‘O corpo interminável’, de Claudia Lage, ganha resenha no Jornal Rascunho

9/01/2020 113 visualizações

Publicado pela Editora Record, “O corpo interminável, mais recente lançamento da escritora Claudia Lage (Mundos de Eufrásia), acaba de ganhar uma comovente resenha no Jornal Rascunho, na edição de janeiro. No texto, o resenhista Faustino Rodrigues destaca a destreza da narrativa de Claudia ao lidar com temas tão complexos como a ditadura civil-militar (1964-1985), a atuação de guerrilheiras, evidenciando a militância feminina, e os desdobramentos em personagens que sequer viveram o período.

Claudia Lage apresenta uma narrativa repleta de pausas. Emaranha a vida dos personagens evocando o mistério por trás de suas vidas. O corpo mutilado pelas sessões de tortura, exposto na descrição de uma fotografia encontrada pelo casal Melina e Daniel, mesmo morto, não termina ali. Ele se prolonga no tempo, conferindo o seu caráter de algo interminável”, ressalta a resenha.

Delicada trama, “O corpo interminável” apresenta a saga de Daniel, filho de uma guerrilheira presa, torturada e morta na Ditadura Militar brasileira. Mais que reconstruir uma história, no entanto, é sobre as ausências que esta história trata. A memória descontinuada, apagada à revelia de seus protagonistas, arrancada de suas mãos por onde escorrem a saudade. O livro é um resgate de memória não só dos personagens, como também do país. É o retrato de mulheres que escolheram lutar pela democracia em um momento de ameaça aos militantes, sobretudo as mulheres.

Confira trechos da resenha do livro de Claudia Lage:

“Claudia expõe a deformidade do corpo torturado física e psicologicamente, prolongando-o no tempo, ao longo dos anos, de modo bastante curioso”.

“À medida em que a leitura avança, o leitor vai se habituando com as divisões entre os capítulos, narrados pelas distintas personagens da trama. E, embora trate de personagens distintos, com formas de narrar características, próprias, não há qualquer quebra da narrativa”.

“O leitor sabe que não haverá solução quanto aos dilemas suscitados. Em seu lugar, tem-se um movimento perpétuo – novamente, reforçado pela ideia de não perenidade do corpo. Esse movimento se prolonga pelo tempo, pontuando as dúvidas dos indivíduos e interferindo em suas vidas. O leitor, seguro de si quanto às incertezas, tende a não ficar angustiado”.