Colaboradores do Grupo Editorial Record indicam autores negros

20/11/2019 531 visualizações

Hoje o Brasil celebra o Dia Nacional da Consciência Negra. A data busca promover a conscientização sobre a árdua luta do povo negro e a importância da rica cultura africana na construção do Brasil. A escolha do dia 20 rememora a morte de Zumbi dos Palmares, um líder símbolo da luta do povo negro contra a escravidão.

A partir de uma busca fundamental de recuperação e valorização de autores negros no Brasil e no mundo, grandes nomes tomam conta do circuito literário atual, após anos de invisibilidade desses escritores e escritoras. Para incentivar ainda mais a leitura dessas obras, convidamos cinco colaboradores do Grupo Editorial Record para indicar um livro. Confira os títulos abaixo:

Vitória Barbosa, estagiária de Marketing, indica: “O ódio que você semeia”, da Angie Thomas

Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.

Não faça movimentos bruscos.

Deixe sempre as mãos à mostra.

Só fale quando te perguntarem algo.

Seja obediente.

Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.

Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos – no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.

Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.


Letícia Quintilhano, do Design, indica: “A cor púrpura”, da Alice Walker

Um dos mais importantes títulos de toda a história da literatura, inspiração para a aclamada obra cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg, o romance A cor púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra extremamente atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais.


Luciana Aché, assistente editorial da Record, indica: “Agora serve o coração”, do Nei Lopes.

Debruçando-se sobre o cotidiano de algumas regiões da periferia da cidade do Rio, o carioca Nei Lopes traça um painel ficcional da fantástica mistura de criminalidade, politicagem e intolerância religiosa ali presentes, segundo os jornais. Verdades ou mentiras?

Na fictícia Marangatu — capital do boato, onde qualquer notícia sem fundamento se espalha e faz vítimas —, na Baixada Fluminense, as escolas de samba, os candomblés e a igreja católica não passam de fantasias: de verdadeiro mesmo, só as organizações criminosas e as centenas de igrejas pentecostais. Essas forças teriam sido unificadas, segundo voz corrente, sob a influência da poderosa Iaiá de Marangatu, mulher “importante, majestosa e invejada”, mas impiedosa com seus inimigos. Mestre em entrelaçar ficção e realidade, Nei Lopes recria neste romance a periferia carioca — suas glórias, orgulhos, sombras e mitos — desde os tempos coloniais até o século XXI, passando pelos anos de chumbo da ditadura militar.


Letícia Feres, editora da Civilização Brasileira, indica: “Educação não violenta”, da Elisama Santos.

A partir de sua experiência como consultora de comunicação não violenta (CNV) e comunicação consciente, educadora parental e mãe de duas crianças, Elisama Santos propõe uma conversa com pais e mães que desejam construir relações e aprendizados baseados no respeito e no diálogo – e querem estimular autoestima, autonomia, autodisciplina e resiliência em si mesmos e nos filhos. A ideia é que o processo de construção de conhecimento torna-se positivo quando ocorre por meio da empatia e reflexão crítica.

Assim, a autora apresenta conceitos que podem ajudar pais e filhos a se aproximarem, conectando-se com os próprios sentimentos e comunicando-os ao outro de forma objetiva e respeitosa: a comunicação não violenta, de Marshall Rosenberg; a atenção plena (mindfulness), do zen-budismo; a disciplina positiva, de Jane Nelsen; e a inteligência emocional, de Daniel Goleman.

Este livro é uma alternativa à cultura autoritária que justifica o uso da violência e da repressão como método educativo. Aqui buscam-se caminhos para uma educação mais solidária e compreensiva, acreditando ser possível educar as crianças com consciência, para que as próximas gerações possam colher os frutos de um mundo mais amoroso e justo.


Débora Souza, analista de Marketing e Eventos, indica: “Um defeito de cor”, da Ana Maria Gonçalves.

Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas.

Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página.