O poderoso chefão em versão de luxo, biografia de Figueiredo e mais

21/12/2020 127 visualizações

O poderoso chefão, de Mario Puzo

Clássico da literatura que inspirou um dos maiores filmes de todos os tempos O poderoso chefão (Record, 496 págs, R$ 89,90)  ganha uma versão de luxo – em capa dura e nova tradução – em comemoração ao centenário de nascimento de Mario Puzo. Tirano, chantagista e assassino, a influência de Don Corleone chega a todos os níveis da sociedade americana. Um homem amigável e justo. O capo mais mortal da Máfia, o padrinho, o poderoso chefão. Mas nenhum homem se mantém no topo para sempre, não quando ele tem inimigos dos dois lados da lei. À medida que o já idoso Vito Corleone se aproxima do fim de uma longa vida no crime, seus filhos precisam se preparar para administrar os negócios da família. Sonny Corleone já atua nos negócios da família há anos; o veterano da Segunda Guerra Mundial Michael Corleone, porém, não está acostumado com o submundo e reluta em mergulhar na rede de crimes e poder político. Para que a família Corleone sobreviva, ela precisa de um novo Don. Mas o preço do sucesso em uma vida violenta pode ser alto demais para suportar. Uma obra-prima moderna, O poderoso chefão é um retrato contundente do submundo do crime dos anos 1940. Chocante mesmo cinquenta anos depois de ter sido publicado pela primeira vez, essa história convincente de chantagem, assassinato e valores familiares é um verdadeiro clássico.

Os últimos melhores dias da minha vida, de Anna Penido e Gilberto Dimenstein

Gilberto Dimenstein escolheu ser tema de sua última reportagem. É assim que descreve Os últimos melhores dias da minha vida (Record, 140 págs, R$ 34,90):um relato autobiográfico sobre como enfrentou um grave câncer, narrando o processo a partir do olhar apurado dos mais de trinta anos de carreira no jornalismo. Anna Penido, no papel de ombudsman e parceira, esteve ao seu lado para produzir a obra a quatro mãos quando Gilberto já não tinha forças para fazer o trabalho sozinho. O livro ganhou ares de grande declaração de amor, mais uma das cumplicidades do casal. A partir de depoimentos, lembranças e rememorações, delicadamente ilustradas pelo artista plástico Paulo von Poser, Dimenstein reforça que seus últimos melhores dias não foram os únicos grandes momentos de sua vida: experimentou também inúmeras realizações profissionais, viagens, encontros, concertos inesquecíveis de música (uma de suas grandes paixões) e a alegria de ouvir o neto chamá-lo de vovô Gil pela primeira vez. Mas estes melhores dias vividos após a descoberta do câncer — no pâncreas, uma das formas mais agressivas da doença — foram os mais cúmplices, profundos e felizes.

A roupa do corpo, de Francisco Azevedo 

Na contramão da irracionalidade e do avanço do discurso de ódio e de intolerância, A roupa do corpo (Record, 532 págs, R$ 59,90) é um sopro de esperança e é a essência daquilo que nos veste com o que temos de melhor. A roupa do corpo conclui a tetralogia iniciada pelo best-seller O arroz de Palma, seguido por Doce Gabito e Os novos moradores. Neste romance, Francisco Azevedo apresenta o narrador-personagem Fiapo, que nos conduz pela viagem de sua vida. Com ele, seus caminhos e seus relacionamentos, acompanhamos as infinitas possibilidades que cabem em uma existência, quando dedicada à compreensão da alma. Entre os grandes movimentos planetários e os marcos históricos, a vida cotidiana acontece. O livro percorre conflitos nascidos de encontros e desencontros, fragmentação e recomposição familiar, que propiciam o compartilhamento de uma memória comum e um destino coletivo que nos irmanam e aproximam; e trará aos veteranos leitores de Francisco Azevedo uma carga nostálgica, pois os personagens dos livros anteriores aparecem também aqui, apontando os vínculos que nos constituem e acompanham nossa existência.

Me esqueçam: Figueiredo, de Bernardo Braga Pasqualette

Me esqueçam: Figueiredo (Record, 798 págs, R$ 109,90) é o relato biográfico de uma Presidência que ressignificou a vida de um oficial do Exército cuja maior aspiração era ascender na carreira militar, mas que o destino alçou ao cargo político mais cobiçado do país. Da antagônica combinação entre desejo e realidade, emana o caráter sui generis de João Baptista Figueiredo, último presidente a comandar o Brasil durante o regime militar. Apaixonado por equitação, certa vez confessou preferir os cavalos ao próprio povo que jurara servir, o que diz muito sobre a sua controversa personalidade. Em meio a declarações erráticas e frequentes oscilações de humor, agravadas em decorrência de problemas cardíacos, Figueiredo levou adiante o processo de abertura política e, entre bombas e atentados, cumpriu o que prometera em sua cerimônia de posse: “Hei de fazer desse país novamente uma democracia.” Fez. Tendo anistiado adversários políticos, foi incapaz de anistiar a si próprio e bateu a porta pedindo publicamente que o esquecessem. O esquecimento pretendido por Figueiredo, entretanto, privaria o país da memória de um dos períodos mais controvertidos da vida política nacional – o capítulo final da ditadura militar.

Artemis Fowl: O menino prodígio do crime, de Eoin Colfer 

Uma jornada destemida, corajosa e, principalmente, arrepiante, Artemis Fowl: O menino prodígio do crime (Galera, 288 págs, R$ 34,90) inspirou o filme disponível no Disney+. Na trama, Artemis é o único herdeiro do clã Fowl, uma lendária família de personagens do submundo, célebres na arte da trapaça. Após o desaparecimento misterioso de seu pai, o garoto articula um plano para recuperar a fortuna de sua família. Sua ideia poderia derrubar civilizações e mergulhar o planeta numa guerra entre espécies. Sua jornada começa em Ho Chi Minh, a calorenta cidade do Vietnã, em pleno século XXI. Lá, aliando tecnologia de ponta a seus dons criminosos, ele chantageia uma fada decadente para roubar seu Livro, objeto que permitirá desvendar os segredos do Povo das Fadas e descobrir onde guardam uma enorme reserva de ouro. O único problema é que o Livro está em gnomês ― o idioma das fadas, um alfabeto ancestral, jamais decifrado por um humano. Em um lance ousado, Artemis sequestra uma das criaturas do Povo das Fadas para assegurar o sucesso de seu plano. O que ele não esperava era se deparar com a capitã Holly Short, uma elfo valente e irritada da LEPrecon, a unidade de elite da polícia das fadas. Resultado: em pouco tempo, Artemis se vê em meio a um exército de fadas, gnomos, duendes, elfos e trolls, com armas muito mais avançadas que as dos humanos. Artemis está confiante que pode vencê-los quando bem entender, mas eles pararam de jogar conforme as regras. 

Guia para o poder do subconsciente, de Joseph Murphy

Em Guia para o poder do subconsciente (Best-Seller, 308 págs, R$ 36,90) o leitor irá descobrir como plantar pensamentos em sua mente subconsciente para que ela comece a fazer milagres na transmutação de seus pensamentos em realidade, muitas vezes com pouco ou nenhum esforço de sua parte. As 52 afirmações semanais permitem melhorar todos os aspectos da vida, incluindo saúde, relacionamentos e carreira. As afirmações são acompanhadas por comentários para que você possa imaginar com mais clareza e começar a viver uma nova realidade. Todos temos dentro de nós a capacidade de alcançar nosso potencial máximo, mas poucas pessoas atingem seu potencial pleno. A maioria deixa de reconhecer e se apropriar do poder infinito da mente subconsciente. O segredo do sucesso na verdade não é assim tão secreto, ele já está em prática há milhares de anos. No best-seller O poder do subconsciente, escrito pelo mesmo autor já ajudou milhões de pessoas a alcançar grandes objetivos apenas mudando a maneira de pensar. Agora, o Guia para O poder do subconsciente: Reflexões para todas as semanas do ano vem como um complemento, com 52 afirmações semanais ideais para quem busca uma mudança de vida.

Valor presente, de Pedro Salomão   

Um convite para construir um futuro feliz e tranquilo, sem pressa, vivendo o presente, em Valor presente (BestBusiness, 128 págs, R$ 44,90), Pedro Salomão convida a refletir sobre a vulnerabilidade coletiva de um mundo em suspenso. Quem sabe, assim, quem tanto pediu para o mundo parar porque queria descer, consiga finalmente desembarcar e começar uma viagem nova rumo ao melhor mundo que existe: o nosso. Em março de 2020, a humanidade entrou em quarentena. O isolamento social foi indicado pelos especialistas como o melhor método para impedir o avanço da Covid-19, que já matou milhares de pessoas no mundo inteiro. Descer do mundo, a essa altura do campeonato, pode ter diversos significados. Basta que a gente se lembre de quando desejou com toda a força que tudo parasse de vez: durante uma crise no casamento, depois de ler uma notícia sobre a violência urbana, ouvindo um parente discordar furiosamente de nós quando o assunto era política, exaustos depois de um dia inteiro de trabalho, sofrendo com a pressão e a competição no escritório. Será que, agora que o mundo parou, nós já mudamos ou, pelo menos, repensamos as atitudes que nos levaram a todas essas situações no passado? Nesta fase em que estamos todos vulneráveis, o tempo que doamos ao outro se torna ainda mais precioso. Porém, é fundamental fazer bom uso desse tempo: não pedir que ele voe, tentar substituir a pressa pela velocidade. A velocidade é necessária para aprendermos cada dia mais com o novo. Sem a rapidez de abrir mão dos velhos conceitos, dos paradigmas, de tantas narrativas, seria impossível nos adaptarmos.

Dôra, Doralina, de Rachel de Queiroz

Um magistral romance sobre a emancipação feminina Dôra, Doralina (José Olympio, 432 págs, R$ 59,90) narra a história de Maria das Dores, viúva recente de um casamento de conveniência, que sai da sombra da mãe e de uma vida de submissão para viver em Fortaleza. Na capital do Ceará, Dôra torna-se atriz e passa a viajar pelo Brasil como integrante da trupe de uma Cia de teatro mambembe. Em determinada viagem conhece o Comandante, homem que desperta seu amor mais profundo e com quem se muda para Rio de Janeiro, abandonando o teatro. Após sua experiência com o amor que poucos têm coragem de viver, Dôra retorna para sua cidade natal, fechando o ciclo de vivências que a transformaram em outra mulher. Esta obra marca a retomada de Rachel de Queiroz ao gênero romance, e pode ser lido como expressão da emancipação feminina, na qual Dôra sai da condição de mulher submissa para conquistar a liberdade de ser o que desejar e levar a vida que quiser. Personagem fascinante, ela é um dos perfis femininos mais intensos da literatura brasileira.

Meia-Noite, Evelyn!, de Babi A. Sette

Em história de um casal improvável com uma ideia brilhante, Meia-Noite, Evelyn! (Verus, 392 págs, R$ 44,90) traz a história de Evelyn Casey, que precisa se casar. Do contrário, corre o risco de perder tudo o que mais ama no mundo: as terras onde cresceu, a casa pela qual lutou e, principalmente, a tutela da meia-irmã, Violet. Esse caos é culpa de três homens: o padrasto, que morreu na ruína; o irmão dele, conde Derby; e Harry Montfort, o mulherengo e inconsequente filho de seu padrasto. Harry Montfort odeia os nobres, o reino e a alta sociedade inglesa, apesar de muito a contragosto ser um duque. Ele está satisfeito com a vida de empresário bem-sucedido em Nova York. Mas, quando o maldito tio entra com um pedido na Câmara dos Lordes para assumir o título que Harry abandonou e a própria rainha o convoca, ele se vê obrigado a retornar à Inglaterra para exorcizar de vez os fantasmas do passado. Mas Harry não contava que a breve estadia no reino fosse virar um pesadelo — é o que acontece quando a monarca exige que ele se case e assuma suas responsabilidades como duque. E contava menos ainda que fosse cruzar com uma ruiva impulsiva e cheia de personalidade: Evelyn Casey, a filha de sua madrasta. Uma vez reunidos, Evelyn e Harry entendem que um casamento de aparências é a solução para todos os seus problemas. Mas será que um deles — ou os dois — cometeriam a loucura de se apaixonar?

Consciência plena no trabalho, de David Gelles 

David Gelles ensina em Consciência plena no trabalho (Bestbusiness, 350 págs, R$ 59,90) como aplicar o conceito de mindfulness no ambiente profissional e obter melhores resultados para funcionários e empresários. O autor explica também como todos os tipos de empresas e de trabalhadores podem se beneficiar das técnicas dessa natureza. Além de reduzir o estresse, aumentar o foco mental e aliviar a depressão entre os funcionários, as práticas meditativas também trazem vantagens concretas para as empresas que as adotam, incluindo o aumento da produtividade e a economia de milhões em custos com assistência médica. O aumento do incentivo a práticas de mindfulness é uma das tendências mais surpreendentes e promissoras nos negócios. A princípio, pode parecer que pausas para ioga e meditação no escritório só se encaixariam no ambiente das startups do Vale do Silício, onde jovens trabalham ao lado de seus pets e jogam pingue-pongue no saguão. Mas, nos últimos anos, algumas empresas de grande porte — como General Mills, Ford, Target e Google — criaram extensos programas para promover essas atividades entre seus funcionários.

O contrato sexual, de Carole Pateman 

Uma vigorosa e inovadora reinterpretação da teoria política pelo feminismo. Em O contrato sexual (Paz & Terra, 364 págs, R$ 54,90), a cientista política Carole Pateman mostra que os teóricos do contrato social dos séculos XVV e XVIII calaram-se sobre o contrato que estabelece o patriarcado moderno e a dominação dos homens sobre as mulheres. Como escreve Pateman, “os homens que, supostamente, fazem o contrato original são homens brancos, e seu pacto fraterno tem três aspectos: o contrato social, o contrato sexual e o contrato da escravidão, que legitima o domínio dos brancos sobre os negros”. As narrativas sobre o contrato sexual são rastreadas em várias frentes. Por um lado, pelo exame minucioso de alguns teóricos clássicos e contemporâneos do contrato, como Hobbes, Pufendorf, Locke, Rousseau, James Buchanan e John Rawls. Por outro, pela busca da gênese do patriarcalismo moderno, com o auxílio de autores como sir Robert Filmer, Sigmund Freud e Claude Lévi-Strauss. E também pela análise da construção mutuamente interdependente da esposa como “dona de casa” e do marido como “trabalhador”, assim como da relação entre o contrato de casamento e o de trabalho. Por fim, a autora se detém ainda sobre outros contratos que envolvem a mulher: o de prostituição e o de barriga de aluguel, pesando e discutindo argumentos feministas a respeito. O resultado é uma original e bem fundamentada reinterpretação da teoria política, que ilumina questões cruciais como liberdade e subordinação.