Maria Rita Soares e outras mulheres brasileiras que lutaram

6/03/2020 301 visualizações

Quando se fala sobre a razão de se celebrar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março, muito se fala de mulheres operárias que lutaram na virada do século 19 para o 20 para ter direitos civis básicos reconhecido. Inúmeras brasileiras, no entanto, também contribuíram por meio de seus exemplos de vida com avanços fundamentais. A cientista política Débora Thomé listou meia centena delas em seu bestseller 50 brasileiras incríveis para conhecer antes de crescer (Ed. Galera Record), entre elas artistas, esportistas, arquitetas e políticas famosas. Outras militaram em segmentos que ainda hoje representam trincheiras na batalha contra a misoginia.

Listamos abaixo cinco mulheres que você precisa conhecer a trajetória.

Ada Rogato. Nascida em 1910 e filha de imigrantes italianos, a menina desde cedo parecia querer ser passarinho (mas talvez borboleta descrevesse melhor seu fascínio pela liberdade). Ada foi a primeira mulher do país a ter licença de paraquedista, a pilotar um planador e a terceira a tirar o brevê, a carteira de habilitação para conduzir um avião. A “Gaivota Solitária” ou “Rainha dos céus”, como era chamada, também atravessou os Andes, sobrevoou as três Américas e foi a primeira (mais uma vez!) a voar, sem rádio, sobre a Selva Amazônica. Ada Rogato parece ter pisado em terra firme apenas para receber medalhas, colecionando ao todo 35. Além do Brasil, ela também foi homenageada no Chile, Bolívia e Colômbia, entre outros países.

Maria Quitéria. É ela mesmo que dá o nome da rua em Ipanema. Ouvindo o pai se lamentar por não ter um filho para acompanhá-lo na guerra, ela decidiu resolver isso de um jeito bem original: cortou os cabelos, pegou uma farda emprestada e chegou ao quartel como soldado Medeiros. Todos tomaram um susto ao descobrir a verdade, principalmente o patriarca que afirmava que “as mulheres fiam, tecem e bordam. Não vão à guerra”. Porém, Maria foi mesmo assim, ganhou um uniforme especial e ainda costurou uma saia por cima.

Dinalva. Baiana, formada em geologia, que veio para o Rio de Janeiro trabalhar como professora, lutou na Guerrilha do Araguaia. Foi vista pela última vez em liberdade em 1973, participando de um confronto no dia de Natal, enquanto estava grávida.

Maria Rita Soares. O adjetivo que talvez melhor a descreva é a ousadia. Graduada em Direito em 1926, em Salvador, a advogada voltou para Sergipe, onde cresceu, para realizar um concurso e dar aulas. Mas, por ser mulher não foi chamada. Revoltada com a situação, decidiu tentar a vida no Rio de Janeiro. Além de dirigir a revista Renovação, que denunciava injustiças, ela também defendida presos políticos durante o governo Vargas, ao qual fazia oposição. Uma prática de protesto da sergipana, porém, chamava atenção: andava sempre com uma rolha pendurada no colar e, quando os curiosos perguntavam, dizia “Não posso falar o que penso”. Com toda a coragem, ela não poderia chegar a um lugar diferente. Maria se tornou a primeira juíza federal do país, em 1967, e a primeira mulher a integrar o Conselho Federal dos Advogados do Brasil (OAB).

Carolina Maria de Jesus. Autora dos livros “Quarto de despejo”, “Casa de alvenaria” e “Pedaços de fome”, retratou para todo o mundo como é a vida na favela. Nascida em Minas Gerais, ela se mudou para São Paulo, nos de 1940, e trabalhou como empregada doméstica e catadora de papel para garantir o sustento dos filhos. A autora dizia que “A favela aproveita e transforma o que a cidade não quer” e, pelo visto, ela aprendeu bem, pois transformou o sofrimento em arte.

Dandara. Viveu com Zumbi, no Quilombo dos Palmares, localizado no estado de Alagoas, que foi responsável por abrigar os escravos que fugiam de seus donos, chegando a totalizar 30 mil deles. De acordo com a história, a Princesa Negra, como é carinhosamente lembrada, foi uma grande capoeirista e travou respeitáveis batalhas, mas não só isso. Participando ativamente da plantação e colheita do quilombo, ela também coordenava a política nas aldeias e chegou a negar negociação com o governo, que queria que Dandara entregasse os fugitivos. Com os frequentes ataques, a Princesa Negra temeu que voltasse a ser escravizada e morreu se jogando de uma pedreira, defendendo sua própria liberdade.