Livros vencedores do Prêmio Sesc de Literatura, inédito de Alice Walker e mais

21/10/2020 73 visualizações

Terra nos cabelos, de Tônio Caetano

Vencedor do Prêmio Sesc de Literatura na categoria Contos, Terra nos cabelos (Ed. Record, R$ 32,90, 112 págs) encanta pela força e pela dinâmica das histórias, todas protagonizadas por mulheres. Os contos do livro se propõem a uma espécie de investigação do íntimo, das descobertas do outro, e instigam a mergulhar na vida dos personagens. A menina que vê a mãe partir e se agarra a uma prolongada espera. A esposa infeliz que se aventura na casa de swing. As adolescentes envolvidas nas primeiras experiências sexuais. Ritos de passagem e de iniciação. Todas elas são personagens em conflitos com o mundo, seja no âmbito familiar ou no universo da sociedade de forma mais ampla. Tônio Caetano costura as histórias com um fio invisível em que a ambiência se mistura a um sentimento difuso de inadequação, de não pertencimento. A poética dos contos revela a chegada de mais um autor talentoso ao cenário da literatura brasileira. Semeando boas histórias que fazem refletir as minúcias da vida comum em textos cheios de inquietações.

Encontro você no oitavo round, de Caê Guimarães

Vencedor do prêmio Sesc de Literatura 2020 na categoria Romance, Encontro você no oitavo round (Ed. Record, R$ 34,90, 144 págs) conta a vida, sonhos e fracassos do boxeador Cristiano Machado Amoroso. O romance inaugural de Caê Guimarães, é movido a socos, cicatrizes, quedas e redenções. O protagonista conta sua vida de boxeador periférico: um homem que ganha a vida batendo e apanhando. Aos 25 anos chegou bem perto do topo, mas beijou a lona pela primeira vez. Um nocaute que nunca esqueceu. Aos 40, isolado no corner, com a guarda baixa, sofre com um eterno zumbido que o atordoa, fruto das pancadas. Prestes a se aposentar, antes da última luta, recebe uma proposta: entregar o resultado sem que o adversário saiba. Para receber o dinheiro, a derrota terá que ser no quarto round. A narrativa leva ao cotidiano da periferia, onde Cristiano vive e treina, junto aos sonhos e fracassos dos personagens que foram, de muitas formas, espancados. Nas semanas em que se prepara para o combate final, o protagonista faz acertos com a própria vida. Deixou para trás um promissor início de carreira literária, que agora retorna para, quem sabe, um acerto de contas.

A terceira vida de Grange Copeland, de Alice Walker

Inédito no Brasil, A terceira vida de Grange Copeland (Ed. José Olympio, R$ 59,90, 336 págs), é o primeiro livro de Alice Walker. A autora de A cor púrpura foi a vencedora do Prêmio Pulitzer de 1983 ao revelar o cotidiano de uma família negra no Sul dos Estados Unidos, por três gerações. Oprimido pela estrutura racista do condado de Baker, o trabalhador rural Grange Copeland abandona família e amante para ganhar a vida no Norte, mas retorna, após passar por experiências transformadoras, decidido a nunca mais conviver com pessoas brancas. Grange refaz sua vida, torna-se fazendeiro, mas tem que lidar com as consequências de suas escolhas no passado. Uma obra com linguagem poderosa e precisa, trata de violência racial, social, familiar, contra a mulher, mas também da força humana, capaz de mudar uma realidade inóspita por meio do amor e da ação no mundo. Como define a escritora Jarid Arraes – que assina a orelha do livro – “Alice Walker é corajosa. Aborda temas profundamente delicados e tabus dentro da própria comunidade negra. Escreve com a fome de quem precisa contar mais do que a realidade: precisa da crueza, da ferida mais inflamada e difícil de tratar.”

Escolher bem, escolher mal, de Alexandra Strommer Godoi

Aprenda a desligar o piloto automático da sua mente e tomar decisões com mais segurança e menos ansiedade com Escolher bem, escolher mal (Ed. BestSeller, R$ 44,90, 350 págs). Você já parou para pensar em como nosso cérebro funciona quando precisamos tomar uma decisão? Por trás de todas as nossas decisões existem processos mentais e psicológicos acontecendo, apesar de, frequentemente, fazermos escolhas das quais nem sempre estamos conscientes. As palavras que usamos, os movimentos que fazemos com o corpo, tarefas que cumprimos por hábito, todas são decisões que tomamos sem fazer grandes reflexões. Mas há momentos em que precisamos assumir o controle para tomar decisões fundamentais em nossa vida sem nos perder no processo. Alexandra Strommer Godoi, doutora em Economia de Empresas, palestrante da Casa do Saber e professora da FGV, vem analisando há anos o modo como nós fazemos escolhas em diferentes áreas da vida e o que podemos fazer para tornar o processo de tomada de decisão mais fácil e escolher com mais sabedoria, sem cair em armadilhas inesperadas. Em Escolher bem, escolher mal, a autora apresenta os recursos necessários para não cair em armadilhas, além dos estudos de especialistas sobre o assunto em áreas como a psicologia cognitiva, a economia comportamental e a ciência da computação.

Quando você voltou pra minha vida, de Hilary Boyd

Em Quando você voltou pra minha vida (Ed. Record, R$ 49,90, 322 págs), Flora,
aos 40 anos, não tem exatamente uma vida de conto de fadas: ainda solteira, vive no porão da casa da irmã, e o trabalho como cuidadora não faz milagres em sua conta bancária – ao contrário do antigo salário de enfermeira, na emergência de um grande hospital. Pelo menos a nova colocação paga as contas do mês. Além disso, Flora ama o que faz e realmente se apegou à adorável Sra. Dorothea. Esse pedacinho de normalidade é ameaçado quando Flora esbarra por acidente no homem que, três anos antes, teria jurado ser o grande amor da sua vida. O mesmo homem que não teve nenhum problema em abandoná-la sem olhar para trás, sem explicações, ou sequer deixar um bilhete. De coração partido, refém da depressão, Flora precisou de muito tempo e esforço para juntar seus cacos e deixar tudo no passado. Mas sua determinação ameaça fraquejar quando seu olhar cruza outra vez com o do sedutor e imprevisível Fin. Ele é tão lindo quanto ela se lembrava, e ainda exerce o mesmo fascínio doentio de tempos atrás. Para piorar, o ex garante ter mudado, estar disposto a recuperar Flora e retomar o romance do ponto onde pararam. Mas Flora pode confiar seu coração ao mesmo homem que o despedaçou?

Se não fosse você, de Colleen Hoover

Em Se não fosse você (Ed. Galera, R$ 49,90, 400 págs), a autora #1 do New York Times
Colleen Hoover fala sobre família, primeiro amor, luto e traição em uma história emocionante que tocará os corações tanto de mães quanto de filhas. Morgan e Clara Grant são mãe e filha, e aparentemente não têm nada em comum. Morgan engravidou muito nova, com dezesseis anos, e está determinada a evitar que sua filha passe pelas mesmas dificuldades que enfrentou. Clara, por sua vez, não quer seguir os passos da mãe. No auge dos seus dezesseis anos, seu maior desejo é ir para a universidade estudar teatro, mesmo que os pais não incentivem a carreira. Com personalidades incompatíveis e objetivos divergentes, a convivência entre mãe e filha está cada dia mais insustentável. A única pessoa capaz de criar um ambiente de paz é Chris, o marido de Morgan, pai de Clara, o porto seguro da família. Mas essa paz é quebrada após um trágico acidente que muda completamente a vida das duas. Enquanto Morgan luta para reconstruir tudo que desabou ao seu redor e encontra conforto na última pessoa que esperava, Clara só aumenta sua lista de rebeldias. Em Se não fosse você, Colleen Hoover mais uma vez entrega aos leitores uma trama rica em desenvolvimento de personagens, fortes e complexas emoções e, principalmente, situações tão cruas quanto reais.