A Record lança em novembro os livros dos vencedores da 19ª edição do Prêmio Sesc de Literatura, reafirmando a parceria desde a criação do prêmio, um dos mais importantes do país e porta de entrada para escritores inéditos. O paraense Pedro Augusto Baía foi o vencedor na categoria Conto com Corpos benzidos em metal pesado e a gaúcha Taiane Santi Martins, na categoria Romance com Mikaia.
Desde 2003, mais de 20 mil obras foram inscritas e 33 novos autores revelados. Neste ano, foram 1.632 inscrições, sendo 844 em Conto e 788 em Romance. “Pela primeira vez, em 19 anos, a categoria Conto recebeu mais obras que Romance. E o balanço de todas as edições do Prêmio nos traz uma grande curiosidade: alcançamos a marca de quatro vencedores dos estados do Pará e Rio Grande do Sul, cada um, mostrando a força da nova literatura destas regiões”, destaca Henrique Rodrigues, analista de Literatura do Departamento Nacional do Sesc. O processo de curadoria e seleção das obras é criterioso e democrático, baseado unicamente na qualidade literária. Os livros são inscritos pela internet, gratuitamente, protegidos por anonimato.

Mikaia, de Taiane Santi Martins
Mikaia narra a história de três gerações de mulheres que viveram e fugiram da guerra civil moçambicana, jogando com as diferentes maneiras de se lidar com um passado traumático. Mikaia é uma dançarina de balé que sofre uma amnésia repentina – quer lembrar, sua irmã, Simi, quer esquecer e sua avó, Shaira, decide silenciar. O romance foi selecionado pela comissão final composta pelos escritores Itamar Vieira Junior e Luciany Aparecida.
Taiane Santi Martins, 34 anos, da cidade de Vacaria (RS), é editora da revista literária Travessa em Três Tempos desde 2010. Para ela, o prêmio é um reconhecimento pelo aprendizado e lugares por onde passou e viveu. “É a primeira vez que participo e me sinto honrada com o resultado, não apenas como uma conquista pessoal, mas por sentir que não chego até aqui sozinha. Trago comigo toda a vivência de uma formação em escrita; da Oficina de Criação do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil; o acolhimento da UniLúrio, na Ilha de Moçambique, onde morei por um tempo durante a escrita do romance”.
Corpos benzidos em metal pesado, de Pedro Augusto Baía
Já Corpos benzidos em metal pesado foi concebido ao longo dos últimos quatro anos, em um processo de reescrita e constante reflexão do autor. Pedro tenta descrever um mosaico de geografias, povos, sentimentos e experiências que denunciam as violências, invasões e destruições no Norte do Brasil e aos corpos que lá residem. A comissão final que selecionou a obra foi composta pelos escritores Natalia Borges Polesso e Paulo Scott.
Pedro Augusto Baía, 35 anos, é analista judiciário (psicólogo) no Tribunal de Justiça do Estado do Pará, com Doutorado em Psicologia Forense na Universidade de Coimbra. Nascido no município de Abaetetuba (PA), teve um conto premiado em um concurso regional promovido pelo TJ Pará. Para ele, ganhar o Prêmio Sesc de Literatura, enquanto escritor estreante e residente em um município no Norte do Brasil, é um reconhecimento máximo. “Acredito que irá potencializar o meu percurso literário e, sem dúvida alguma, de outros autores iniciantes”.