Neste Dia do Professor, leia Elisama Santos e Paulo Freire

15/10/2020 31 visualizações

Comemorado em 15 de outubro, o Dia do Professor é a data em que se homenageiam os profissionais que, através do conhecimento, são responsáveis por transformar histórias. Para celebrar esta data, nada melhor do que relembrar os clássicos de Paulo Freire, considerado o Patrono da educação brasileira e o sexto brasileiro mais célebre do mundo. Neste ano, a Editora Paz & Terra iniciou o relançamento de seus livros com novo projeto gráfico, com o objetivo de valorizar a imagem do autor, que em 2019 recebeu diversos ataques por seus ideais pautados numa educação libertadora e democrática.

Com ampla experiência em consultora de comunicação não violenta (CNV) e comunicação consciente, a educadora parental Elisama Santos provoca novos debates no âmbito educacional. Ela, que fala diretamente com pais e mães, defende a construção de relações baseadas no respeito e no diálogo, indo na contra mão do uso da violência e da repressão. Em um contexto de pandemia, onde crianças e responsáveis compartilham mais tempo – e responsabilidades – os livros de Elisama são um verdadeiro abraço, que mostra que é possível uma relação sólida e carinhosa, seja com a família ou com si próprio.

Paulo Freire analisa o sistema de ensino e o processo da mudança social

Publicado originalmente em 2014, Pedagogia dos sonhos possíveis (400 págs, R$ 69,90) é composto de depoimentos, conferências, ensaios, cartas e diálogos. Além de insistir na unidade indissolúvel entre teoria e prática, convence-nos da necessidade do respeito aos direitos humanos, da tolerância com o diferente e da inviabilidade da existência humana sem as utopias, sem a esperança e sem os sonhos. Organizado por Ana Maria Araújo Freire, Pedagogia dos sonhos possíveis tem prefácio da educadora Ana Lúcia Souza de Freitas. “Quanto mais o povo dominado se mobiliza dentro de sua cultura, mais ele se une, cresce e sonha – e está envolvido com o ato de conhecer. A fantasia, na verdade, antecipa o saber de amanhã. Eu não sei por que tanta gente faz pouco da fantasia no ato de conhecer. De qualquer maneira, todos esses atos constituem a cultura dominada que quer se libertar.”

Para fazer brotar as energias da esperança. Em Pedagogia da esperança (192 págs, R$ 59,90), de 1992, Paulo Freire faz uma reflexão sobre a Pedagogia do oprimido, um reencontro com ela, com suas vivências em quase três décadas nos mais diferentes cantos do mundo. O livro, atual e imprescindível, conta ainda com a colaboração de Ana Maria Araújo Freire, através de notas explicativas. “Hoje, distante em mais de 25 anos daquelas manhãs, daquelas tardes, daquelas noites, vendo, ouvindo, quase pegando com as mãos certezas sectárias, excludentes da possibilidade de outras certezas, negadoras de dúvidas, afirmadoras da verdade possuída por certos grupos que se chamavam a si mesmos de revolucionários, reafirmo, como se impõe a uma Pedagogia da esperança, a posição assumida e defendida na Pedagogia do oprimido contra os sectarismos, castradores sempre, e em defesa do radicalismo crítico.”

Pedagogia da tolerância (400 págs, R$ 59,90) é uma reunião de textos de Paulo Freire, organizada e anotada por Ana Maria Araújo Freire. Inclui análises e reflexões do Patrono da Educação Brasileira sobre diferentes temas: os “nacionais”, como ele nomeava os indígenas brasileiros; a africanidade, que inclui uma conferência sobre Amílcar Cabral; a ação cultural e cidadania; o ensino/aprendizagem; alguns discursos pronunciados; cartas cheias de sabedoria e humor; além de testemunhos e depoimentos de sua vida. O prefácio é da educadora Lisete R. G. Arelaro, que foi braço direito de Paulo Freire na Secretaria de Educação da cidade de São Paulo. “Como educador eu não posso pensar que tenho nas mãos a salvação das classes populares — de maneira alguma. Eu sonho com nos salvarmos juntos, mas ao mesmo tempo estou convencido de que não há salvação possível antes da libertação. Primeiro temos de nos libertar e, enquanto estivermos nos libertando, ver o que podemos salvar. A libertação não pode ser doada, presenteada em uma festa de aniversário. A libertação é algo que nós criamos, fazemos, em comunhão.”

Como estimular autoestima, autonomia, autodisciplina e resiliência

A autora apresenta conceitos que podem ajudar pais e filhos a se aproximarem, conectando-se com os próprios sentimentos e comunicando-os ao outro de forma objetiva e respeitosa. A ideia, em Educação não violenta (168 págs, R$ 34,90), é que o processo de construção de conhecimento torna-se positivo quando ocorre por meio da empatia e reflexão crítica. Este livro é uma alternativa à cultura autoritária que justifica o uso da violência e da repressão como método educativo. Aqui buscam-se caminhos para uma educação mais solidária e compreensiva, acreditando ser possível educar as crianças com consciência, para que as próximas gerações possam colher os frutos de um mundo mais amoroso e justo.

Depois do best-seller Educação não violenta, Elisama Santos, uma das maiores vozes quando o assunto é educar filhos, em Por que gritamos (168 págs, R$ 39,90) compartilha com seus leitores e leitoras sua caminhada como mãe e educadora parental em busca de uma educação em que o diálogo entre mães, pais e crianças dá o tom. Longe de romantizar a relação entre pais e filhos, mostra que respeitar é diferente de ser permissivo e ajuda você a acessar a chave para lidar com os sentimentos escondidos atrás do grito, fazendo as pazes consigo e criando filhos emocionalmente saudáveis. O prefácio é assinado por Taís Araújo. “A leitura dos livros de Elisama vale muito […]. Principalmente para entender que não somos os únicos e não estamos sozinhos nesta aventura cheia de caminhos que é a educação de uma criança.” – Taís Araújo, atriz, apresentadora e jornalista.