Livros para entender a República Brasileira

14/11/2019 104 visualizações

Hoje o Brasil completa 130 anos da Proclamação da República e do fim da monarquia presidencialista. Muita coisa aconteceu desde então e as páginas dessa história se desdobraram em inúmeros acontecimentos, alguns muito bons, outros devastadores, que nos deixam, ainda hoje, quase um século e meio depois, sem muitas certezas sobre o futuro da democracia brasileira.

Para ajudar a entender tudo o que se passou desde aquele 15 de novembro de 1889, no Rio de Janeiro, e também o período que atravessamos hoje, montamos essa seleção de livros que abordam diretamente a República do Brasil e seus desdobramentos, personagens e períodos. Aproveite o feriado para se informar, aprender ou presentear alguém com um pouco de História do Brasil.

Coleção O Brasil Republicano, organizada por Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves

A Coleção Brasil Republicano, uma das referências mais importantes sobre o tema no país, busca falar sobre as transformações ocorridas na República desde sua proclamação em 1889. São cinco volumes organizados pelos historiadores Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves que dividem o período republicano em cinco momentos: O tempo do liberalismo oligárquico (Vol. 1), O tempo do nacional-estatismo (Vol. 2), O tempo da experiência democrática (Vol. 3), O tempo do regime autoritário (Vol. 4) e O tempo da Nova República (Vol. 5).

 

 


1988: Segredos da constituinte, Luiz Maklouf

Trinta anos depois da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, que marcou a redemocratização brasileira, Luiz Maklouf Carvalho vai em busca das respostas para entender o que foi o período de vinte meses em que o país acompanhou a elaboração da chamada Constituição Cidadã, o que mudou desde aquela época e o que podemos aprender com a experiência. Por meio de 43 entrevistas exclusivas com os principais personagens da Constituinte — de José Sarney a Michel Temer —, o jornalista questiona, interroga, sacode o passado para que o encarem de frente, trazendo à tona conchavos, traições, ameaças e resistência, sem nunca esquecer o poder do povo, tão presente e fundamental.

 

 


Capanema, A história do Ministro da Educação que atraiu intelectuais, tentou controlar o poder e sobreviveu à Era Vargas, de Fábio Silvestre Cardoso

Entre 1927 e 1979, Gustavo Capanema Filho teve atuação política destacada no país. Nome importante para desvendar as motivações, a agenda e a natureza daqueles que buscam ocupar um espaço no poder, é reconhecido pela sua gestão à frente do Ministério da Educação e Saúde entre 1934 e 1945, mas sua participação no debate político não se restringiu às reformas que promoveu na educação: também foi uma das ferramentas do Estado Novo para cooptar intelectuais para a adesão ao regime, por suas conexões com nomes como Carlos Drummond de Andrade e Cândido Portinari. Exemplo raro de figura que se renovou no poder como pôde, ocupando  posições diferentes, mas sempre de forma pragmática, Capanema soube agir de modo a preservar o status que possuía. É essa a história que merece ser contada.


Uma mulher vestida de silêncio:
A biografia de Maria Thereza Goulart, de Wagner William
 

A vida da mais célebre primeira-dama do Brasil com relatos inéditos de acontecimentos da vida íntima dos Goulart que se misturam à vida política do país. Uma mulher vestida de silêncio revela a trajetória extraordinária de Maria Thereza Goulart. Filha de imigrantes italianos, nascida em uma pequena cidade fronteiriça do Rio Grande do Sul, tornou-se a mais jovem primeira-dama do Brasil, capa das maiores revistas nacionais e internacionais. Mas quem, de fato, era aquela moça tão linda, tão fora de padrão, que encantou o país comandado pelo marido? A biografia dessa personalidade forte e ao mesmo tempo frágil, alvo de enorme interesse e admiração, inveja, competição e preconceitos, conta também a história de um dos mais importantes períodos da multifacetada vida política e social do Brasil.

 

 


A República em transição: Poder e direito no cotidiano da democratização brasileira (1982 a 1988), Raymundo Faoro

Raymundo Faoro foi um dos mais importantes cientistas sociais brasileiros, referência obrigatória no estudo da teoria política do Brasil contemporâneo. Nestes 61 artigos — publicados em sua coluna semanal na revista IstoÉ Senhor entre 1982 e 1988 —, é inevitável constatar certo grau de permanência de sua interpretação patrimonialista do Brasil. Analisar estes textos além da conjuntura política de redemocratização que os estimulou e trazê-los até o presente não revela apenas a contingência da transição do autoritarismo para o atual regime: revela-nos também o conteúdo essencial da política brasileira. Existirão ainda resquícios do pacto patrimonialista que herdamos? De 1988 até hoje, passaram-se 30 anos; um bom tempo para avaliar, por meio desta leitura, se Faoro estava certo em seus temores.


Sobre lutas e lágrimas: Uma biografia de 2018, de Mário Magalhães

O autor articula de forma magistral acontecimentos e personagens como: a caçada irracional a macacos considerados transmissores da febre amarela, a intervenção militar no Rio de Janeiro, o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, a prisão de Lula, a paralisação dos caminhoneiros, o Dr. Bumbum, a ascensão da censura, a tragédia do feminicídio, a queda de Neymar na Copa, o delírio Ursal, o espectro do nazifascismo, o incêndio no Museu Nacional, a violência no processo das eleições, a facada em Bolsonaro, a ilusão do vira-voto, o triunfo da extrema direita, o “ninguém solta a mão de ninguém”… E também o clã Bolsonaro e suas ligações perigosas, o ideário obscurantista do novo governo, a pregação do movimento Escola Sem Partido, a luta contra as trevas, entre outros eventos que fizeram de 2018 um ano que tão cedo não vai terminar.


Senhor República, de Carlos Marchi

Empresário e político, Teotônio Vilela foi defensor da ditadura até reconhecer a repressão do regime e se tornar precursor da luta pela redemocratização do Brasil. Não por acaso, chama-se Senhor República esta biografia do “menestrel de Alagoas” cantado por Milton Nascimento: é a história recente da nossa República compondo em mosaico a vida de um dos maiores políticos que o país já teve. Autor de Todo aquele imenso mar de liberdade (biografia de Carlos Castello Branco), o jornalista Carlos Marchi empenha aqui mais uma vez o seu talento para a narrativa, entrelaçando a vida pessoal de Teotônio Vilela com a história contemporânea do Brasil.

 

 


A Revolta da Chibata, de Edmar Morel

A nova edição do livro que cunhou o termo Revolta da Chibata Este é o livro reúne documentos, entrevistas, artigos e fotos sobre a história da rebelião na Marinha de Guerra, em 1910, liderada por João Cândido, o Almirante Negro, que tinha o objetivo de acabar com os castigos corporais aos marinheiros e, num plano mais elevado, instaurar justiça social e dignidade na sociedade brasileira da época. Publicado originalmente em 1959, A Revolta da Chibata lembra fatos que a história oficial havia esquecido: os tenebrosos massacres na Ilha das Cobras, lugar em que os revoltosos, já anistiados, foram confinados em uma masmorra cheia de cal; e o navio Satélite, que levou, em seu porão, centenas de marinheiros para os confins da Amazônia, onde foram vendidos como escravos ou simplesmente fuzilados.

 


A ditadura militar e a longa noite dos generais: 1970-1985, de Carlos Chagas

O encerramento do impecável trabalho sobre a ditadura militar no Brasil, inaugurado em A ditadura militar e os golpes dentro do golpe: 1964-1969 Com a autoridade de quem conhece o poder por fora e por dentro, as condições, o papel e a influência da mídia, e as armadilhas do processo político, o jornalista Carlos Chagas trata aqui da trajetória do movimento militar desde 1970, com o poder exercido pelo general Garrastazu Médici, passando pelo período do general Ernesto Geisel até o último dia de governo de João Baptista Figueiredo. Com a clareza e objetividade que caracterizam o seu texto, Chagas resgata, por meio do olhar da imprensa, os matizes – vívidos e de rara importância – daqueles conturbados anos, impulsionados pelas contradições inerentes a um país mergulhado em desafios políticos, econômicos e sociais. O resultado é uma obra de referência obrigatória para a compreensão da ditadura militar no país.


capa João Goulart: Uma biografiaJoão Goulart: Uma biografia, de Jorge Ferreira

Fruto de dez anos de pesquisa do historiador Jorge Ferreira, o livro abrange aspectos nunca antes pesquisados deste político cuja trajetória teve influência decisiva para a história do país. Até hoje, tudo o que se escreveu sobre o ex-presidente João Goulart confinou sua memória a dois dias definitivos na história do país: 31 de março e 1º de abril de 1964. Falar de João Goulart é fazer referências ao golpe civil-militar de 1964. É a história de uma vida – pública, mas também da vida privada. Com base em múltiplas fontes, o autor demonstra a importância política de Jango durante a experiência liberal-democrática brasileira entre 1946 e 1964. Com atuação nas mais diversas esferas do poder público – deputado estadual, deputado federal, presidente do PTB, Ministro do Trabalho, duas vezes vice-presidente, presidente do Senado Federal e, por fim, presidência da República – Goulart sucumbiu diante do radicalismo das direitas e das esquerdas em 1964.


A cabeça do brasileiro, de Alberto Carlos Almeida

Do mesmo autor de Por que Lula? Este livro é resultado de uma pesquisa que tenta desvendar o perfil do brasileiro. A partir de dados estatísticos, o autor apresenta conclusões que mostram como somos um país ainda conservador e preconceituoso. E faz as seguintes perguntas para pessoas de diferentes grupos sociais – deixar alguém passar à frente na fila é jeitinho, favor ou corrupção? Um empregado deve se dirigir ao seu patrão por “senhor” ou por “você”? Empregados de edifícios devem utilizar o elevador social ou o elevador de serviço? A masturbação é uma prática sexual aceita ou rejeitada?