O centenário de Paulo Freire começou, romance de Colleen Hoover e mais

31/08/2021 191 visualizações

A palavra boniteza na leitura de mundo de Paulo Freire, do Paulo Freire e Ana Maria Araújo (org.)

A palavra boniteza na leitura de mundo de Paulo Freire (Civilização Brasileira, 400 págs, R$ 59,90)  foi o escolhido para iniciar as festividades em torno do centenário de nascimento do Patrono da Educação Brasileira, esse homem que teve a vida norteada por profundo amor e respeito. Organizado por Ana Maria Araújo Freire – conhecida como Nita Freire –, doutora em Educação e viúva do grande educador, o livro reúne quinze artigos de renomados intelectuais nacionais e estrangeiros que discutem o termo boniteza na obra de Paulo Freire e em nosso contexto atual. É um livro imprescindível para mostrar que, imbuídos da potência que a boniteza traz, é possível lutar e trabalhar para que a educação libertadora aconteça no cotidiano, em todos os espaços. Como aprendemos ao longo deste livro, boniteza tem dimensão poética, já que é palavra ressignificada – no dicionário, é sinônimo de bonito. Mas o termo freireano não tem a ver exclusivamente com a aparência. É intrínseco ao que é bom, verdadeiro, ecoa a definição platônica de belo.

Cartas a Guiné-Bissau, do Paulo Freire

Cartas à Guiné-Bissau (Paz & Terra, 266 págs, R$ 59,90) é o registro do trabalho de Paulo Freire na construção de um modelo de alfabetização de adultos naquele país. Escrito e compilado em 1976 e 1977, é um livro comovente que transborda o verdadeiro sentido da ajuda, aquela em que todos se auxiliam, crescendo juntos no esforço comum de conhecer a realidade que buscam transformar. Ao longo de sua história, Paulo Freire recebeu mais de cem títulos de doutor honoris causa, de diversas universidades nacionais e estrangeiras, além de inúmeros prêmios, como Educação para a Paz, da Unesco, e Ordem do Mérito Cultural, do governo brasileiro. Integra o International Adult and Continuing Education Hall of Fame e o Reading Hall of Fame.

Por uma pedagogia da pergunta, do Paulo Freire e Antonio Faundez

Lançado em 1985, Por uma pedagogia da pergunta (Paz & Terra, 240 págs, R$ 59,90) é o relato de vida de dois grandes mestres da ideologia libertária. Paulo Freire e Antonio Faundez relatam a experiência de exílio político e de como encontraram seu lugar em outras sociedades. O trabalho deles se estende por Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Nicarágua e outros países, o que lhes dá autoridade para falar sobre as transformações vividas em um mundo dividido por ideologias e políticas muito demarcadas e polarizadas. Considerando que a luta política deve ultrapassar o campo das ideias, eles analisam os modos de resistências populares. E discutem a implementação de um modelo de alfabetização dentro de uma cultura que tem a oralidade como base essencial de transmissão de conhecimento. O dinamismo que vemos na obra é um reflexo do espírito desses pensadores. Intensos, Paulo Freire e Antonio Faundez oferecem a vitalidade que a luta pela liberdade exige e convidam a participar de uma reflexão que se renova sempre, acompanhando o movimento de transformação intrínseco ao homem.

O drible da vaca, do Mario Prata

Revelando detalhes sobre os primórdios do futebol que nem os britânicos conhecem, e turbinando-os com privilegiado senso de humor, O drible da vaca (Ed. Record, 384 págs, R$ 49,90) combina imaginação livre e pesquisa profunda, inspiração e transpiração. O resultado é um gol de placa, que diverte e surpreende a todos. Com sessenta anos de carreira, Mario Prata traz um divertido romance sobre o mito de origem do esporte mais amado do Brasil. O que você sabe sobre a origem do futebol? Inventado pelos ingleses, o que o liga a chineses e florentinos? Como se calcula o tamanho do gol, quem teve a brilhante ideia de usar a bola, como foram criadas as regras fundamentais do esporte mais popular do mundo? E afinal, o que a sala de maconha – que existe mesmo no Palácio de Buckingham! – tem a ver com essa história? Para contá-la, trocando passes entre o real e o imaginário, mesclando personagens históricos e fictícios em improváveis tabelinhas, Mario Prata nos transporta para a Universidade de Cambridge, na Inglaterra de 1859, usando como narrador um tal John H. Watson — ainda apenas um professor de Educação Física, mas que anos depois ficaria mundialmente conhecido como o futuro parceiro de Sherlock Holmes.

Tudo o que leva consigo um nome, do Francisco Mallmann

É impossível atribuir uma etiqueta a Tudo o que leva consigo um nome (José Olympio, 320 págs, R$ 49,90), de Francisco Mallmann. É poesia, novela ou performance? A voz que marca todo o livro é de um homem, de uma mulher ou de uma pessoa não binária? Esse é um livro atravessado pelo amor ou pelo ódio? É uma comédia ou um drama? Trata-se de política ou de algo mais trivial? Em vez de se fixar em um único caminho, Mallmann mostra as várias possibilidades da linguagem, com fluidez e sensibilidade. É um livro leve e ao mesmo tempo profundo. Ideal para todas as pessoas que não têm medo de atravessar fronteiras e amam uma boa história.

 

Vida vertiginosa, do João do Rio

 Vida vertiginosa (José Olympio, 336 págs, R$ 64,90) é uma das maiores obras sobre a belle époque carioca. Nela, João do Rio lança um olhar investigativo sobre o Rio de Janeiro, então capital de um Brasil em franco processo de modernização. O prefeito Pereira Passos iniciou em 1903 uma série de reformas higienistas, urbanísticas e também de costumes, com o intuito principal de adequar a cidade aos padrões de desenvolvimento europeus. A crônica pioneira de João do Rio é resultado de suas deambulações, sua flânerie, por uma cidade efervescente, em completa transformação. Publicado originalmente em 1911, é o testemunho criativo de um homem que registrava e pensava um mundo novo que apenas se insinuava. Um mundo que, na profunda velocidade que lhe é característica, não parou até hoje de multiplicar-se e acelerar-se na vertigem. A atualidade do livro fala por si só: conduzidos por um dos maiores cronistas brasileiros de todos os tempos, seus leitores e leitoras estão a um passo de descobrirem-se personagens.

Vardø: A ilha das mulheres, da Kiran Millwood Hargrave

Na véspera do Natal de 1617, o mar ao redor da remota ilha norueguesa de Vardø é surpreendido por uma tempestade de grandes proporções. Em Vardø: A ilha das mulheres (Ed. Record, 350 págs, R$ 59,90), a jovem Maren observa enquanto os homens da ilha, que saíram para pescar, perecem em questão de segundos. Para as mulheres que ficaram para trás, sobreviver significa enfrentar a dura rotina da ilha. Elas pescam, caçam e matam renas. Mas a fundação dessa nova sociedade de mulheres começa a se desestabilizar com a chegada de Absalom Cornet, um homem sinistro enviado da Escócia para erradicar supostas práticas de bruxaria. Cornet leva consigo a ameaça do perigo, mas vai acompanhado de sua bela e jovem esposa norueguesa chamada Ursa. Em seu novo lar e em Maren, Ursa encontra algo que nunca tinha visto antes: mulheres independentes. Porém, neste lugar onde Ursa encontra a felicidade e até mesmo o amor, Absalom vê apenas um ambiente dominado por um mal terrível, que ele precisa erradicar a qualquer custo.

Esteja aqui, de Tenzin Gyatos 

Em Esteja aqui (BestSeller, 112 págs, R$ 29,90), Sua Santidade, O Dalai Lama, ensina como viver no momento presente, acessar emoções positivas e encontrar o caminho para a felicidade genuína. Isso, através de práticas e meditações com o objetivo de se concentrar no aqui e agora. Porém, para alcançar esse objetivo é necessário entender o que isso realmente significa e como chegar nesse estado de plenitude. Estar aqui é o que possibilita enxergar aqueles que estão a nossa volta, praticar a verdadeira justiça social e exercitar a compaixão genuína pelo outro no momento presente. Estar aqui é não se concentrar nos acontecimentos passados, se estressar com o futuro e se prender ao sofrimento. Estar aqui significa encontrar a felicidade, a paz e a plenitude de vida. No livro, O Dalai Lama aborda o apego às coisas, às pessoas, à memória, à raiva, aos objetivos futuros. Estar apegado significa viver em conflito com o momento presente, incapaz de estar no aqui e agora e conhecer a verdadeira paz interior. É esse o sentimento que aprisiona o ser humano às demandas e tensões da vida cotidiana, impedindo-o de cultivar uma vida plena.

Até o verão terminar, da Colleen Hoover

Filha de uma mãe problemática e um pai ausente, Beyah precisou aprender a se virar sozinha desde pequena. Sua vida foi trilhada com muitas decepções. Mas ela está prestes a mudar a sua sorte graças a si mesma, por conta da bolsa de estudos que ganhou para estudar em uma boa universidade. Apenas dois curtos meses separam o tão sonhado futuro do passado que tanto deseja deixar para trás. Mas uma reviravolta faz Beyah perder até mesmo a casa em que mora. Em Até o verão terminar (Galera, 336, R$ 49,90), Beyah está sem opção. Por isso recorre ao último recurso que tem e precisará passar o resto do verão na casa de praia do pai que mal conhece, da nova esposa e da filha dela que nem ao menos ouvira falar. O plano de Beyah é se manter quase invisível até poder ir para a faculdade. Mas o vizinho da casa ao lado torna tudo muito mais complicado. Afinal, é difícil ignorar o rico, bonito e misterioso Samson.