Pandemia, quarentena e outros temas que marcaram 2020

29/12/2020 30 visualizações

Distanciamento social, isolamento, quarentena, sorologia são alguns vocábulos que passaram a fazer parte do dia a dia em 2020, mas não é de agora que epidemias, pandemias e outras emergências sanitárias inspiram autores. O clássico de Albert Camus, A peste (Ed. Record), talvez seja o mais emblemático representante entre os romances. O novo coronavírus acabou renovando o interesse pela obra, que chegou a figurar em listas de mais vendidos, passados mais de 70 anos de seu lançamento. 

Outras obras ficcionais que têm como pano de fundo quarentenas e epidemias, escritas antes do surgimento da covid-19, também chegaram às livrarias, como Sete dias juntos (Ed. Bertrand Brasil) e Meninas selvagens (Ed. Galera Record). Na não-ficção, a disseminação do vírus foi o tema de As regras do contágio, do matemático inglês Adam Kucharski, pesquisador da Escola de Higiene e Medicina Tropical. 

Dois grandes intelectuais da atualidade lançaram obras sob o impacto do calor dos acontecimentos. O brasileiro Joel Birman escreveu e lançou O trauma na pandemia do coronavírus (Ed. Civilização Brasileira) e o francês, É hora de mudarmos de via: Lições do coronavírus (Ed. Bertrand Brasil). 

A peste, de Albert Camus (Ed. Record)

Romance que destaca a mudança na vida da cidade de Orã, na Argélia, depois que ela é atingida por uma terrível peste, transmitida por ratos, que dizima a população. É inegável a dimensão política deste livro, um dos mais lidos do pós-guerra, uma vez que a cidade assolada pela epidemia lembra a ocupação nazista na França durante a Segunda Guerra Mundial. A peste é uma obra de resistência em todos os sentidos da palavra. Narrado do ponto de vista de um médico envolvido nos esforços para conter a doença, o texto de Albert Camus ressalta a solidariedade, a solidão, a morte e outros temas fundamentais para a compreensão dos dilemas do homem moderno.

As regras do contágio, de Adam Kuchaarski (Ed. Record)

Adam Kucharski investiga as múltiplas manifestações de contágio: por exemplo, o que há em comum na dinâmica das epidemias que aterrorizaram o mundo; como as inovações se disseminam através das redes sociais; as semelhanças entre os vírus de computador e as histórias populares; e por que as profecias mais úteis não são necessariamente aquelas que se provam verdadeiras. Dos agentes “superdisseminadores” que podem gerar uma pandemia ou derrubar um sistema financeiro às dinâmicas sociais, As regras do contágio oferecem reflexões importantes sobre o comportamento humano e mostram como podemos nos sair melhor ao prever o que está por vir.

O trauma na pandemia do coronavírus, de Joel Birman (Ed. Civilização Brasileira)

O psicanalista Joel Birman analisa em O trauma na pandemia do Coronavírus a dimensão psíquica da pandemia da Covid-19, colocando em destaque as suas dimensões política, social, econômica, ecológica, cultural, ética e científica. Escrito a quente, o livro chama a atenção para a problemática do trauma, intimamente relacionada à noção de catástrofe humanitária, subjetiva e nacional em que particularmente a população brasileira está inserida. É um livro necessário a todas as pessoas que desejam compreender e processar subjetivamente esse período brutal.

É hora de mudarmos de via, de Edgar Morin (Ed. Bertrand Brasil)

Um minúsculo vírus surgido de repente numa longínqua cidade da China criou um cataclismo mundial. Paralisou a vida econômica e social em 177 países e engendrou uma catástrofe sanitária cujo saldo mundial é sombrio e alarmante. O pós-coronavírus é tão preocupante quanto a própria crise. Muitos comungam a certeza de que o mundo de amanhã não será o mesmo de ontem. O futuro imprevisível está em gestação hoje. Tomara que seja para a regeneração da política, para a proteção do planeta e para a humanização da sociedade: é hora de mudarmos de via.

Sete dias juntos, de Francesca Hornak (Ed. Bertrand Brasil)

A família Birch irá se reunir em Weyfield Hall, para o Natal, pela primeira vez em muitos anos. Emma está eufórica com a chegada da filha mais velha, Olivia, mesmo sabendo que o único motivo para o seu regresso é a quarentena à qual deverá se submeter após ter sido voluntária no tratamento de uma epidemia devastadora na África. A galeria de personagens ainda tem o marido de Emma, Andrew, e a filha caçula, Phoebe. Pelos próximos sete dias ninguém poderá entrar nem sair da casa. Isolados do mundo e presos à companhia indesejada uns dos outros, uma semana pode se tornar uma eternidade para os Birch. Especialmente quando todos têm segredos a esconder.

Menins selvagens, de Rory Power (Ed. Galera Record)

Há dezoito meses, a Escola Raxter para Meninas entrou em quarentena. Há dezoito meses, uma misteriosa doença virou a vida de Hetty do avesso. Começou devagar. Primeiro, as professoras foram morrendo, uma a uma. Então, começou a infectar as alunas, transformando o corpo delas em algo cada vez mais estranho. Isoladas do resto do mundo e deixadas à própria sorte, as meninas não se atrevem a ultrapassar o limite da escola. Hetty, Byatt e Reese esperam a cura prometida enquanto a doença se alastra. Mas tudo muda quando Byatt desaparece. Hetty não medirá esforços para encontrá-la, mesmo que isso signifique quebrar a quarentena e desbravar os horrores que as esperam além da cerca que separa a escola da floresta.