Racismo e antirracismo, a origem da espécie, Juan Rulfo e mais

5/05/2021 242 visualizações

Marcados – Racismo, antirracismo e vocês, do Jason Reynolds e Ibram X.Kendi

Marcados: Racismo, antirracismo e vocês (Galera, 238 págs, R$ 39,90) delineia a história do racismo, expondo como diversas narrativas políticas, literárias e filosóficas ao longo do tempo foram utilizadas com a finalidade de justificar a opressão em massa, a escravidão e o genocídio de pessoas negras. Dessa maneira os premiados Jason Reynolds e Ibram X. Kendi conduzem essa jornada, apresentando como ideiais racistas tiveram início, de que formas foram difundidas e, principalmente, como podem ser desacreditadas e desconsideradas. Por meio de uma emocionante, envolvente, acelerada e enérgica narrativa, Marcados não apenas direciona os holofotes para as várias e distintas formas de racismo presentes no dia a dia, mas também para quais estratégias você pode – e deve – adotar para identificar e eliminar, em seu cotidiano, pensamentos e posturas racistas, com o objetivo de criarmos um futuro justo, igualitário, consciente e, sem dúvidas, melhor.

A origem da espécie – O roubo do fogo e a noção de humanidade, do Alberto Mussa

A origem da espécie (Record, 352 págs, R$ 54,90) é um ensaio literário que reconstitui as personagens e o arcabouço da trama original do Mito do Roubo do Fogo — um poderoso programa ideológico, um código dos valores fundamentais da humanidade primordial, que inclui: o alimento cozido; a caça como expressão da inteligência; o tabu do incesto; e o poder “xamânico”, segundo o qual “ser plenamente humano é não ser apenas humano”. Assim reconstituído e interpretado, o Mito do Roubo do Fogo ainda lança luz sobre a polêmica questão da origem da linguagem, provavelmente surgida em hominídeos mais antigos que o Homo sapiens. À semelhança de um filólogo que estuda e compara diversos manuscritos antigos e anônimos de um mesmo poema ou narrativa, Alberto Mussa escreve aqui, em sua obra mais radicalmente pessoal, o que pensa — ou o que sente — sobre o roubo do fogo, assim como sobre a compreensão da verdadeira noção de humanidade, concebida no paleolítico, ou a de sociedade, como existe hoje.

Tudo o que importa – Uma vida transformada pelo minimalismo, do Joshua Millburn Fields e Ryan Nicodemus

E se tudo o que você sempre quis não fosse o que você deseja de verdade? Aos vinte e poucos anos, Joshua Fields Millburn achava que tinha tudo o que qualquer um poderia desejar. Mas após a perda da mãe e o fim do casamento no mesmo mês, Millburn começou a questionar todos os aspectos da vida que havia construído e acabou descobrindo um estilo de vida conhecido como minimalismo. Na busca por algo mais substancial do que o consumo compulsório, ele se desfez da maior parte de seus bens materiais, pagou dívidas e abandonou sua carreira. Tudo o que importa (BestSeller, 256 págs, R$ 44,90) não é um livro sobre como fazer o mesmo, mas sobre o porquê. Os adeptos do minimalismo não se concentram em ter menos bens materiais. O foco, na verdade, é abrir espaço para mais: mais tempo, mais paz, mais criatividade, mais experiências, mais satisfação, mais liberdade. Por meio do minimalismo, Joshua e Ryan nos mostram que quando damos menos importância para bens materiais, abrimos espaço para o que realmente importa na vida.

Chão em chamas, do Juan Rulfo

Chão em chamas (José Olympio, 208 págs, R$ 49,90) é o primeiro e único de livro de contos de Juan Rulfo, o escritor mexicano referenciado por nomes como Gabriel García Márquez, Jorge Luis Borges e Susan Sontag. A jornada de Chão em chamas guia o leitor através da árida paisagem do estado de Jalisco, oeste mexicano. Ambientados nesse lugar da primeira infância de Juan Rulfo, os escritos aqui reunidos transitam entre a crueza de um realismo e a fantasia própria da existência latino-americana. A construção deste livro foi por si só foi uma peregrinação. Os primeiros contos de Rulfo foram publicados nas revistas literárias Pan e América e, graças a sua qualidade, o autor logrou receber uma bolsa do Centro Mexicano de Escritores, quando escreveu mais sete histórias, e assim publicou a primeira versão de Chão em chamas em 1953. Ainda não satisfeito, Rulfo impôs ao livro mais revisões, adições e cortes, tanto de trechos e como de contos, até que, em 1970, assumiu uma forma final – sendo esta a versão a considerada para a presente edição brasileira.

A rainha dos funerais, da Madeleine Wickham

Em A rainha dos funerais (Record, 294 págs, R$ 49,90), Sophie Kinsella explora a vida de Fleur Daxeny, uma mulher viciada em chapéus de grife, cartões de crédito ilimitados e homens ricos. Nem anjo nem demônio, a bela e sedutora heroína se esforça para sustentar seu estilo de vida. Que melhor local para garantir a próxima conquista do que num funeral? Afinal, um recém-viúvo está sempre precisando de um ombro amigo. Parecia o plano perfeito… exceto que seus interesses materiais entram em conflito com os do coração ao conhecer Richard Favour, um homem doce e amoroso, ainda tentando superar a morte da esposa. Fleur se flagra desejando ser mais que uma amiga para ele. O único problema é a conta bancária de Richard. Com a maluca década de 1990 como cenário, Madeleine Wickham brinca com as nuances da psique humana de cada personagem e de suas idiossincrasias, e nos faz refletir sobre a maneira como nos relacionamos, o perpétuo idealismo em justaposição com a sólida realidade, sem jamais perder de vista que, por trás da montanha de desespero, a esperança sempre continua a brilhar.

Fácil – A arte francesa de ter sucesso sem esforço, do Ollivier Pourriol

Fácil (Record, 182 págs, R$ 49,90) é uma leitura imprescindível para quem deseja aprender a filosofia francesa para alcançar o sucesso com o mínimo de esforço. O tempo todo somos levados a acreditar que é necessário muito esforço para alcançar os nossos objetivos. É preciso sofrer em prol da beleza, trabalhar em dobro, dedicar-se para aprender um novo idioma ou para tocar um instrumento musical — nada vem fácil. O filósofo francês Ollivier Pourriol tenta aqui dissuadir dessa ideia: para o autor, em determinadas situações, o esforço não apenas é inútil como também contraproducente. O que pode ser menos sedutor do que alguém que está tentando seduzir? A sedução é uma arte de fazer sucesso sem esforço, algo que os franceses dominam. Eles nem sequer parecem estar tentando, mas os resultados são mundialmente conhecidos: os trabalhos de filósofos como Descartes e Deleuze, de escritores como Stendhal e Françoise Sagan, e de atletas como Zinedine Zidane ou o equilibrista Philippe Petit. Tudo graças a um je ne sais quoi que é a chave para uma vida mais criativa e produtiva.

Como o Rei de Elfhame aprendeu a odiar histórias, da Holly Black

Retorne, em Como o Rei de Elfhame aprendeu a odiar histórias (Galera, 192 págs, R$ R$ 69,90), ao cativante e irresistível universo da série best-seller O Povo do Ar. Era uma vez, em uma terra mágica e distante, um garoto com uma língua perversa. Antes de se tornar um príncipe cruel ou um rei perverso, Cardan era uma criança fada conhecida por ter um coração de pedra. Na trama, a autora best-seller #1 do New York Times Holly Black revela um olhar mais profundo sobre a vida do enigmático Grande Rei de Elfhame. No Reino das Fadas, um príncipe jovem, perigosamente bonito e, acima de tudo, cruel conhece Jude, uma humana criada em Elfhame. Uma trilogia inteira é dedicada a contar a história de sua perspectiva, mas, agora, Cardan está no centro das atenções. Esta história inclui maravilhosos e precisos detalhes da vida do Grande Rei antes dos acontecimentos de O príncipe cruel, uma aventura que ultrapassa as fronteiras de A rainha do nada e, ainda, momentos fundamentais vistos anteriormente pela perspectiva de Jude, narrados na íntegra pelo ponto de vista de Cardan.

Positiva, da Camryn Garrett

Positiva (Verus, 280 págs, R$ 44,90) é um livro forte e inspirador sobre uma adolescente encontrando o seu lugar no mundo e aprendendo a viver a sua verdade. Simone Garcia-Hampton está em uma nova escola, e desta vez as coisas vão ser diferentes. Ela está fazendo amigos de verdade, envolvida com a turma do teatro e interessada em Miles, o cara que a faz derreter só de olhar para ela. A última coisa que Simone quer é que saibam que ela tem HIV, porque da última vez… bem, da última vez as coisas ficaram feias. Manter a carga viral sob controle é fácil, mas manter o diagnóstico em segredo não é tão simples assim. Quando Simone e Miles começam a namorar – e os beijos tímidos se transformam em algo mais –, as sensações vão muito além de um frio na barriga. Ela sabe que precisa abrir o jogo, mas tem medo de como ele vai reagir. Até encontrar um bilhete anônimo em seu armário: ou ela para de sair com Miles, ou a escola inteira vai saber que ela é HIV positiva. O primeiro instinto de Simone é proteger seu segredo a todo custo, mas, à medida que vai entendendo melhor as raízes do preconceito e do medo em sua comunidade, ela começa a se perguntar se a única maneira de superar tudo isso não seria enfrentar os inimigos de cabeça erguida.

Moxie: Quando as garotas vão à luta, da Jennifer Mathieu

Doce, engraçado e inspirador, Moxie (Verus, 288 págs, R$ 49,90) ganha uma nova cara com a adaptação cinematográfica da Netflix. O livro fala sobre feminismo direcionado para meninas adolescentes. Vivian Carter está cansada. Cansada da direção da escola, que nunca acha que os jogadores do time de futebol estão errados. Cansada das regras de vestuário machistas, do assédio nos corredores e dos comentários babacas dos caras durante a aula. Mas, acima de tudo, Viv está cansada de sempre seguir as regras. A mãe de Viv era dura na queda, integrante das Riot Grrrls nos anos 90. Inspirada por essas histórias, Viv pega uma página do passado da mãe e cria um fanzine feminista que distribui anonimamente para as colegas da escola. É só um jeito de desabafar, mas as garotas reagem. Logo Viv está fazendo amizade com meninas com quem nunca imaginou se relacionar. E então ela percebe que o que começou não é nada menos que uma revolução feminista no colégio.

O cigano e outras histórias, da D.H Lawrence

Nesta coletânea exclusiva, estão incluídos os seguintes contos: “As filhas do pastor”, “O espinho na carne”, “Um estilhaço de vitral”, “O oficial prussiano” e “O cigano”. Este último, que dá título ao livro, surpreende pela lucidez do ponto de vista do autor, ainda na década de 1920. É por meio da história da jovem Yvette, filha do vigário, oprimida pela avó e pelas tias e pressionada pelo homem que quer lhe desposar, que Lawrence questiona o posicionamento da sociedade. Quando a moça sai de sua rotina e permite-se ter sentimentos por um misterioso cigano que cruzou seu caminho, suas crenças são colocadas em xeque e ela compreende ser protagonista de sua própria vida. O desejo permeia todas as histórias, aparecendo como importante direcionamento na vida dos personagens. Lawrence retrata o sexo como algo natural, parte da essência humana e que conecta o homem à natureza, tendo por isso sido considerado imoral pela sociedade da época. Sua obra, muito mais profunda do que a obscenidade à que foi reduzida então, traz ainda questionamentos de caráter social e o contraste da industrialização com a vida no campo e com as tradições. Mesmo tendo sido escrita no início do século XX, O cigano e outras histórias (José Olympio, 256 págs, R$ 39,90) permanece atual e instigante.

A modernidade em um julgamento sem fim, do Leszek Kołakowski

A modernidade em um julgamento sem fim (Civilização Brasileira, 322 págs, R$ 94,90) reúne artigos do polêmico filósofo conservador e marxista revisionista Leszek Kołakowski. Os trabalhos selecionados pelo próprio autor foram escritos entre os anos de 1973 e 1986, e reúnem de maneira exemplar os principais pensamentos dessa figura controversa que, na década de 1960, posicionou-se contra o stalinismo e, por defender uma linha mais humanizada do marxismo, foi expulso do Partido Comunista Polonês. Compartilhando da tradição do “incômodo”, Kołakowski pergunta-se largamente em diferentes perspectivas: “o que há de errado com Deus? Com a democracia? Com o socialismo? Com a arte? Com o sexo? Com a família? Com o crescimento econômico? Parecemos viver com a sensação de uma crise generalizada, incapazes, no entanto, de identificar claramente suas causas.” As grandes questões individuais e coletivas misturam-se, e o autor se posiciona: seguimos dando respostas simplórias a perguntas profundas. Mas como podemos, então, refazê-las ou encará-las com profundidade?

A fênix, do Sidney Sheldon e Tilly Bagshawe

Emocionante e de tirar o fôlego, A fênix (Record, 434 págs, R$ 54,90) tem o glamour, o suspense e as reviravoltas de um thriller clássico de Sidney Sheldon. Nele, Ella Praeger nunca se sentiu confortável no mundo. Sem saber lidar com outras pessoas, limita-se a uma vida pacata em seu emprego de analista de dados em São Francisco. No entanto, quando sua avó Mimi morre, ela encara um passado há muito deixado para trás. Quando tinha 5 anos, Ella perdeu os pais em um acidente de carro, por isso foi criada no rancho da avó, onde foi forçada a desenvolver habilidades de sobrevivência como caçar, pescar e cortar lenha. Mas agora, ao desocupar a casa de Mimi para vendê-la, Ella descobre que pode ter vivido uma mentira. Um homem estranho comparece ao velório, o que deixa Ella intrigada. Então, dias depois, ele reaparece em São Francisco para convocá-la a se juntar às fileiras do Grupo, uma força que trabalha nas sombras para cuidar daquilo que serviços governamentais de segurança e inteligência não conseguem resolver.

BOXES:

O castelo animado, da Diana Wynne Jones 

Universo mágico criado por Diana Wynne Jones O castelo animado (Galera, 1056 págs, R$ 139,90) é inspirado na animação  do Studio Ghibli. Em um novo e lindo projeto gráfico, os três livros da série estão reunidos pela primeira vez em um box rígido acompanhado de marcadores e cards. Nomeado pela revista Times como uma das fantasias mais icônicas de todos os tempos, O castelo animado é um clássico infantojuvenil. Ex-aluna de personalidades como C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien, Diana Wynne Jones imprimiu em seus livros a dose necessária de magia e fantasia para que qualquer um, independente da idade, se apaixonasse e se deixasse levar por seus bem construídos e clássicos universos. De um modo ou outro as histórias do Box O castelo animado são interligadas, e definitivamente, o que você precisa para escapar do mundo real e viajar para bem longe: em um tapete diferente, para uma cidade distante, refúgio de poções mágicas, personagens fantásticos e um segredo a cada esquina.

Biblioteca Essencial do Feminismo

Esta Biblioteca Essencial do Feminismo (Rosa dos Tempos, 1352 págs, R$ 179,90) apresenta quatro livros que reúnem de fato o que há de essencial, fundamental, no pensamento feminista.  A mística feminina, clássico de Betty Friedan, que inaugurou a segunda onda, indica que a “causa real para o feminismo […] era o vazio do papel da esposa dona de casa”. O mito da beleza, de Naomi Wolf marcou o início da terceira onda, afirmando que “Estamos em meio a uma violenta reação contra o feminismo, que emprega imagens da beleza feminina como uma arma política contra a evolução da mulher”. O feminismo é para todo mundo apresenta o feminismo negro e visionário de bell hooks, que registra: “O feminismo é um movimento para acabar com sexismo, exploração sexista e opressão”. Feminismo em comum, de Marcia Tiburi, é uma bela introdução aos feminismos, incluindo o trans e o indígena, e nos conta que “O feminismo é o contrário da solidão”.