Isabel Allende, poesia de Carpinejar, Gabriel García Márquez e mais

29/12/2020 69 visualizações

Marias dos Prazeres e outros contos, de Gabriel García Márquez  

O imaginário do mestre do realismo mágico latino-americano Gabriel García Márquez é retratado nos seis contos de Marias dos Prazeres e outros contos (Record, 114 págs, R$ 69,90). Ilustrados por Carme Solé Vendrell – a  única pessoa que deu vida aos escritos com a permissão do próprio autor  – todos os contos reunidos neste livro têm em comum a presença de uma criança. Por meio de fabulações povoadas por situações oníricas que estimulam, divertem e impressionam, o autor faz refletir sobre o poder, amor, amizade, política e História, usando a mitologia e o cotidiano da América Latina como cenário de seu universo fantástico e encantado do Prêmio Nobel de Literatura.

Carpinejar, de Carpinejar

Um livro sem título, sem prefácio, sem abas de apresentação, sem fiadores, sem notas biográficas sobre o autor, sem adornos: só poemas falando diretamente com o leitor, só com o essencial da vida. Este é o retorno de Carpinejar para a poesia depois de cinco anos em Carpinejar (Bertrand, 128 págs, R$ 29,90). Despojado, livre, feito para o despojamento, contra as aparências e as fachadas, valorizando unicamente o que está escrito. Assim como uma carta, em que reina o segredo entre o remetente e o destinatário.

Filosofias africanas, de Nei Lopes e Luiz Antonio Simas

Uma viagem ao pensamento africano pelos ganhadores do Prêmio Jabuti – Livro do ano: Nei Lopes e Luiz Antonio Simas. Filosofias africanas (Civilização Brasileira, 144 págs, R$ 34,90) trata tanto dos saberes ancestrais africanos, sua essência preservada nos provérbios, na diversidade multicultural e nos ensinamentos passados durante gerações por meio da oralidade, quanto da contribuição de filósofos africanos e afrodescendentes contemporâneos na atualização desses saberes, muitos dos quais pautados no decolonialismo. Nei Lopes e Luiz Antonio Simas, de maneira didática, mais uma vez escreveram uma obra que evidencia a complexidade, sofisticação e profundidade do pensamento africano e das perspectivas de mundo que sua filosofia provoca.

 

Mulheres de minha alma, de Isabel Allende

Em Mulheres de minha alma (Bertrand, 238 págs, R$ 49,90), Isabel Allende fala da experiência de ser mulher e mostra como o feminismo sempre esteve presente em sua vida. Ela compara a atual revolução feminista com as revoluções próprias de sua vida e celebra a veia feminista que corre pulsante em toda sua obra literária. A grande autora chilena nos convida a acompanhá-la nessa viagem pessoal e emocional em que rememora seus vínculos com o feminismo desde a infância até hoje. Relembra algumas mulheres imprescindíveis em sua vida, como as saudosas Panchita, sua mãe, Paula, sua filha, e a lendária agente literária Carmen Balcells; escritoras relevantes como Virginia Woolf e Margaret Atwood; jovens artistas que personificam a rebeldia de sua geração; ou, entre muitas outras, as mulheres anônimas que sofreram violência e, cheias de dignidade e coragem, levantaram-se e seguiram em frente… Elas são as mulheres que a inspiraram e acompanharam ao longo da vida, são as mulheres de sua alma.

Então você quer conversar sobre raça, de Ijeoma Oluo 

Best-seller do New York Times, Então você quer conversar sobre raça (Best-Seller, 312 págs, R$ 49,90) é uma leitura indispensável sobre a questão de raça e tudo o que a envolve. Escrito por Ijeoma Oluo é um livro essencial para os dias de hoje. Diante dos últimos acontecimentos mundiais relacionados à supremacia branca, da violência policial ao encarceramento em massa da população negra, a autora orienta os leitores de todas as raças sobre assuntos que vão desde interseccionalidade e ações afirmativas a questões que envolvem as “minorias modelo” e o lugar de fala. Mas tendo sempre em vista tornar possível o aparentemente impossível: criar um espaço para conversas honestas sobre raça e racismo, e também sobre sua presença em vários setores da sociedade e aspectos de nossa vida.

 

Muhammad Ali: Uma vida, de Jonathan Eig

Cassius Clay nasceu na segregada cidade de Louisville, no estado americano de Kentucky, filho de um pintor de placas e de uma dona de casa. Tornou-se boxeador peso-pesado com um misto de potência e velocidade, guerreiro do orgulho racial, comediante, pastor, poeta e ator. Milhões de pessoas o odiaram quando adotou uma nova religião e um novo nome – Muhammad Ali –, recusando-se a lutar na Guerra do Vietnã. Em Muhammad Ali: Uma vida (Record, 770 págs, R$ 142,90), uma biografia excepcional de Jonathan Eig, baseada em extensa e inédita pesquisa, com acesso a entrevistas, documentos e gravações do FBI e do Departamento de Estado americano da década de 1960, vemos o retrato de uma das personalidades mais ilustres da segunda metade do século XX. Das lutas mais famosas da história do boxe aos detalhes mais íntimos da trajetória pessoal de Ali, sua atuação política, a desastrosa vida financeira, sua fé e os momentos em que sua saúde começou a se deteriorar. Muhammad Ali foi um símbolo de liberdade e bravura, um herói para muitos; foi também um guerreiro capaz de derrotar qualquer oponente até ser finalmente nocauteado por sua própria recusa em se retirar do ringue.

Os seis meses em que fui homem, de Rose Marie Muraro

A Patrona do Feminismo Brasileiro, Rose Marie Muraro, analisa sua participação no mundo masculino do poder em Os seis meses em que fui homem (Rosa dos Tempos, 304 págs, R$ 49,90). A obra é um ensaio vivo e atual que tem como mote a participação da autora como candidata a deputada federal na Constituinte de 1988. Publicado pela primeira vez em 1990, oferece um olhar sobre o tempo histórico que nos ajuda a entender como o feminismo chegou até aqui. Uma análise rica de informação nos campos da antropologia, da arqueologia, da história, da política e da física, com o fio condutor da cultural diferença sexual, surge como um turbilhão de possibilidades. Um verdadeiro espírito livre, Rose Marie Muraro nos ajuda hoje a encontrar um espelho no qual as mulheres brasileiras possam se olhar com respeito e amor a si mesmas.

O sujeito na contemporaneidade – Espaço, dor e desalento na atualidade, de Joel Birman

Vencedor do Prêmio Jabuti 2013 – categoria Psicologia e Psicanálise – e do Prêmio Sergio Buarque de Hollanda, da Biblioteca Nacional, O sujeito na contemporaneidade (Civilização Brasileira, 160 págs, R$ 59,90) trata de uma alteração fundamental, ocorrida da modernidade à atualidade, que aconteceu nas categorias constitutivas do sujeito, redirecionando as linhas de força do seu mal-estar. Cada um dos dez capítulos é parte de um quadro que traz a força do que é hoje a experiência subjetiva. Trabalhando dinamicamente, três pares interligados tecem a trama – espaço/tempo, dor/sofrimento, desalento/desamparo.

Educação e mudança, de Paulo Freire 

Escrito originalmente em espanhol e publicado pela primeira vez no Brasil em 1979, Educação e mudança ( Paz & Terra, 112 págs, R$ 39,90) coincide com o retorno de Paulo Freire ao país, após seu exílio forçado pela ditadura civil-militar brasileira. Quatro estudos formam este livro, que aborda os mais diferentes aspectos da relação do homem e seu estar no mundo. Vemos aqui como o compromisso com a própria realidade é a peça-chave para que todas as pessoas se sintam pertencentes à sociedade e possam transformá-la. “Quando um ser humano pretende imitar outrem, já não é ele mesmo. Assim também a imitação servil de outras culturas produz uma sociedade alienada ou sociedade-objeto. Quanto mais alguém quer ser outro, tanto menos ele é ele mesmo. A sociedade alienada não tem consciência de seu próprio existir. Um profissional alienado é um ser inautêntico. Seu pensar não está comprometido consigo mesmo, não é responsável. O ser alienado não olha para a realidade com critério pessoal, mas com olhos alheios. Por isso vive uma realidade imaginária e não a sua própria realidade objetiva. Vive através da visão de outro país. Vive-se Rússia ou Estados Unidos, mas não se vive Chile, Peru, Guatemala ou Argentina.”

Educação e emancipação, de Theodor W. Adorno 

Considerado um dos intelectuais mais influentes e brilhantes deste século, Theodor W. Adorno constata em Educação e emancipação (Paz & Terra, 208 págs, R$ 52,90) como a formação pode conduzir à barbárie e à dominação, algo que o nazismo revelou ao propagar nas instituições escolares uma “falsa cultura”, que impedia o pensamento crítico. Uma das principais questões que o filósofo se pergunta é como este mundo, tão desenvolvido científica e tecnologicamente, pode ter ao mesmo tempo tanta miséria. Prestar atenção ao que acontece no mundo obriga a entender a formação das pessoas e analisar o papel tanto das instituições de ensino como dos meios de comunicação. Os textos revelam o interesse de Adorno pela dimensão emancipatória que deve promover educação, cultura e ética destinadas à formação de pessoas democráticas.