Livros para o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

22/01/2021 996 visualizações

Celebrado em 21 de janeiro, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa revela a luta pela liberdade e o alerta sobre o crime de discriminação e preconceito contra religiões. A data, instituída em 2007, foi escolhida em homenagem a Yalorixá Gildária dos Santos, a Mãe Gilda de Ogum, que faleceu em decorrência de ataques motivados pelo ódio.

Após mais de uma década do triste episódio, o Brasil continua sendo palco de práticas de intolerância religiosa. Embora seja um país laico, ou seja, não possuir uma religião oficial e garantir, através da Constituição Federal, a proteção e a liberdade de crença, o Disque 100 (serviço de informações e de denúncias de violações dos direitos humanos), registrou 354 ocorrências do crime apenas no primeiro semestre de 2019. Os praticantes mais afetados foram da Umbanda e do Candomblé.

Para desmistificar algumas crenças, conhecer as ricas histórias e, até mesmo, praticar a fé, o Grupo Editorial Record selecionou algumas obras para o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

Dicas de um pai de santo: saberes, mandingas e preces para todas as horas, de Pai Paulo de Oxalá 

Dicas de um pai de santo (Ed. Bertrand Brasil, 168 págs, R$ 22,70) traz instruções, eficazes e diretas para você fazer os mais variados tipos de magia. Um livro sobre os orixás, suas origens e poderes, como também sobre entidades e espíritos relacionados aos cultos religiosos de matriz africana, como caboclos e pretos velhos, pombas-giras e tranca-ruas. A cada um deles, Pai Paulo de Oxalá dedica um pequeno resumo, contando o que é, o que representa, as principais características, ligações com outros orixás, cores que veste, adornos que usa, dias de culto, comidas a serem ofertadas e a finalidade de suas magias. O livro também aborda os cuidados ao se praticar as magias e traz diversas “mandigas” para conquistar ou recuperar o amor, para proteção, prosperidade, abrir caminhos, conseguir emprego, atrair clientes, adoçar o chefe, afastar a negatividade, ter saúde — com feitiços específicos para problemas nas pernas, cabeça e barriga —, para comprar imóvel e alugar carro, além de banhos de descarrego. O livro também traz dicas para cada um dos meses do ano e orações e preces. Escrito por um dos babalorixás mais respeitados do Brasil, além de pesquisador da cultura afro-brasileira, Dicas de um pai de santo é um livro que traz saberes, mandingas e preces para todas as horas.

História dos Candomblés do Rio de Janeiro, de José Beniste

A história dos Candomblés do Rio de Janeiro (Ed. Bertrand Brasil, 462 págs, R$79,90)
nos leva ao tempo da construção de uma das mais belas metrópoles do mundo, com a ajuda dos africanos, que também enriqueceram a religiosidade do Brasil com o encanto das divindades africanas. Entre tantas etnias que chegaram à cidade maravilhosa, a marcante presença cultural dos bantus e a chegada dos afrodescendentes jejes e yorubás são aqui descritas com ricos esclarecimentos e reveladoras ilustrações. Bem fundamentado, José Beniste retrata a região portuária do Rio e todo o bairro da Saúde, ressaltando seu importante valor histórico e patrimonial para a instalação dos primeiros Candomblés da cidade, e presta homenagens a Tia Ciata e a muitas doceiras de rua famosas como: Benta de Ogum, Agripina de Xangô, Teodora de Yemanjá e Ìyá Cotinha. A partir de um cronograma, organizado após colher em seu programa de rádio depoimentos sobre os primeiros Terreiros e Axés instalados no Rio de Janeiro, Beniste divulga relatos e destaca as biografias de Cipriano Abedé, João Alágbà, Bámgbósé Obítíkò, Vicente Bánkólé, João Lesengue e chega a um dos mais importantes capítulos da história dos Candomblés do Rio, o célebre João Alves Torres Filho, conhecido como Joãozinho da Goméia. O autor ainda faz referências e presta homenagens a muitos ícones já falecidos como Paulo da Pavuna, Zezinho da Boa viagem e Mãe Beata de Yemanjá.

Sinta raiva, de Tenzin Gyatos e Noriyuki Ueda

Neste livro, Sua Santidade, o Dalai Lama, traz à luz o sentimento da raiva como combustível para promover mudanças. Pode parecer contraditório usar a palavra “raiva” e o nome de Sua Santidade, o Dalai Lama em um mesmo livro, afinal, a mensagem do Dalai Lama sempre foi de amor e compaixão. No entanto, no mundo de hoje há muito com que se revoltar: injustiças, desigualdade social e econômica, racismo e ignorância. E este livro está aqui para dizer a você: sinta raiva. Existem duas formas de expressar raiva. A primeira surge da compaixão; ela é útil e deve ser encorajada. A outra surge do ciúme e da inveja, e resulta em ódio, má vontade e sofrimento. Sua Santidade, o Dalai Lama, ensina em Sinta raiva (Ed. BestSeller, 112 págs, R$ 14,90) que é errado uma pessoa espiritualizada permanecer indiferente ao sofrimento à sua volta. Em Sinta raiva, Sua Santidade nos ensina a questionar e buscar o significado de rituais do cotidiano, religiosos e também das nossas própria emoções – principalmente a ira. Este livro traz à luz o sentimento da raiva como combustível para promover mudanças. Nelo leitor aprenderá que apenas após reconhecer a raiva, como lidamos com ela, como a guardamos e como a manifestamos poderemos usá-la para alcançar a raiva compassiva – uma força motivadora que pode transformar o negativo em positivo e mudar o mundo.

Francisco de Assis, de Hermann Hesse

A trajetória de um dos santos mais populares do mundo narrada por Hermann Hesse.
Desde muito jovem, Hermann Hesse era fascinado pela figura de São Francisco de Assis. De alguma forma, o santo era como um amigo distante, um farol em sua vida. Sua determinação e seu comportamento maravilhavam Hesse. Francisco de Assis sempre foi até o fim com aquilo que queria fazer e não pregou “nada que ele próprio não pudesse cumprir diariamente, embasando e apoiando a doutrina no exemplo”. Ou seja, Francisco admirava uma ética que estava ligada à beleza e ao desejo de harmonia. Esse amor pode ser encontrado em outras obras de Hesse: Narciso e Goldmund, O lobo da estepe e até mesmo Demian. Nas páginas desses livros, é possível perceber a sombra tutelar de seu santo favorito, como um modelo de comportamento e como medida de excelência humana. Conhecemos esses romances, mas não conhecíamos esse belo livro dedicado inteiramente a são Francisco de Assis, que é ao mesmo tempo uma biografia e uma bela obra literária. Com uma escrita que oscila entre a lenda, a fábula e o ensaio, Francisco de Assis (Ed. Record, 128 págs, R$ 44,90) é uma tentativa bem-sucedida de fazer uma testemunha silenciosa dos tempos antigos voltar a falar. Um livro escrito por admiração e devoção, cujo resultado é um texto surpreendente e comovente.