“Fernão Capelo Gaivota”, de Richard Bach

12/03/2016 262 visualizações

Por Raquel Araujo

Richard Bach já era ex-piloto da Força Aérea quando, em um inexplicável momento de inspiração, surgiu em sua cabeça a história de uma gaivota que queria voar cada vez mais alto e mais rápido. Foi assim que surgiu o esboço de “Fernão Capelo Gaivota”. A história, publicada originalmente em 1970 nos Estados Unidos, ganhou uma grande repercussão e se tornou uma das obras mais populares e importantes das últimas décadas.

No livro, que conta com as fotografias de Russell Munson, Fernão acredita que voar vai além da necessidade de buscar alimentos ou lutar por uma melhor posição hierárquica no bando. Assim, naturalmente isolado, ele é rejeitado e mal visto pelas demais gaivotas. O que para os outros pássaros é motivo de vergonha, para Fernão é uma oportunidade de evoluir ainda mais. Ser diferente faz dele uma gaivota extraordinária. Fernão Capelo não queria voar para viver e sim viver para voar.

Ao comparar a liberdade com um pássaro, o autor mostra que não é necessário buscar um padrão para ser aceito, tampouco se prender a um “bando”. Fernão entende que para encontrar a genuína felicidade, precisa abrir mão do óbvio e buscar o que realmente o agrada.

A nova edição publicada pela Record inclui a quarta parte do livro. Após sofrer um acidente de avião em 2012 e passar quatro meses no hospital, Richard Bach decidiu que era o momento de compartilhar o desfecho de seu trabalho e ensinar a seus leitores como fazer suas vidas valerem mais a pena.

O romance de Bach é atemporal e, apesar de considerado um clássico infantil, é leitura fundamental para todas as idades. A magia de “Fernão Capelo Gaivota” é interpretá-lo e não apenas lê-lo. Não se trata de uma história sobre um animal qualquer, o autor usa as metáforas para proporcionar um infinito aprendizado entre reflexões sobre o mundo e as escolhas ao longo da vida. Uma fábula normalmente recomendada para crianças, mas indispensável para os adultos.

Leia um trecho abaixo:

— O que acontece a partir daqui? Para onde nós vamos? Não há esse tal lugar chamado céu?

— Não, Fernão, não há esse tal lugar. O céu não é um lugar e também não é um tempo. O céu é um ser perfeito. — Ficoucalado durante alguns segundos. — Você é um voador muito rápido, não?

— Eu… eu gosto da velocidade — disse Fernão, surpreso mas orgulhoso porque o Ancião notara esse fato.

— Você começará a tocar o céu, Fernão, no momento que alcançar a velocidade perfeita. E isso não significa voar a mil quilômetros por hora, ou um milhão, ou à velocidade da luz. Isso porque todo número é um limite, e a perfeição não tem limites. A velocidade perfeita, meu filho, é estar lá.