratamento evoluiu muito nos últimos anos,  os antigos coquetéis foram substituídos por medicamentos mais modernos.

Um deles é o 3 em 1, disponível no SUS, trata-se de um comprimido antirretroviral que contém três substâncias aliadas no tratamento do vírus, Tenofovir, Lamivudina e Efavirenz. No livro, tanto o Ian quanto o Henrique fazem uso do medicamento.

 

  • Os antirretrovirais possuem efeitos colaterais bem fortes

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No livro, quando Ian começa o tratamento com o 3 em 1, experimenta os sintomas colaterais associados ao antirretroviral, como tontura, dor de cabeça e sentimentos parecidos com os da depressão. A boa notícia, como o Henrique mesmo fala, é que eles vão ficando mais brandos com o tempo. Além disso, segundo a infectologista que atende Ian, o medicamento é tão eficaz que mesmo se misturado com álcool os efeitos não sofrem alterações.

 

  • Em poucos meses de tratamento, o portador fica “indetectável”

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Ao contrário de quando a AIDS era uma epidemia sem controle, hoje em dia o paciente portador do vírus tem um prognóstico muito bom e pode viver uma vida normal, contanto que tome os medicamentos conforme receitados. Em alguns meses, Ian se torna indetectável, ou seja, a contagem do vírus em seu organismo chega a menos de 40 cópias. Um paciente indetectável não transmite mais o vírus sexualmente, mas ainda sim precisa se proteger usando preservativos  continuar tomando os antirretrovirais.

 

  • Expor a sorologia de terceiros é crime

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Essa foi mais uma informação esclarecedora que o livro do Lucas Rocha me trouxe: expor a sorologia de alguém é crime. O paciente soropositivo tem direito ao sigilo, e não precisa dividir o status dele com ninguém, nem mesmo com parceiros sexuais.  Claro que ele deve tomar todas as providências para manter o vírus sob controle e praticar sexo seguro todas as vezes. O entanto, contar ou não sobre seu status para o parceiro é decisão dele apenas.

 

  • O maior desafio da HIV hoje em dia é o preconceito social

Friends hugging in rural landscape

O tratamento da HIV evoluiu muito nos últimos 30 anos, o vírus dos portadores que aderem ao medicamento está controlada e os soropositivos hoje podem viver vidas inteiramente normais e ter relações duradouras sem colocar a saúde do parceiro em risco e podem ter filhos sem transmitir o vírus para ele. No entanto, toda essa evolução na medicina não foi acompanhada de uma evolução social.  A sociedade continua tratando o HIV como um tabu, e o portador sofre inúmeros preconceitos sociais, profissionais e afetivos, frutos da ignorância da população. Por causa disso, muitos soropositivos escondem sua situação por medo do julgamento e rejeição alheios. A maior barreira que o soropositivo ainda enfrenta é a barreira social. Por isso, quanto mais o assunto for debatido em livros, filmes e séries, mais perto estaremos de desmistificar o vírus e acabar de uma vez com a solidão de quem vive com ele, mas tem medo de falar sobre isso. Você tem a vida inteira é uma leitura importantíssima para quebrar esses tabus sociais e mudar a imagem que temos do portador do HIV.