Por Pedro Paulo Malta
Você fez parte da geração que fixou o rock no Brasil, depois dos sucessos iniciais de Celly Campelo e cia. Como foi para você participar dessa construção?
Na verdade quando a Celly e Tony Campelo faziam sucesso, eu fazia o mesmo em Belo Horizonte. Já era conhecido e apontado nas ruas como o Rei do Rock de Minas Gerais. Título dado pelo Aldair Pinto, que comandava um programa na Rádio Inconfidência de Minas Gerais. Eu só ainda não tinha gravado o meu primeiro disco que veio a ser gravado pouco tempo depois pela Gravadora Philips. Também sou precursor do Rock.
Entre os personagens do seu livro, há dois particularmente interessantes, que são Carlos Imperial e Tim Maia. Dá pra imaginar esses dois em ação hoje em dia, quando há tanta patrulha contra o “politicamente incorreto”?
O Imperial iria ficar decepcionado porque era comunista declarado apesar de ser filho de banqueiro. Acredito que ele, como muitos que lutaram por um Brasil melhor e foram presos e perseguidos, eu imagino o que ele iria publicar. O compromisso do Tim era com a música. E fiel a Black Music e ao Soul, mas não ia nada gostar de saber que a ciclovia que leva o seu nome rompeu-se matando duas pessoas. Uma obra superfaturada. Tim ia meter a boca.
Como você vê a turma do rock dentro da história da música brasileira. Acha que é reconhecida com o devido valor nos livros e outras fontes de referência?
Não. Acho que existe um preconceito e muita gente tenta esconder a verdade sobre a história do rock no Brasil. Se o que fizemos não é rock, o que é então? Basta ver que várias emissoras do Rock no Brasil nos ignoram ou desconhecem totalmente como tudo começou por aqui. Eles tocam rock a partir dos anos 80. Desconhecem que existiu depois do nosso primeiro movimento, bandas de rock,como “Mutantes”, “Som nosso de cada dia”,”Terreno baldio”, “Made in Brazil” ,”O Terço” etc. Só reconheceram Rita Lee e Raul Seixas. Muita injustiça. A história precisa ser recontada por pessoas que vivenciaram este movimento. Às vezes, confundem com o rótulo Jovem Guarda, que apenas era um programa jovem de grande sucesso na época, como um movimento musical que nunca existiu e nunca foi um estilo musical, como foi e é o Rock.
Como você vê o rock brasileiro hoje em dia? Tem acompanhado os novos valores?
O Rock Brasileiro segue sem história e é por isto que só é lembrado do meio para frente. Falta o principal a base. Os que são lançados não nos conhecem . Outro dia num programa famoso uma banda bem conhecida foi fazer uma homenagem ao Erasmo e o Roberto cantando o maior rock de autoria deles. Para a minha surpresa, cantaram o “Vem quente que estou Fervendo”, que é de minha autoria e Carlos Imperial. Falta cultura no rock. Existem bandas maravilhosas hoje em dia com pouca chance na mídia. Enquanto outras, não tão boas assim, estão fazendo sucesso.
Que conselhos daria a um jovem roqueiro que, assim como você no passado, sonha com o sucesso na carreira musical?
Nunca desista do seu sonho. Se eu tivesse de começar hoje, faria tudo de novo.