O filósofo que apresentou o Brasil a Foucault

20/05/2021 555 visualizações

O Grupo Editorial Record lamenta a morte do filósofo Roberto Machado, que partiu ontem, quarta-feira (19), aos 79 anos, no Rio de Janeiro. Machado era professor aposentado da UFRJ, mas somou ao longo de sua vida uma sensível, e volumosa, produção e dedicação ao saber e aos estudos filosóficos e sociológicos – com destaque à sua passagem pelo Collège de France, sob orientação de Michel Foucault e o pós-doutorado na Universidade Paris VIII, com Gilles Deleuze.

O Brasil deve ao professor Roberto Machado grande parte da difusão da obra de Michel Foucault, da qual era o organizador pela editora Paz & Terra. Em 2020, quando a editora relançou a coleção História da Sexualidade, Machado foi o responsável pela organização da obra inédita do pensador, o quarto volume, “História da sexualidade: As confissões da carne”, publicado postumamente na França e posteriormente no Brasil. Durante a Ditadura Militar, nos anos 1960 e 1970, Machado trouxe e acompanhou Foucault pelo Brasil, em palestras e aulas, apresentando sua obra às cátedras e alunos brasileiros. À época, jornais diziam que “Foucault corrompeu a juventude brasileira”, sendo hoje, reconhecidamente, um nome que revolucionou a filosofia contemporânea.

A editora Paz & Terra agradece a contribuição de Roberto Machado por ter levado a filosofia para fora das universidades e por ter respeitado o saber com humanidade, não apenas como como uma obrigação disciplinar e acadêmica.

CURRÍCULO

Roberto Machado passou também pela Universidade Católica de Pernambuco, Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Também está a passagem pela Universidade de Heidelberg, como ouvinte, entre 1969 e 1970, além de vários estágios no Collège de France, sob orientação de Michel Foucault, entre 1973 e 1980.Concluiu seu pós-doutorado na Universidade de Paris VIII, com Gilles Deleuze, em 1986. Era professor aposentado da UFRJ, mas teve passagem em instituições como UFPB, PUC-Rio e no Instituto de Medicina Social da UERJ, outro campo de estudo do professor, além da psiquiatria e a relação entre ontologia e estética.