Liberação de Auschwitz, que completa 75 anos, inspira sugestões de leitura

23/01/2020 127 visualizações

Os 75 anos da liberação do campo de concentração de Auschwitz, o maior e mais cruel símbolo do Holocausto, será lembrado nesta segunda (27). Estima-se que 1,1 milhão de pessoas (judeus em sua grande maioria) tenham morrido de fome, doenças ou em câmaras de gás no complexo de 40 campos de concentração na Polônia. Outras vítimas incluíam prisioneiros russos, poloneses, ciganos e gays. A resistência e a luta pela sobrevivência a um dos mais cruéis capítulos da história contemporânea resultou em inúmeros relatos que deram origens a livros.

O mais famoso deles, sem dúvidas, é o escrito por Anne Frank.  A Editora Record, a única no Brasil licenciada pela Fundação Anne Frank, lançou em dezembro uma coletânea com a obra completa da menina que passou os últimos anos de vida escondida num anexo. Além do famoso diário, Obra reunida compila outros textos menos conhecidos dela. Os fãs e estudiosos encontrarão correspondências, fotos raras e o trecho de um romance inacabado.

Confira abaixo sugestões de livros de ficção inspirado na história de resistência ao regime nazista.

O céu que nos oprime (Ed. Bertrand Brasil), de Christine Leunens

Como muitos meninos austríacos na época da anexação da Áustria ao Reich alemão, no fim da década de 1930, Johannes Betzler abraça inocentemente o sonho nazista. Integrante da Juventude Hitlerista, ele descobre que seus pais estão escondendo uma jovem judia, Elsa Kor, atrás de uma parede falsa em sua casa, em Viena. Seu horror inicial vira interesse, depois amor e obsessão. Após o desaparecimento de seus pais, Johannes descobre que ele é a única pessoa ciente da existência de Elsa e único responsável por sua sobrevivência. Manipulando e sendo manipulado, Johannes teme o fim da guerra: com isso virá a perspectiva de perder Elsa e um relacionamento que varia entre paixão e obsessão, dependência e indiferença, amor e ódio. O céu que nos oprime é uma obra emocionante e magistral que examina verdades e mentiras nos níveis político e pessoal, revelando os aspectos mais sombrios da alma humana.

 

Somos os que tiveram sorte (Ed. Record), de Georgia Hunter

Era primavera de 1939 quando três gerações da família Kurc se viram diante dos horrores nazistas que se prenunciavam na Europa. Tornando inevitável, a família Kurc é separada, e todos precisam desesperadamente encontrar um caminho para a segurança. Genek e sua esposa Herta são levados para o exílio na Sibéria, Addy tenta fugir do continente, enquanto os outros lutam para escapar da morte certa, seja trabalhando horas exaustivas de estômago vazio nas fábricas do gueto, seja se escondendo sob identidades falsas à vista de todos. Baseado na história da família de Georgia Hunter, Somos os que tiveram sorte retrata como os Kurc, lutando para sobreviver aos horrores e às atrocidades que assolaram a Europa durante a Segunda Guerra Mundial, jamais perderam a esperança.

 

 

Sonata em Auschwitz (Ed. Record), da Luize Valente

Um bebê nascido nas barracas de Auschwitz-Birkenau em outubro de 1944 e uma sonata composta por um jovem oficial alemão, na mesma data, também em Auschwitz, dão origem a duas histórias que se cruzam e se completam. Décadas depois, Amália, portuguesa com ascendência alemã, começa a levantar o véu do passado nazista de sua família a partir de uma partitura que lhe é revelada por sua bisavó. A dúvida de que o avô, dado como morto antes do fim da Segunda Guerra, possa estar vivo no Rio de Janeiro leva Amália a atravessar o oceano e a conhecer um casal de judeus sobreviventes do Holocausto. A ascensão do nazismo em Berlim, a saga dos judeus húngaros da Transilvânia, os mistérios acontecidos no campo de extermínio da Polônia e o pós-guerra numa casa cheia de segredos à beira de um lago de Potsdam oferecem os trilhos que Amália percorrerá para montar o quebra-cabeça.

 

Uma vez (Ed. Paz & Terra), de Morris Gleitzman

Felix Salinger, um menino judeu que mora na Polônia, adora ler e é ótimo em escrever e contar histórias. E é isso o que ele mais faz enquanto espera, num orfanato católico, o pai e a mãe, que foram cuidar da livraria da família. Uma vez, na fila do jantar, Felix ganhou uma sopa com uma cenoura inteira. Naqueles tempos em que era impossível até mesmo ter pão fresquinho no café da manhã, uma cenoura inteira só podia ser um sinal. A mensagem ficou mais clara quando livros judeus da biblioteca do orfanato foram transformados em uma imensa fogueira. Seus pais e a livraria da família estavam em perigo. O garoto sabia que precisava voltar para casa para ajudá-los. Assim começa a jornada de Felix por um país tomado por soldados nazistas, vizinhos delatores, mas também por pessoas dispostas a ajudar. A incrível imaginação do garoto é sua melhor companhia para compreender a terrível realidade que o cerca. Este livro nos faz testemunhas do horror do Holocausto pelo doce e inocente olhar de uma criança.