Clássico da literatura mexicana, Pedro Páramo faz 60 anos

19/09/2015 7 visualizações

Capa Pedro páramo AL LS

PEDRO PÁRAMO

Juan Rulfo

Tradução de Eric Nepomuceno

Edições BestBolso

140 páginas


Com uma escrita que mescla realidade e fantasia, distante do estilo realista que marcou a produção literária do século XIX, Juan Rulfo lançava em 1955 Pedro Páramo, um dos romances mais aclamados da literatura mexicana e que se consolidou no imaginário coletivo da América Latina.

O enredo gira em torno da promessa feita por um filho à mãe moribunda, que lhe pede que saia em busca do pai, Pedro Páramo, um malvado e lendário assassino. Juan Preciado, o filho, não encontra pessoas, mas defuntos repletos de memórias, que lhe falam da crueldade implacável do pai. Alegoricamente, é o México ferido que grita suas chagas e suas revoluções por meio de uma aldeia seca e vazia onde apenas os mortos sobreviveram para narrar os horrores da história.

Extremamente visual e cinematográfico, Pedro Páramo  se apresenta de forma poética, com uma estrutura que foge ao estilo dos romances tradicionais. Pelas lentes de Rulfo, são fotografados os fantasmas do inconsciente de sua própria alma, de seus algozes, da sociedade mexicana e da latino-americana, como um todo. O realismo fantástico como hoje se conhece não teria existido sem esta obra clássica. Em sua fonte, beberam o colombiano Gabriel García Márquez e o peruano Mario Vargas Llosa, que também narraram odisseias latino-americanas.

O autor
Em 1945, Juan Rulfo teve seus primeiros contos publicados em revistas, mas foi a partir de Pedro Páramo  que alcançou prestígio e passou a ser considerado um dos mais celebrados escritores de língua espanhola. Também é de sua autoria Chão em chamas, obra regionalista, com 17 contos que refletem, em parte, as origens do escritor, nascido em Jalisco, região semiárida e pobre do México.