“Heresia é sobre a morte mas também sobre o amor “

6/04/2022 341 visualizações

“A vida tende a ser prolongada inutilmente. A biologia molecular quer nos transformar em seres amortais. A maioria das pessoas acha que está nas mãos de Deus ou do médico. A função do médico é curar. Ele não pode suspender a vida mas pode evitar que ela seja prolongada definitivamente.” A fala dita por Betty Milan é um dos pontos centrais de Heresia – tudo menos ser amortal (Record), seu novo romance, que mostra que é preciso conquistar maior liberdade sobre o fim da vida. O livro foi lançado na noite desta terça-feira, em uma live com participação do crítico literário Manuel da Costa Pinto e do editor-executivo da Record, Rodrigo Lacerda. Na conversa, Betty Milan lembrou o recente pedido de suicídio assistido do ator Alain Delon e explicou que o amortal do subtítulo de seu livro é aquele que continua a viver infinitamente e só morre por acidente, diferentemente do imortal.

Em Heresia, a narradora não deseja a morte da mãe em estágio avançado de Alzheimer mas quer que ela vá embora porque o fim é necessário. No velório da mãe, diante do caixão, ela passa a rememorar tudo o que aconteceu com a mãe. “É um romance sobre a morte mas também sobre o amor”, explicou a a escritora. Betty disse que levou seis, sete anos fazendo pesquisa para o livro, principalmente sobre eutanásia e ortotanásia. “Sempre tem muito estudo antes de cada romance.” Também contou com depoimentos de cuidadoras de idosos, pela maior relação de proximidade com os pacientes do que enfermeiros. “O escritor tem uma liberdade que os outros campos do saber não dão. É a razão porque a literatura nunca vai acabar. Somos seres humanos contraditórios”, afirmou Betty.

Confira a conversa na íntegra no youtube da Livraria da Travessa: https://www.youtube.com/watch?v=0nDfce-rjUM