Dia Internacional da Mulher: inspire-se em Nélida Piñon, Ana Maria Gonçalves, Claudia Lage, Carla Madeira e Juliana Leite

8/03/2021 527 visualizações

Comemorado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para relembrar as lutas e entender os direitos que ainda precisam ser conquistados, mas, sobretudo, homenagear as mulheres que operam como agentes transformadoras. Através da escrita, Nélida Piñon, Ana Maria Gonçalves, Claudia Lage, Carla Madeira e Juliana Leite inspiram gerações e provocam reflexões sobre representatividade através de suas personagens potentes.

A emancipação tardia das mulheres no Brasil permitiu que os homens ganhassem destaque nas mais diversas áreas, inclusive na literatura. Foi apenas em 1977, após oito décadas de existência, que a Academia Brasileira de Letras permitiu a candidatura de uma mulher. Nélida Piñon foi a primeira, em 100 anos, a presidir a instituição. Além dela, outras escritoras inspiradoras representam em suas obras mulheres igualmente fortes. Ana Maria Gonçalves, em Um defeito de cor, nos presenteia com a história de uma africana idosa que, mesmo cega e à beira da morte, viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido. Cláudia Lage expõe, em O corpo interminável, a vida de mulheres desaparecidas na ditadura civil-militar no Brasil. Já Carla Madeira, em Tudo é rio, nos mostra mulheres intensas, com problemas, sentimentos e desejos reais. A vencedora do Prêmio Sesc de Literatura 2018, Juliana Leite, em Entre as mãos, conduz um relato preciso e sensível de Magdalena, uma tecelã que precisa retomar seus dias após um grave acidente.

Inspire-se nessas histórias:

Imortal pela Academia Brasileira de Letras, Nélida Piñon já recebeu diversos prêmios literários, incluindo o Jabuti, por duas vezes, Golfinho de Ouro e Mário de Andrade. No exterior, a autora já foi reconhecida no México, Colômbia, Chile e Espanha. Com mais de uma dezena de livros publicados pela Editora Record, selecionamos para a data seus dois últimos lançamentos. Vencedor do Jabuti 2020, Uma furtiva lágrima é narrada em primeira pessoa e revela a história de seus ancestrais, sua trajetória – incluindo o momento em que ela recebeu um diagnóstico que viria a ser desmentindo – suas reflexões e influências. Publicado no final de 2020, Um dia chegarei a Sagres é um acontecimento literário. O livro nos oferece um épico poderoso, passado no século XIX, em um Portugal profundo, produto da fé na tradição oral e na cultura da memória.

 

 

Nascida em Minas Gerais, Ana Maria Gonçalves trabalhava em uma agência de publicidade em São Paulo até
decidir trocar o ritmo agitado da cidade pela Ilha de Itaparica, na Bahia. Foi lá que a autora passou a se dedicar integralmente a literatura e deu vida ao seu primeiro romance. Anos depois, a mineira publicou Um defeito de cor, livro que conquistou o importante Prêmio Casa de Las Américas como o melhor romance do ano em 2006. A obra, publicada pela Editora Record, apresenta a fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, Um defeito de cor é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página.

 

Escritora e roteirista, Claudia Lage é autora de Mundos de Eufrásia, romance que revela a real e conturbada história do amor impossível entre o abolicionista Joaquim Nabuco e Eufrásia Teixeira Leite. Labirinto da palavra, é uma coletânea de crônicas conceituadas vencedora do Prêmio de Literatura de Brasília, e O corpo interminável ganhou recentemente o prêmio São Paulo de Literatura. Nesse último, a autora nos apresenta Daniel, que tenta reconstruir a história da mãe, uma guerrilheira desaparecida na ditadura civil-militar no Brasil. Ao buscar essas informações, surgem outras histórias, ou outras possibilidades de histórias, também desaparecidas, de tantas mulheres. Claudia Lage fez um livro sobre a ausência e também sobre a escrita, essa (im)possibilidade de se reinventar e se refazer por meio das palavras.

Com a capacidade de colocar em palavras um emaranhado de intensidade e diversidade, Carla Madeira escreveu Tudo é rio (Ed. Record). Publicado pela primeira vez em 2014, o livro já vendeu seis mil exemplares e é a inspiração de Murilo Benício para uma série na Globo. A autora nos presenteia com Lucy, a garota de programa mais requisitada da cidade, Dalva, uma moça criada em família simples e tradicional, e seu amado Venâncio, filho do ranzinza Seu José e dono de um ciúme doentio. Os personagens protagonizam um triângulo amoroso que foge dos clichês apresentados nos romances e nos faz questionar sobre o limite do perdão, a intensidade do amor, a importância da família e, sobretudo, a sororidade entre mulheres. Através de uma linguagem potente, Carla Madeira apresenta mulheres fortes, com problemas, sentimentos e desejos reais, que nos faz refletir sobre o bem, o mal e o limite do ser humano.

 

 

 

Vencedora do Prêmio Sesc de Literatura 2018 na categoria Romance, Juliana Leite é graduada em Comunicação Social pela UERJ e mestre em Literatura Comparada pela mesma instituição. Entre as mãos (Ed. Record) é o seu primeiro romance e conduz com precisão uma poderosa força que impulsiona todo o relato. O livro gira em torno de Magdalena, uma tecelã que, depois de um grave acidente, precisa retomar seus dias, reaprender a falar e levar consigo dolorosas cicatrizes — não apenas no corpo. Com personagens e tempos narrativos que se atravessam como fios trançados, este romance tem a marca de peça única, debruçando-se sobre questões como sobrevivência e ancestralidade, mas também amor e mistério a partir do corpo, do trabalho e dos gestos da protagonista, em duas fases de sua vida.

 

 

 

 

 

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