Debora Diniz, autora de Esperança feminista

“Esperança é um exercício cotidiano diante do real”

24/03/2022 281 visualizações

O futuro da luta feminista é o tema do episódio de março da Casa do Livro, que recebeu a antropóloga Débora Diniz. Referência na luta pelos direitos da mulher, Débora está lançando Esperança feminista  (Ed. Rosa dos Tempos), seu primeiro livro sobre o feminismo escrito em parceria com a freira ecofeminista Ivone Gebara. No programa disponível no YouTube do Grupo Editorial Record, no Spotify e outros tocadores, a autora comentou sobre a opção pelo formato – o livro é um breviário.

“Esperança eu não confundo com otimismo, esperança é um exercício cotidiano diante dos elementos do real para sobrevivência e para transformação. E ai pensamos, por onde nós falamos sem definir o que é esperança, é como se exercita a esperança. E qualquer exercício político pede verbos e foi daí que nós pensamos, vamos falar verbos feministas”, lembra Débora, na conversa com a editora-executiva Livia Vianna e a jornalista Simone Magno.

O livro é fruto de encontros virtuais realizados ao longo de doze sextas-feiras em que as duas e outras mulheres debatiam os verbos escolhidos pelas autoras, começando por ouvir e se encerrando com desobedecer, passando por imaginar, aproximar, acalentar, lembrar, reparar, recriar, celebrar, compartilhar e falar.

“Uma multidão aparecia, uma multidão que estava ali pela Ivone, eram mulheres de comunidades de base, de grupos religiosos e elas que trouxeram essa pergunta: Como cultivar a esperança feminista? A pergunta veio delas para nós”, conta a autora ao programa.

Para conferir o episódio completo, com imagens, acesse o Grupo Editorial Record no YouTube. Para ouvir a versão em áudio, dá o play no tocador abaixo.

 

Em Esperança feminista (Rosa dos tempos, 280 págs., R$ 59,90) Debora Diniz e Ivone Gebara – duas das principais vozes do feminismo brasileiro – se encontram para pensar a ação feminista a partir de doze verbos políticos e poéticos.

Professora universitária, Debora Diniz é conhecida amplamente pela sua atuação para garantia dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, incluindo a descriminalização do aborto. Pela reação de extermistas à sua atuação, foi obrigada a se autoexilar em 2018. Recebeu mais de cem prêmios, entre eles o prestigioso Dan David, pelo trabalho acadêmico em igualdade de gênero, e foi indicada pela importante revista Foreign Policy um dos cem pensadores globais de 2016.

Ivone Gebara é uma freira católica ecofeminista que, devido à teologia crítica que fazia – e faz – e à sua postura sobre a descriminalização do aborto, foi proibida pelo Vaticano, durante vários anos, de falar em público e divulgar suas ideias. O enfoque que dá a valores como autonomia e liberdade da mulher, que tradicionalmente são negados pela Igreja católica, faz com que seja inspiração para grupos feministas, como o importante Católicas pelo Direito de Decidir.

Em comum, as autoras trazem o estranhanhamento de uma conjugação patriarcal naturalizada, a celebração da alegria feminista e uma vida de desobediência criativa ao patriarcado e suas tramas.