Jornalista Audálio Dantas morre aos 85 anos

1/06/2018 9 visualizações

Jornalista conhecido por sua atuação em defesa dos direitos humanos, Audálio Dantas nasceu em Tanque d’Arca (AL), em 8 de julho de 1932. Em 1954 começou como repórter da Folha da Manhã (atual Folha de S. Paulo). Em 1958, publicou reportagem sobre o diário em que Carolina Maria de Jesus registrava o seu dia a dia na favela do Canindé, em São Paulo. No ano seguinte transferiu-se para a revista O Cruzeiro , onde foi redator e chefe de reportagem. Na mesma época fez a compilação dos diários de Carolina Maria de Jesus resultando no livro “Quarto de despejo: Diário de uma favelada”, que alcançou grande sucesso no Brasil e no exterior.

Presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, entre 1975 e 1978, onde conduziu os protestos pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog numa dependência do II Exército. Em seguida foi eleito deputado federal pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em 1981 recebeu na ONU prêmio por sua atuação em defesa dos direitos humanos. Publicou, pela Civilização Brasileira, o livro “As duas guerras de Vlado Herzog”, no qual refez a trajetória do menino judeu que se transformou em uma das vítimas mais emblemáticas da ditadura militar no Brasil. Com base em depoimentos e na apuração rigorosa das circunstâncias, aliada à autoridade de ter testemunhado e denunciado a história, ele reconstituiu todos os detalhes da prisão de Vlado e levantou novas questões sobre a versão oficial da sua morte.

Audálio Dantas morreu na última quarta-feira, aos 85 anos, em decorrência de um câncer.