Mês da Mulher: Conheça cinco escritoras que tratam de gênero e raça

30/03/2021 478 visualizações

As homenagens do Mês da Mulher continuam. Nesta semana, o Grupo Editorial Record apresenta cinco escritoras que contribuíram para a luta contra a desigualdade de gênero e/ou raça. Suas obras inspiram e transformam a vida de outras mulheres.

Conheça essas histórias:

Os seis meses em que fui homem, de Rose Marie Muraro


Pioneira no movimento feminista dos anos 1970, Rose Marie Muraro recebeu o título de Patrona do Feminismo Brasileiro. Escritora, editora e fundadora da Rosa dos Tempos, primeira casa editorial de mulheres no país (hoje pertencente ao Grupo Editorial Record), a intelectual depositava em suas obras ideias contestadoras ligadas ao movimento feminista. Os seis meses em que fui homem (Ed. Rosa dos Tempos, R$, 35,90, 304 pág) é uma dessas publicações. Nele, Muraro apresenta um ensaio vivo e atual, que tem como mote a participação da autora como candidata a deputada federal na Constituinte de 1988. Publicado pela primeira vez em 1990, a obra oferece um olhar sobre o tempo histórico que ajuda a entender como o feminismo chegou até aqui. É uma análise rica de informação nos campos da antropologia, da arqueologia, da história, da política e da física, com o fio condutor da cultural diferença sexual, surge como um turbilhão de possibilidades.

O mito da beleza, de Naomi Wolf

Clássico que redefiniu a visão a respeito da relação entre beleza e identidade feminina. É um dos livros mais importantes da terceira onda feminista. Em O mito da beleza (Ed. Rosa dos Tempos, R$ 55,90, 490 pág), a jornalista Naomi Wolf afirma que o culto à beleza e à juventude da mulher é estimulado pelo patriarcado e atua como mecanismo de controle social para evitar que sejam cumpridos os ideais feministas de emancipação intelectual, sexual e econômica conquistados a partir dos anos 1970. As leitoras e os leitores encontrarão exposta a tirania do mito da beleza ao longo dos tempos, sua função opressora e as manifestações atuais no lar e no trabalho, na literatura e na mídia, nas relações entre homens e mulheres e entre mulheres e mulheres. Nomi Wolf confronta a indústria da beleza, tocando em assuntos difíceis, como distúrbios alimentares e mentais, desenvolvimento da indústria da cirurgia plástica e da pornografia.

E eu não sou uma mulher?, de bell hooks

Clássico da teoria feminista, E eu não sou uma mulher? (Ed. Rosa dos Tempos, R$35,92, 320 pág) tornou-se leitura obrigatória para as pessoas interessadas nas questões relacionadas à mulheridade negra e na construção de um mundo sem opressão sexista e racial. Sojourner Truth, mulher negra que havia sido escravizada e se tornou oradora depois de liberta em 1827, denunciou, em 1851, na Women’s Convention – no discurso que ficou conhecido como “Ain’t I a Woman” – que o ativismo de sufragistas e abolicionistas brancas e ricas excluía mulheres negras e pobres. A partir do discurso de Truth, que dá título ao livro, hooks discute o racismo e sexismo presentes no movimento pelos direitos civis e no feminista, desde o sufrágio até os anos 1970. Além de examinar o impacto do sexismo nas mulheres negras durante a escravidão, a desvalorização da mulheridade negra, o sexismo dos homens brancos e negros, o racismo entre as feministas, os estereótipos atribuídos a mulheres negras, o imperialismo do patriarcado e o envolvimento da mulher negra com o feminismo, hooks pretende levar nosso pensamento além das suposições racistas e sexistas.

Então você quer conversar sobre raça, de Ijeoma Oluo

Escrito por Ijeoma Oluo, Então você quer conversar sobre raça (Ed. BestSeller, R$ 39,90, 312 pág) é um livro essencial para os dias de hoje. Diante dos últimos acontecimentos mundiais relacionados à supremacia branca – da violência policial ao encarceramento em massa da população negra – os holofotes da mídia parecem se voltar para a questão do racismo em nossa sociedade. Para além das grandes questões de segurança e saúde públicas, este é um tema que permeia o nosso cotidiano. Por que em sala de aula lemos, basicamente, autores homens e brancos (e, muitas vezes, homens brancos europeus)? Como dizer a um amigo que ele fez uma piada racista? Por que sua amiga se sentiu ofendida quando você pediu para tocar no cabelo dela? Como é possível passar a agir corretamente? Como explicar o privilégio branco para seu amigo branco privilegiado? E como ajudar na luta antirracista sendo uma pessoa branca privilegiada?

O Consentimento, de Vanessa Springora

Às vezes, basta uma única voz para quebrar o silêncio da cumplicidade. Há trinta anos,
Vanessa Springora foi a musa adolescente de um dos escritores mais célebres da França, uma nota de rodapé na narrativa de um homem influente no mundo literário francês. No fim de 2019, quando mulheres do mundo todo começaram a se manifestar, a autora, agora na casa dos quarenta anos, decidiu resgatar a própria história. O consentimento (Ed. Verus, R$ 44,90, 288 pág) narra a adolescência roubada de uma jovem precoce. Vanessa Springora conta de maneira lúcida e fulgurante essa história de amor e perversão, em que descreve um processo implacável de manipulação psíquica e a ambiguidade em que é colocada a vítima consentida. Para além de sua história individual, a autora também faz uma denúncia contundente de um mundo literário que por muito tempo aceitou e ajudou a perpetuar a desigualdade de gêneros e a exploração e o abuso sexual de crianças.