Defesa cita livro de Mário Magalhães em julgamento que vetou federalização do caso Marielle

28/05/2020 112 visualizações

Em 27 de maio, última quarta-feira, o Brasil acompanhou com atenção o julgamento do STF que rejeitou federalização da investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, mortos em março de 2018, o que poderia atrapalhar o curso das investigações no Rio de Janeiro. Durante a sessão, o defensor público Pedro Carriello, que representava Agatha Reis, viúva de Anderson, e Marinete Silva, mãe de Marielle, abriu sua fala citando trechos do livro “Sobre lutas e lágrimas: Uma biografia de 2018” (Ed. Record), do jornalista Mário Magalhães, utilizando-o como referência em sua argumentação inicial contra a federalização.

Leia o trecho da fala de Pedro Carriello em que cita “Sobre Lutas e Lágrimas” na íntegra:

“Quatorze de março de 2018, dia da morte de Marielle e Anderson. Há um belo escritor, Mário Magalhães, que fala sobre o ano de 2018. No prólogo, ele diz que ‘2018 é o ano que tão cedo não vai terminar’. Nesse capítulo, faz uma analogia com ‘1968’, de Zuenir Ventura, o ano que não terminou. Ambos partem (no livro) de um réveillon. O réveillon da Marielle e o réveillon de 1968. Ambos partem de acontecimentos históricos que marcaram a história de uma nação. O que tem de comum nessa simbiose, nesse ano personagem que tanto Zuenir fala de 68 quanto Mario Magalhães fala de 2018? Temos em 68 a morte do estudante Edson Luis e em 2018 as mortes de Marielle e Anderson. E a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro foi o local onde ambos tiveram seus funerais. Por que trago 1968 e 2018? É evidente que a morte de Marielle é aquilo que o ministro Schietti (Rogerio Schietti Cruz, ministro do STJ), em seu voto, disse: talvez seja uma fase da necropolítica, onde você tem a perda de uma mulher, feminista, negra, morta por uma razão política. Isso é um marco. Isso transcende o julgamento de hoje.” 

Para assistir o momento exato em que Pedro Carriello cita o livro em seu pronunciamento, clique aqui.