Flip confirma 4 autores da Record na programação oficial

24/06/2025 1512 visualizações

Uma das escritoras mais premiadas na França nos últimos, Neige Sinno foi confirmada na programação oficial da Flip 2025 e, ao lado de Nei Lopes, Pedro Guerra e Ynaê Lopes dos Santos, é uma das quatro atrações do Grupo Editorial Record em Paraty. Neige Sinno vem ao Brasil lançar pelo selo Amarcord Triste tigre, que levou os prêmios Femina, Goncourt de Lycéens, Strega Europeo e Les Inrockuptibles. A tradução da edição brasileira é de Mariana Delfini, e a vinda da autora é parte da Temporada França-Brasil 2025.

Para sua conterrânea Annie Ernaux, Triste tigre é “o livro mais poderoso e profundo que li sobre a devastação da infância por um adulto”. “Ler Triste tigre é como descer de olhos abertos em um abismo. Você é obrigado a ver, a realmente ver, o que significa ser uma criança abusada por um adulto, por anos”.

Também lançam livros inéditos em Paraty Nei Lopes e Ynaê Lopes dos Santos. Depois de ter conquistado o Jabuti com Dicionário da história social do samba, escrito em parceria com Luiz Antonio Simas, Nei volta à sua porção dicionarista com o Dicionário de direitos humanos. Simas mediará a mesa. Já a historiadora Ynaê estreia pela Civilização Brasileira com Irmãs do Atlântico: Escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e em Havana (1763-1843), no qual lança olhar original sobre a trajetória das populações escravizadas nas duas cidades e dividirá a mesa com Tiago Rogero, do projeto Quirino.

O escritor Pedro Guerra estará ao lado do italiano Sandro Veronesi para debater A extraordinária vida comum, tema que permeia o seu segundo romance, O maior ser humano vivo, lançado pela Editora Record em 2024.

“Esta edição da Flip lançará luz a elementos muito importantes para o catálogo do Grupo Record. A ficção contemporânea internacional de ponta, com Neige Sinno, a renovação da ficção brasileira, com Pedro Guerra, o pensamento crítico e original, pelas mãos de Ynaê Lopes dos Santos, e o debate sobre direitos humanos, guiado pelo enciclopédico Nei Lopes”, avalia Cassiano Elek Machado, diretor editorial do Grupo Editorial Record.

Na Casa Record, estão confirmados nomes como Jessé Souza e Conceição Evaristo. Programação completa será divulgada em breve.

NEI LOPES. Um dos nomes mais importantes da literatura e do pensamento brasileiros contemporâneos, Nei Lopes lança na Flip o Dicionário de direitos humanos (Civilização Brasileira). Bacharel em direito e ciências sociais e doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi compositor do Acadêmicos do Salgueiro e dirigente da Unidos de Vila Isabel. Intérprete e autor de sambas, como Senhora liberdade, em parceria com Wilson Moreira, Nei Lopes gravou álbuns que marcaram a história da música popular, como A arte negra de Wilson Moreira e Nei Lopes (1980) e Samba de fundamento (2012). É parceiro de bambas como o maestro Moacir Santos, Ivan Lins, Zé Renato, Fátima Guedes e Ed Motta.

Em 2023, ao completar 80 anos, lançou dois livros pela Record: Oitentáculos, volume de poemas inéditos e alguns escritos entre as décadas de 1960 e 1980, “salvos de naufrágios no mar da juventude”, como ele diz, e o romance A última volta do Rio, onde narra a história das mudanças do Rio de Janeiro do século XX através de um típico morador carioca. Premiado com o Jabuti, autor de mais de vinte títulos, uma vasta obra de estudos africanos, de cunho eminentemente pedagógico, centrada em obras de referência como dicionários e uma enciclopédia, Nei Lopes assina com Luiz Antonio Simas o Dicionário da história social do samba (Civilização Brasileira) e Filosofias africanas (Civilização Brasileira).

Sábado (02/08), às 12h.

 

NEIGE SINNO. A francesa Neige Sinno vem a Paraty lançar seu primeiro livro no Brasil, Triste tigre, vencedor dos prêmios Femina, Goncourt des Lycéens, Strega Europeo, Le Monde, Blù Jean-Marc Roberts, Les Inrockuptibles e Libraires du Québec, que sai pela Amarcord, com apoio da Embaixada da França, e tradução de Mariana Delfini. Em uma narrativa corajosa e sensível, a autora expõe a conivência social, historicamente normalizada, da cultura da pedofilia.

Escritora, tradutora e professora de literatura especializada em literatura americana, Neige Sinno foi estuprada pelo padrasto dos sete aos catorze anos. Aos dezenove, depois de deixar a casa na qual vivia em condições precárias com a família, ela quebra o pacto de silêncio e conta à mãe sobre os abusos. Ambas denunciam o padrasto pelos crimes cometidos, iniciando um processo judicial que o condenaria a nove anos de prisão. A violência que a devastou em um período tão constitutivo de sua vida é elaborada nas páginas de Triste tigre, que traduzem décadas de reflexão profunda até chegar à compreensão fugidia de algo inominável, navegando entre memórias vívidas e turvas, documentos e conversas.

No Brasil, Triste tigre venceu o Choix Goncourt 2024. O prêmio que existe desde 2019, organizado pela Embaixada da França no Brasil e a Académie Goncourt em Paris, é concedido por um júri composto por estudantes brasileiros de universidades parceiras, que leem e avaliam os romances finalistas do Prix Goncourt do ano anterior. O objetivo é promover o intercâmbio literário e a descoberta de novos autores francófonos. O livro de Neige Sinno venceu o Choix Goncourt também em outros países.

Quinta (31/07), às 15h.

 

PEDRO GUERRA. Nasceu no Ceará, onde se formou em Jornalismo. Vive em São Paulo desde 2004 trabalhando como redator publicitário. Lançou Avenida Molotov em 2018. Lançou pela Editora Record o seu segundo romance, O maior ser humano vivo, em que trata com inteligência e sarcasmo a realidade da avenida Faria Lima, centro financeiro paulistano.

Quinta (31/07), às 21h.

 

YNAÊ LOPES DOS SANTOS. Doutora em história social pela Universidade de São Paulo, é professora na Universidade Federal Fluminense e autora de Além da senzala: Arranjos escravos de moradia no Rio de Janeiro (1808-1850) e História da África e do Brasil afrodescendente. Estreia na Civilização Brasileira com Irmãs do Atlântico: Escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e em Havana (1763-1843).

Sexta (1º/08), às 15h.